segunda-feira, 26 de setembro de 2011

500 dias sem ela

Kings of Convenience - Me in You


"Dobrei uma esquina só pra ser justo com minha parte que busca o improvável. Era uma maneira que eu tinha achado de me surpreender. Nem sempre funcionava, mas eu também não sou daqueles que deixa de lado as crenças por que elas parecem não existir. Então entrei naquela rua, na sua rua e eu vi você entrando com as malas. Você estava de volta."



Texto : Saudade

Eu acho que contei até os duzentos. Quando passou disso a matemática começou a não fazer sentido e eu tive que inventar a minha própria linha de tempo. Comecei a considerar um minuto igual a cada vez que pensava em você. Me arrependi no começo, por que cerca de 15 anos se passaram em uma tarde. Depois de uns 30 ou 35 anos, o intervalo entre uma lembrança e outra diminuíram, eu fui esquecendo de alguns fatos e deixando guardado aqueles em que a gente ficava no domingo de tarde na cozinha fazendo comida de gente gorda, os que dormíamos juntos assistindo How I meet your mother e aqueles que me fizeram entender o quanto faz falta lembrar dos filhos que tínhamos esquecido. Bom, pelo menos quando consegui chegar nos 400 anos, já estava velho demais pra considerar a possibilidade da vida, de Deus, ou de qualquer tipo de simpatia fajuta que te fizesse lembrar de mim. Foi melhor assim. Pude escolher como tema do meu trabalho de conclusão do curso de psicologia a matemática da saudade e o mecanismo que nos leva a associar quase tudo a uma emoção diferente, que não é amor, mas é algo próximo ao que eu chamo de 'eu e tudo que aconteceu'.

(EU)

Eu vinha meio distraído no corredor, com alguns livros e textos pra corrigir, quando você me chamou meio gritando, meio desafinando. Virei e você tava meio engasgada, meio ofegante. Me aproximei pra saber do que se tratava, se você queria me devolver alguma coisa que eu esqueci na sua casa ou se só queria me ver numa situação não muito boa. Você tinha esse talento, sabia me pegar de surpresa quando eu estava pensando 'se você aparecesse agora eu te diria que te odeio".

(VOCÊ)

Engraçado, nem um pouco comum, o mesmo violão desde os 12 anos, a mesma mania de não se pentear nas situações mais constrangedoras, o mesmo relógio com calculadora, o mesmo tênis que te dei, a mesma maneira de escrever saudade, com aquele tomzinho de que sabia que eu ia voltar. Você é uma figura que nunca lançam pra gente nunca conseguir completar o álbum. E tem um pouco de você dentro de mim.


Com o dia de hoje, perdi mais uma vez as contas de quanto deixei de ser aprovado no jornal por não mostrar meus melhores textos. E você sabe por que. Não quero e nem vou compartilhar com as pessoas o que vivemos. Mas você sabe onde me encontrar em cada palavra.

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