"No fim o que sempre resta são as coisas que dissemos, um punhado de enganos, um travesseiro pra abraçar."
Quando eu questionei pela primeira vez a possibilidade de nos separarmos, foi como um cometa que sempre prometia cair, daqueles que os astronomos sempre trazem pra mentir um apocalipse imediato, só que dessa vez foi diferente, ele explodiu nos meus joelhos. E eu, que era tão fácil de agradar, deixei de lado o meu desleixo com as suas rebeldias e racionalizações. Muito, muito longe de quem eu gostaria de ser estavam nossos eternos e constantes deslizes. Até queria ser o único, o par perfeito, mas de único e perfeito eu só tinha as letras E e U. Essas eram as letras que iniciam e são mais fortes no meu nome. Letras que trazem consigo alguns adjetivos interessantes para comparar o nosso estado, estragado ultimamente. Corria um risco enorme de puxar para mim certas culpas e assumir os meus e seus defeitos, já que sempre acreditei que a reciprocidade fizesse de quem somos o melhor ou o pior. De outra maneira eu não conseguiria conviver, sendo um meio termo. Acho que só queria um ou outro, não me importava com o médio, a metade, o medíocre, era bom o nada ou o tudo. Só sabia ser capaz de ter tudo, o nada nunca passou pela minha cabeça. Subindo as escadas, com os joelhos ainda doídos do esforço que fiz para levantar, depois de te pedir desculpas pela quinta vez na mesma tarde, percebi que imaginar essa dor para o dia que te pediria em casamento foi o maior erro que cometi ao te pedir para ficar comigo pra sempre. Só não sabia que eram meus joelhos que iam doer para sempre e não meu coração. (Perdoe-me mais uma vez por essa mentira)
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