quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Um pedaço do seu coração
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Dias como esse me deixam assim.
"Insistir naquilo, foi de longe a comparação mais inútil com as coisas que podem vir a existir e o que já foi selado que não existem. Tem horas que você até quer que suas palavras, pesadas, carregadas de verdades, mudem o mundo, o coração, a vida ou a concepção sobre o amor de alguém, mas isso acaba caindo no profundo limbo, sabe por que? Por que quem quer amor precisa amar antes."
Durante basicamente toda aquela tarde, pensei em você. Falhei em ser surpreendida por ti. Ah, que saco. Eu nem imaginei que era isso que eu precisava, alguém que tivesse esse ímpeto de enfrentar certos comodismos e vir até mim, seja lá de que maneira, e pegar a minha mão, olhar nos meus olhos e dizer aquelas coisas sem jeito que só se diz quando o coração não sincroniza com as idéias. O tipo de coisa que não precisa pronunciar, pois a atitude já fala por si só. Bom, eu poderia dizer não pra mais essa tentativa desesperada da vida me amarrar à alguém, mas sabe de uma coisa, dessa vez não. Cheguei num ponto em que posso pegar certos retalhos e jogar fora, por que não servem mais e remendar algumas coisas não vão me tornar alguém melhor. Esse alguém, quem quer que é/seja, não precisou me levar flores, me apresentar um mundo mágico, pular de roupas no mar do reveillon e fazer um pedido por mim, não. Esse alguém me abraçou sem precisar me tocar, me fez sorrir sem contar nada engraçado, me fez sentar mais próximo à janela pra vê-lo chegar, me fez deixar o relógio em casa e atrasar o do meu celular, o tempo não passava e tudo que eu queria era chegar logo em casa. Eu poderia estar sozinha, trancada dentro de mim, e eu estava. Podia estar sozinha, mas segura, me deixando levar pelo mar das complicações e sentar no final de semana com as amigas pra discutir que homem não presta, que relacionamentos são difíceis, que conhecer alguém interessante é impossível nessa cidade. Isso é terminar antes de começar e eu não queria mais isso. De verdade, nem quero mais pensar em terminar. E de certa forma amedrontadora, não me restam muitas opções. As minhas cartas, as que eu escolhi pra jogar esse baralho, são você, eu, agora, sim, juntos. Já não chorava há muito tempo, o que me fez crer que não restaram lágrimas em mim, mas agora quando escrevo isso ou até mesmo quando leio, vejo que estava enganada. Até nisso você me transformou, numa menina chorona, carente e com saudades. E eu gosto disso, de verdade. Precisar voltou à minha vida.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
500 dias sem ela
"Dobrei uma esquina só pra ser justo com minha parte que busca o improvável. Era uma maneira que eu tinha achado de me surpreender. Nem sempre funcionava, mas eu também não sou daqueles que deixa de lado as crenças por que elas parecem não existir. Então entrei naquela rua, na sua rua e eu vi você entrando com as malas. Você estava de volta."
Texto : Saudade
Eu acho que contei até os duzentos. Quando passou disso a matemática começou a não fazer sentido e eu tive que inventar a minha própria linha de tempo. Comecei a considerar um minuto igual a cada vez que pensava em você. Me arrependi no começo, por que cerca de 15 anos se passaram em uma tarde. Depois de uns 30 ou 35 anos, o intervalo entre uma lembrança e outra diminuíram, eu fui esquecendo de alguns fatos e deixando guardado aqueles em que a gente ficava no domingo de tarde na cozinha fazendo comida de gente gorda, os que dormíamos juntos assistindo How I meet your mother e aqueles que me fizeram entender o quanto faz falta lembrar dos filhos que tínhamos esquecido. Bom, pelo menos quando consegui chegar nos 400 anos, já estava velho demais pra considerar a possibilidade da vida, de Deus, ou de qualquer tipo de simpatia fajuta que te fizesse lembrar de mim. Foi melhor assim. Pude escolher como tema do meu trabalho de conclusão do curso de psicologia a matemática da saudade e o mecanismo que nos leva a associar quase tudo a uma emoção diferente, que não é amor, mas é algo próximo ao que eu chamo de 'eu e tudo que aconteceu'.
(EU)
Eu vinha meio distraído no corredor, com alguns livros e textos pra corrigir, quando você me chamou meio gritando, meio desafinando. Virei e você tava meio engasgada, meio ofegante. Me aproximei pra saber do que se tratava, se você queria me devolver alguma coisa que eu esqueci na sua casa ou se só queria me ver numa situação não muito boa. Você tinha esse talento, sabia me pegar de surpresa quando eu estava pensando 'se você aparecesse agora eu te diria que te odeio".
(VOCÊ)
Engraçado, nem um pouco comum, o mesmo violão desde os 12 anos, a mesma mania de não se pentear nas situações mais constrangedoras, o mesmo relógio com calculadora, o mesmo tênis que te dei, a mesma maneira de escrever saudade, com aquele tomzinho de que sabia que eu ia voltar. Você é uma figura que nunca lançam pra gente nunca conseguir completar o álbum. E tem um pouco de você dentro de mim.
Com o dia de hoje, perdi mais uma vez as contas de quanto deixei de ser aprovado no jornal por não mostrar meus melhores textos. E você sabe por que. Não quero e nem vou compartilhar com as pessoas o que vivemos. Mas você sabe onde me encontrar em cada palavra.
sábado, 24 de setembro de 2011
Olhei para o lado
"Aquela fome e aquele sono se foram, enfim. Ninguém suporta muito de si mesmo por tanto tempo assim. Naturalmente você espera mais de si mesmo e, no limite das coisas, percebe que só é capaz de ser mais, com alguém do seu lado. Viver sozinho não completa, é isso."
Eu disse-se foda-se de propósito. Foda-se, não faça isso comigo. É bem melhor estar sozinha do que continuar essa farsa, esse conto de fadas em que você só promete, só diz que faz, só me bota pra trás, só me ensina que te amar não vale. Vá, pode ir. Quando foi que a porta não esteve aberta para você? Ela sempre esteve aberta, seu bobão. Eu nunca fui contra você me visitar na madrugada, nunca deixei a nossa cama sem seu cheiro, nunca joguei sua escova de dentes fora, e até usava fingindo que te beijava, já que você não era mais um beijo presente. Então saia com tudo que era meu, pois o que é seu já faz parte de mim, já me pertence e me corta. Saia e quando pensar em voltar, pense mais um pouco.
Foi quando aquela parte social, aquela parte de sorrisos e abraços, aquela parte de glamour, aquela parte que é um saco e falsa passou, que você entrou na festa. Era sempre assim quando os amigos se reuniam, você esperava um pouco e entrava. Como uma pedra que parecia marcar algum tipo de percurso, uma daquelas que dão sorte, descanso e não se encaixam no ambiente, você fazia suas piadas, contava suas histórias, desarmava várias bombas, dava uns conselhos legais, apertava meu nariz falando de algum detalhe do meu rosto da forma mais doce. Esse era você, nada mais que uma lembrança, um flashback, uma vontade grande, mas que não ia aparecer na festa esse ano. É uma pena, sabe. Tinha tanta coisa pra te contar. Desde alfa à ômega, desde sua ida até sua volta. Eu evitava conversar sobre isso. É que me deixava num estado meio confuso entre a realidade e a história sem fim. Você era aquela pergunta chata num momento que eu queria só ficar bem. Falar sobre a gente doía como aquela dorzinha ao bater o dedo mindinho (do pé) num canto de porta. É uma onda de nunca mais denovo. Naquela festa eu só queria ficar bem e tudo bem, entende. Acontece, que a parte que você fez parte é tão absurdamente óbvia que não tenho como esconder no rosto que isso tudo não tem graça sem a vida que você trazia com seus eternos pedidos de fica pra sempre. É difícil até por vírgula nas frases. Sensação de falta física, mas de extrema presença mental. Não estou vazia, só não posso mais ter você.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Como dizer Eu te Amo.
"Fiz umas contas e o prazo de validade para o nosso laço é curto, infelizmente. Por que as coisas, do jeito que vão, me fizeram comprar um monte de refrigerante e me ver bem gorda, no meu sofá assistindo Truffaut, torcendo pra aparecer qualquer Doinel, que me pegue pelo pescoço, a força, e me ame, sem medo, sem noção e sem desgosto."
Quando eu vi seu braço quebrado, foi o que eu precisava para me aproximar. A gente não se conhecia direito, mas aquilo era o que menos importava. Acontecia uma coisa estranha quando te via por ali, no corredor, com a mochila meio de lado, em um ombro só, com aquele sorriso de quem eu sabia não ser o seu melhor, me olhando. Do jeito que eu imaginava, você estava sorrindo pra melhor passar, e usava o que tinha de infantil no seu rosto para mascarar as verdades. O complicado era que o seu sorriso não era como os outros, ele me afastava. Não por ser feio ou disforme, pelo contrário, era o mais legal e meio boquinha torta, e por isso mesmo me sentia tímida. Falavam que você tocava violão e eu fiquei logo curiosa por saber que tipo de repertório fazia seu estilo, meio converse, meio gola-polo, meio jeans desbotado, meio nada a ver, que eu gostava. Um dia, no intervalo, entre um sorriso e outro, passei por você e apanhei uma caneta, com a tampa toda mastigada, que tinha acabado de cair do seu bolso.
- Oi, desculpa, é que você deixou cair isso...
- Ah, valeu! Num liga pra essa tampa...ela é meio...é uma tampa, quem não morde a tampa da caneta?! xD (teu sorriso)
[Desse jeito, o máximo que eu poderia conseguir de você era um cordial boa tarde, um matinal bom dia, um gentil até mais.]
Me aproximei e, gentilmente, perguntei o que tinha acontecido com seu braço. Me senti meio pateta, olhei pra baixo, pensei em pedir licensa e sair, era o fim. Sentei do seu lado. Você me disse que "ontem, tentando tirar algumas caixas da parte de cima do guarda-roupas, escorregou da cadeira e é..." Até esse seu jeito de terminar as frases me deixavam tentada a rir. Eu ficava boba ao seu lado e interpretei isso como um péssimo sinal. Na contrariedade total das coisas, perguntei se podia escrever meu nome no gesso e ainda falei que seria a primeira. Você deixou e eu escrevi.
"queria todos os seus sorrisos pra mim..."
Você: não foi isso que te deixei escrever, mas...
Você segurou a minha mão, antes que eu pudesse terminar e...
"...e eu receio que são."
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Sem querer
"Sem querer fui deixando me levar e quando me dei conta não sabia mais a fórmula do eu apenas. O que era antes uma porta fechada, um trampolim quebrado, agora eram dois; eu e você.
Não sei bem como chegamos ali. Só não estava certo e as nossas opções acabavam. É que quanto mais se aproxima do fim, mais nossas falas se resumem a momentos de amor e depressão pós-amor ( sem palavra alguma ). Aquela sensação de estar vazio é o reflexo de que o que não faz mais sentido está tentando te completar. Normalmente você confunde isso com outra pessoa, um ciúmes, mas é um fato sem discussão, ou se tem amor e amor, ou se tem amor e merda. Para os dois gêneros. Sentir-me vazio assim me levou ao extremo desarranjo de pedir para dar logo um ponto final. Só não sabia que ia doer mais sozinho."
Sem querer chegou sexta-feira, onde a expectativa do final de semana te dá um efeito placebo, ou seja, você faz qualquer coisa com muita certeza, por que no fim você vai ter uma ótima frase para dizer, eu já sabia, e com isso vem a impressão de que vai dar tudo certo, ou não. Você pode torcer para dar tudo errado também, depende da sua disposição. Ok.
Sexta-Feira - CHECK!
Grana no bolso: R$53,40.
E eu tinha duas opções razoáveis. Não, minto! Uma era a realização de um sonho; investir no mundo artístico e adquirir o Desintegration para servir de trilha em homenagem ao que estava por vir na escolha da outra opção, por que cá entre nós, qual é o louco em sã consciência que vai preferir uma noite de homesick no lugar de um bom orgasmo ( não me venha com frescura, você homem me entende. Eu era louco o suficiente, mas meu lado masculino falou mais alto. A homesick podia esperar para o nosso depois ), e a outra opção era sair com a mesma garota que eu vinha transando por no mínimo 1 semana e de onde eu tinha tirado a desconfortante mania de dormir depois de tudo. Era um tédio o nosso depois. Eu gostava de chocolate, de comida chinesa na caixinha, na cama, de olhar para o nosso teto quebrado, mas não gostava dela. O que tornava tudo mais difícil. Acordei as 9a.m. e no caminho da loja de discos meu telefone tocou e era ela. Olho para o display e taco o telefone no chão. MENTIRA! atendo. Aquela voz doce de toda minha diz, me come hoje? MENTIRA DENOVO! Ela disse:
- Escolhe 1 ou 2?
Porra! Que tipo de pessoa me perde pra escolher uma porra de 1 ou 2 e se acha interessante, porra? Se fosse pelo menos zero ou 1 eu responderia o zero, pra evitar toda aquela situação constrangedora de dizer não em alto e bom som. E isso seria o The Cure para o dia, acredite em mim.
Eu disse 2 só por costume. A última tinha sido 1. Quando eu disse sim para ela ficar por cima. Diga-se de passagem ela odiava o que eu mais gostava. Bom, mas contraditoriamente era isso que eu gostava na gente. Eu acertava genialmente esses joguinhos, que ela amava, e o número 2 era vê-la um pouco mais tarde ao invés de agora. Perfeito! Eu teria tempo para minha meditação, o que ia deixá-la convencida de que estava tudo bem e evitaria 512 vezes a pergunta o que foi durante a noite. No contexto geral essa era uma ótima sexta-feira.
1º. Desintegration ( para morrer )
2º. Sexo de madrugada ( para lembrar de não repetir isso, nunca mais )
Só faltava uma coisa, mas se eu soubesse o que era, já teria saído desse estado letárgico que me faz querer fazer amor com qualquer uma menos com ela.
É que quando uma fruta tá madura demais, não há o que fazer. Tem que comer senão estraga.
sábado, 17 de setembro de 2011
Metade do inteiro que eu sinto.
"Esse final de semana resolvi viajar um pouco, com os amigos, sabe. Coisa de homem, curtir uma praia, um poker, uma cerveja, uma noite virada, uma conversa. Quando você começa a enjoar do seu jeito de pensar, é só olhar pra outro lugar e tudo muda. É tudo uma questão de espaço amostral. "
Bem, nem todas essas palavras, nesse contexto, devem ser levadas ao extremo. Tem coisas que eu não digo nem a mim mesmo pelo medo de fazer das minhas idéias uma prisão. Tenho
pensado bastante em muitas emoções ultimamente. Uma delas tenho confundido com saudade, mas não poderia sentir isso por você. Nunca te perdi ou decepcionei, o que me dá uma certa vantagem no quesito pode ser.
No fim das contas, todo mundo tem o costume bobo e infantil de prometer ser o melhor, que o seu beijo é o melhor, que o seu cheiro é diferente, e o intrigante é que essas palavras, que não definem nada, tem poder nessa hora. Não quero dizer elas a você. Por que, com propriedade, quero falar da menina que eu, sem querer, me deixei gostar. Gostar é bom, sabe. E reciprocidade nem sempre. Se eu puder te dar mais do que você me dá com palavras, vou escrever muitos textos e revelar aos poucos que não tem como te esquecer quando venho até aqui digitar. Em outros momentos perco o fio e não te encontro dirigindo, jogando, estudando, trabalhando, projetando, mas creio que nessas horas, em que paro de pensar em você, Deus tem dedicado um tempo forjando esse sentimento. Te deixando curtir um pouco a vida, te espremendo um pouco o choro, por que, as vezes, ao chorar, parece que te espremem, bem aqui no meio da barriga. Então divirta-se, cure-se, alegre-se, liberte-se. Não me tenha como uma possibilidade, por que nessa hora você me perde. Tenha-me como uma razão, uma locação, um lugar, uma casa, um papo random que só te faz bem, por que o que sinto não pode te fazer mal(u), de nenhum jeito.
Houve um carnaval que resolvi viajar um pouco, ir ao paracuru com os amigos, beber, conversar sobre a vida, se deixar levar pela hora e virar a noite tocando violão, num poker, num bang, numa piscina. Sem imaginar que o improvável seria bem mais provável que nunca, você me apareceu lá, com seus amigos, seus amores, suas dores. E notei que mal começara e já era o fim. Não combinava com aquilo. Você era pra estar na mesa, rindo conosco, de tudo e de todos. Retornar o amor em forma de sorrisos. E sentir-se espremida não por choro, mas por risos.
Quem sabe agora, no momento, a sua resposta esteja vindo e ela te diga que não duvide, é para você e mais ninguém.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Mas são os meus motivos
"Esse era o problema, eu só queria te conhecer. Nada demais. Provar um dos seus doces, tratar do presente sem pensar no futuro, te ver outra vez, combinar um cinema, perder a tua hora, chegar atrasado, te deixar esperando, encher o teu saco perguntando. Sobre o que, não sei, mas mau não há de fazer. Testar o seu sorriso, se ele combina com o que eu digo."
Quando se tem atitude, pouco importa se sua camisa falta um botão ou se seu tênis está fora de moda, se sua barba tem um falhas ou se você usa gírias descoladas para conquistar sua avó quando ela tinha 17. Quando se tem atitude, você levanta a sua bunda de onde está, pega e diz eu te amo todo torto, nervoso, tremido. Se isso vai funcionar - não sei - mas convicção tende a ter valor, ainda.
Sabe o que é foda, é que ainda há quem diga ter nascido na época errada.
Então, se é que existe alguma forma de explicar como fomos compatíveis, espero que essa possível espera eterna nos prove que era só questão de hora. Que no fim tudo vai justificar as névoas entre o que eu acredito ser o melhor para agora, e o que você acredita ser o melhor para sempre.
Ao sonhar eu vi um telescópio espacial focar o seu coração e pensei por quanto tempo eu teria que desapoiar a tecnologia futura para que parassem de inventar parafernalhas para ver o infinito fim do universo, quando o que eu mais preciso é estar com você.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Entre a lua e nada mais...
ELA
Naquele dia, eu quis parecer forte, queria passar a imagem de superado. Naquele dia, eu quis com tanta força minhas pernas seguras de volta.
Naquele dia, eu quis demonstrar imparcialidade, queria passar a sensação de imponência, de renovação. Naquele dia, eu queria taquicardia zero.
Naquele dia, eu fui ao banheiro muitas vezes, olhar meu rosto, conferir minha roupa, retocar o meu choro . Naquele dia, você pensou que no banheiro eu falava de paqueras, de embalos e de baladas.
Naquele dia, tudo que eu queria não aconteceu, inclusive você não ter me dito olá e acabado com minha noite de aniversário.
ELE
Normalmente, nossas conversas não eram nem um pouco resumidas. Eram horas de uma árdua argumentação sobre os menos interessantes filmes, livros, discos e amigos. Horas se passavam numa disputa de quem conseguia gargalhar mais. A nossa onda era rir bem muito, por que ser feliz é bom e entre quatro paredes tudo é permitido, até rir, sabia.
Naquele tempo eu cheirava bem, sabia exatamente o lugar onde cheirar você, pra te deixar pronta para os meus próximos elogios, e a verdade ficava explícita quando eu dizia que adorava fazer cócegas em você. Não tinha mais graça ver algum tipo de arte. A gente pintava Dalí todo dia. E você tinha uma mania muito estranha de por o meu dedo mindinho do pé sobre o logo ao lado dele. Aquilo me dava uma agonia imensa, mas o jeito que você ria de mim era impagável. Eu ainda não sabia, mas já precisava daquilo pra sobreviver.
E isso foi se agravando quando você me pediu pra te ouvir falar sobre um trabalho do colégio sobre crianças carentes. Disso eu entendia muito e podia opinar. Olha pra mim só mais uma vez daquele jeito?
Naquele dia eu só não queria ter lembrado disso.(ELE)
Naquele dia eu só queria saber o que ele pensava. (ELA)
domingo, 11 de setembro de 2011
Uma tarde no cinema
Eu costumava dizer que o amor era enganação, auto enganação, sabe como é? Pronto. Era impossível acreditar no amor, para isso era preciso acreditar em mágica e, cá entre nós, mágica não existe, é coisa de criança. Criança tem cada coisa, sabe. Quando criança, eu costumava fazer um paraquedas com os sacos de ovos de páscoa e, com alguns barbantes, fazia umas cordinhas, pendurava no meu boneco g.i joe e soltava lá do apartamento. Quando ele se espatifava todo no chão era uma diversão sem igual e eu achava aquilo tão lindo. Logo depois, quando que cresci, acabei escolhendo o amor para ser minha nova diversão. Sem saber que as cordinhas desse paraquedas eram feitas das minhas fibras e o paraquedas em si, não existia, me arrebentei algumas vezes ao me despencar num ato suicida para os braços de quem eu me enganei amando. E o amor tem dessas coisas. É um lance de pular e, de fato, ter alguém lá em baixo para te pegar. Como eu, que ia sempre buscar meus bonequinhos caídos, alguns sem braço, pernas, cabeça, arranhados, na real quebrados, eu os amava assim mesmo.
Na mesa entre amigos...
Daí foi só eu passar num boteco voltando da faculdade e ouvir sem querer alguém falando bem alto,
"as coisas que amo deixo livres..." que minha velha identidade fez sentido. Eu estava livre e não tinha compreendido até agora o que você queria dizer com isso. O pior não foi ouvir você dizendo isso como frase de efeito, mas a certeza absoluta de que aquilo era de fato uma verdade nua e crua, como meu estado atual, despida e pronta para você me esquentar como fazia.
A parte mais difícil foi pegar o telefone e ligar para saber o que ia rolar no final de semana. Depois de digitado e discado não tinha mais volta, tinha me entregado e o orgulho, que um dia foi minha marca registrada tinha passado a ser pasta de mel, estava doce, escorrendo e impacientemente louco para que te fizesse aceitar a minha presença da noite de RPG.
E ontem eu quis falar com você, seja lá por que motivos eu quis te ver. Pra confirmar o que eu já sei ou pra me iludir, já que faço parte da turma que gosta de assumir que fracasso não é amar sem poder ter, é amar sem se comprometer.
Cheia de confiança, provei algumas roupas pra chegar lá e você me achar diferente, mudada, mas ambos sabíamos, não havia nada para esconder. Você me olhava e me despia completamente e a parte mais difícil do seu olhar eram as sobrancelhas, que arqueadas me deixavam sem palavras pro que me diziam. Me beija e não diz nada.
Entrei na sala e você estava lá, como eu imaginava, com sua nova namorada, de cara fechada do jeito que eu amo, que assume o futuro em sua cama, mais tarde. Não serei mais eu que estarei enrolada. Peguei um papel e caneta e criei meu personagem, dessa vez mudei o mundo, joguei de ladina, tentando roubar o coração da sua vida, já que o da minha, você não precisou roubar, foi presenteado, sem escolhas, pedidos, desafios...a sua vida era o mestre da minha.
Saudade espero que nunca chegue.
sábado, 10 de setembro de 2011
Diga o que quiser
Quando eu questionei pela primeira vez a possibilidade de nos separarmos, foi como um cometa que sempre prometia cair, daqueles que os astronomos sempre trazem pra mentir um apocalipse imediato, só que dessa vez foi diferente, ele explodiu nos meus joelhos. E eu, que era tão fácil de agradar, deixei de lado o meu desleixo com as suas rebeldias e racionalizações. Muito, muito longe de quem eu gostaria de ser estavam nossos eternos e constantes deslizes. Até queria ser o único, o par perfeito, mas de único e perfeito eu só tinha as letras E e U. Essas eram as letras que iniciam e são mais fortes no meu nome. Letras que trazem consigo alguns adjetivos interessantes para comparar o nosso estado, estragado ultimamente. Corria um risco enorme de puxar para mim certas culpas e assumir os meus e seus defeitos, já que sempre acreditei que a reciprocidade fizesse de quem somos o melhor ou o pior. De outra maneira eu não conseguiria conviver, sendo um meio termo. Acho que só queria um ou outro, não me importava com o médio, a metade, o medíocre, era bom o nada ou o tudo. Só sabia ser capaz de ter tudo, o nada nunca passou pela minha cabeça. Subindo as escadas, com os joelhos ainda doídos do esforço que fiz para levantar, depois de te pedir desculpas pela quinta vez na mesma tarde, percebi que imaginar essa dor para o dia que te pediria em casamento foi o maior erro que cometi ao te pedir para ficar comigo pra sempre. Só não sabia que eram meus joelhos que iam doer para sempre e não meu coração. (Perdoe-me mais uma vez por essa mentira)
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
do Pouco que Restou
"Rua J. 233 23:43 - Sexta Feira"
Passei por aqui, olhei pela janela, estava tudo apagado, você devia estar dormindo ou saído para o cinema, como sempre faz nas sextas com seus amigos. Bem, eu queria desaparecer, mais por não saber como reagir a vontade de te roubar do cinema e passar essa noite em mais algumas daquelas nossas brigas que acabavam na cama. Tenho me deixado muito sozinha. Nunca tive a chance de mudar o tom da nossa despedida e, agora, que não preciso mais dela, quero tê-la. Queria ti dizer que voltei. Ainda moro no mesmo prédio, na mesma rua, no mesmo andar, uso as mesmas roupas, ainda sou sua. E estar aqui na frente do seu apartamento e não poder entrar, me fez entender que ir embora jamais seria mais difícil que pedir pra voltar, pra ficar, mesmo com a chave da sua porta no meu chaveiro. Deixei um presente dentro da sua gaveta, da segunda de cima pra baixo, era a única vazia, a única que coube, o único que soube ser meu e me fazer minha.
Esse dias a mamãe perguntou por você e eu disse que não nos falávamos e que eu tinha esquecido a receita de como te querer. Ela me abraçou e me fez vir até aqui pra te dizer:
"não há você sem mim e eu não existo sem você..."
me liga.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Ainda hoje cedo
Naquele dia você jurou pra mim que nunca iríamos nos esquecer. Falou que o tempo é só uma distração pra o seguinte momento. Que a espera não te conduz a nenhum lugar além do seu lado e isso me acalmou, acredite.
E no sorriso, por trás do meu último abraço, me desejou um bom futuro, desejou um bom descanço, desejou um par de chinelas novas, uma sem a marca dos meus pés, pediu que eu cortasse o cabelo, ele tava bem grande mesmo, e enrolou um pouco os dedos naqueles por trás da minha orelha, pediu que eu não deixasse de viver, que eu quisesse conhecer novas pessoas e brilhar um pouco pra vida, que meus textos não fossem pesados e que as palavras fossem de amor e não de perdas. Quando o momento chegou, em que me deparei com a sua não presença, pra não dizer falta, acordei na madrugada e fui até a sala, sentei na mesa, bem embaixo daquela iluminação amarelada e, com as mãos nos olhos e o chão gelado, aprendi a segurar com força algumas coisas. Eram suas e eu não podia deixar você sair daqui, mesmo que em forma de lágrimas.
É que agora, até mesmo ao abrir a geladeira ou comprar uma latinha de leite condensado, lembro daquela tortinha que fazíamos rindo, daquele apelidinho na hora dos carinhos e das sempre ligações na madrugada pra dizer que a tristeza te abatia e que eu era o único momento feliz da sua vida.
Seja por filosofia, razão, paixão ou perda, há sim coisas insubstituíveis e, se não forem, nem mesmo coisas chegaram a ser. Mais do que nunca e até o fim do mundo tive que petrificar um sonho, não por escolha, mas por necessidade. E essa saudade aqui é um sentimento que voltou na hora errada.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Cansaço
Embora essa realidade sempre me leve a procurar alguns discos novos, o que me motiva a continuar acreditando que a música pode me aproximar da sua sensibilidade, dificilmente essas novas tendências me deixam tranquilo, seja por que são ritmos muito agitadinhos ou por que simplesmente não gosto de você o suficiente.
A desilusão pode ser um desafogamento. Como um véu que tiram dos teus olhos, mas não no sentido figurado, é um troço bem bruto mesmo. Ele vem seguido de um ardor bem no meio do seu peito e em seguida aquela sensação de eu já sabia...só precisava confirmar.
É foda, mas é verdade. E a verdade te liberta, afinal você não precisa mais gostar de perder tempo dedicando grandes sentimentos à pessoas que jamais serão capazes de recebê-los, ou melhor, querem. As vezes me engano com as palavras e acaba saindo tudo diferente do que sinto.
Deve ser isso, eu me interpretei bem, mas me expressei mal. Quis dizer que te amava antes, mas saiu que eu te amo agora. Vai ver é assim, tenho que me desculpar pelo que sinto. Foi mal.
droga. =~
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
12 maneiras de ti dizer parabéns.
Vieram me falar de expectativas hoje, o que me deu motivos de sobra pra pensar que a gente vive de expectativas. E quando elas são as melhores, pouco importa se vai dar errado certas coisas, o bom mesmo da vida é tentar e buscar a felicidade diária, meter o chute na porta do arrependimento e pedir desculpas, fechar os olhos para o sofrimento e sorrir das piadas do Ari Toledo, na tentativa de ser feliz de outro jeito, sendo até um pouco bobo, mas de um jeito que lava a alma.
É, o ruim do tempo é que ele passa na parte mais gostosa bem rápido e naquelas que são chatas demora um tantão assim.
Refletir nesse dia a nossa existência é um clichê tão cinema que a gente sopra as velinhas e sempre lembra de fazer pedido.
Fiz uma lista de músicas um tanto toscas pra dizer um mega parabéns, mas pouco me importa o dia. E eu não poderia te dar parabéns de uma maneira mais adequada do que com 'obrigado'. Ninguém deveria te parabenizar por existir e sim agradecer. Se me anima desse jeito algumas poucas palavras trocadas por aqui, contigo, o que poderia dizer sobre as pessoas que convivem com você.
E os defeitos, onde estão os defeitos para que eu, de maneira tão idiota, te agradeça por existir?
Imagino alguns bem difíceis de conviver e tenho certeza que estou certo...
nenhum deles me faria desistir.
Posso desejar a você um feliz aniversário agora: Feliz Aniversário!
No entanto, obrigado...
ps.: Ignora a data do texto, esse blog é atrasado.
O Racha
O mal da expectativa não é crer que uma coisa impossível vai acontecer, mas planejar em cima de uma vontade, muitas vezes singela, de ter algo. E o meu algo é você, sabe?
E então, indo pra casa, no sinal, cruzei com sua imagem na minha mente, a que projetei descendo pra falar comigo e eu te falando como estou cansado e suado, e você, carinhosamente, com aquele sorriso discreto e olhos atentos, dizer que não tem a mínima importância, que está aqui para me ver, nada mais.
O sinal ficou verde, de seguir, e eu fui para mais uma noite ou quem sabe mais uma tentativa.
Relato
Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...
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Keane - They Way You Want It Espiei por que todo mundo faz isso. E eu acho hipocrisia quem diz que nunca deu uma olhadinha na vida de alguém...