quinta-feira, 8 de setembro de 2011

do Pouco que Restou

"acontece que do pouco que restou não ficou o que realmente é o suficiente. se tivesse ficado pelo menos aquele caderninho colorido com o nome dos nossos filhos."


"Rua J. 233 23:43 - Sexta Feira"

Passei por aqui, olhei pela janela, estava tudo apagado, você devia estar dormindo ou saído para o cinema, como sempre faz nas sextas com seus amigos. Bem, eu queria desaparecer, mais por não saber como reagir a vontade de te roubar do cinema e passar essa noite em mais algumas daquelas nossas brigas que acabavam na cama. Tenho me deixado muito sozinha. Nunca tive a chance de mudar o tom da nossa despedida e, agora, que não preciso mais dela, quero tê-la. Queria ti dizer que voltei. Ainda moro no mesmo prédio, na mesma rua, no mesmo andar, uso as mesmas roupas, ainda sou sua. E estar aqui na frente do seu apartamento e não poder entrar, me fez entender que ir embora jamais seria mais difícil que pedir pra voltar, pra ficar, mesmo com a chave da sua porta no meu chaveiro. Deixei um presente dentro da sua gaveta, da segunda de cima pra baixo, era a única vazia, a única que coube, o único que soube ser meu e me fazer minha.


Esse dias a mamãe perguntou por você e eu disse que não nos falávamos e que eu tinha esquecido a receita de como te querer. Ela me abraçou e me fez vir até aqui pra te dizer:

"não há você sem mim e eu não existo sem você..."

me liga.

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