quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Como dizer Eu te Amo.

The Cure - Friday I'm in Love.


"Fiz umas contas e o prazo de validade para o nosso laço é curto, infelizmente. Por que as coisas, do jeito que vão, me fizeram comprar um monte de refrigerante e me ver bem gorda, no meu sofá assistindo Truffaut, torcendo pra aparecer qualquer Doinel, que me pegue pelo pescoço, a força, e me ame, sem medo, sem noção e sem desgosto."



Quando eu vi seu braço quebrado, foi o que eu precisava para me aproximar. A gente não se conhecia direito, mas aquilo era o que menos importava. Acontecia uma coisa estranha quando te via por ali, no corredor, com a mochila meio de lado, em um ombro só, com aquele sorriso de quem eu sabia não ser o seu melhor, me olhando. Do jeito que eu imaginava, você estava sorrindo pra melhor passar, e usava o que tinha de infantil no seu rosto para mascarar as verdades. O complicado era que o seu sorriso não era como os outros, ele me afastava. Não por ser feio ou disforme, pelo contrário, era o mais legal e meio boquinha torta, e por isso mesmo me sentia tímida. Falavam que você tocava violão e eu fiquei logo curiosa por saber que tipo de repertório fazia seu estilo, meio converse, meio gola-polo, meio jeans desbotado, meio nada a ver, que eu gostava. Um dia, no intervalo, entre um sorriso e outro, passei por você e apanhei uma caneta, com a tampa toda mastigada, que tinha acabado de cair do seu bolso.

- Oi, desculpa, é que você deixou cair isso...
- Ah, valeu! Num liga pra essa tampa...ela é meio...é uma tampa, quem não morde a tampa da caneta?! xD (teu sorriso)

[Desse jeito, o máximo que eu poderia conseguir de você era um cordial boa tarde, um matinal bom dia, um gentil até mais.]


Me aproximei e, gentilmente, perguntei o que tinha acontecido com seu braço. Me senti meio pateta, olhei pra baixo, pensei em pedir licensa e sair, era o fim. Sentei do seu lado. Você me disse que "ontem, tentando tirar algumas caixas da parte de cima do guarda-roupas, escorregou da cadeira e é..." Até esse seu jeito de terminar as frases me deixavam tentada a rir. Eu ficava boba ao seu lado e interpretei isso como um péssimo sinal. Na contrariedade total das coisas, perguntei se podia escrever meu nome no gesso e ainda falei que seria a primeira. Você deixou e eu escrevi.

"queria todos os seus sorrisos pra mim..."

Você: não foi isso que te deixei escrever, mas...

Você segurou a minha mão, antes que eu pudesse terminar e...

"...e eu receio que são."

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