domingo, 30 de outubro de 2011

Alô, hein!

Shine OST - Tell me a Story, Katherine ( sugestão: ponha para repetir, vale a pena)


"EU TE AMO COMO O TANTO DE PONTOS QUE TEM NUMA RETA....
e.. meu amor por vc so vai acabar quando duas retas paralelas se encontrarem.. XPPP~"


"Em linha reta era difícil de seguir devido à enebriante lembrança que nos fazia atropelar nossa eterna condição de amantes. As músicas, de tanto tocarem, machucaram o local exato do nosso amor e deixaram a torturante sensação de incurável. Tropeçar já não era um problema, o verdadeiro desafio era a estrada sinuosa do passo à passo diariamente. "


"Liguei os motores da minha mochila voadora e subi, fui pra cima, eu só queria olhar de cima, te ver do tamanho de uma formiga pra ver se conseguia acreditar que aquela falta, aquele doce, aquele jeito insolente de passar pela sua casa, na hora de ir treinar, podia se resumir, diminuir."


"Fiz quase tudo, arrumei a mesa, mudei os móveis, troquei as cortinas velhas por umas com um tom mais alegre. Eu queria deixar as tardes sacais, menos desconfortáveis. Cozinhei um jantar, preparei um doce de morango com açúcar suficiente pra adoçar alguns beijos. Fiz quase tudo, mas não fiz tudo. O que nos levou a um ponto crucial, onde eu tinha duas opções: ser perfeito ou começar a arrumar minhas malas e dar espaço para o próximo que ia tentar. Você era assim. Saudades."


Senti vontade e liguei para você no meio da noite, só queria me desculpar de tudo, sobre tudo. Claro, não devia ter demorado tanto, por que quando nos encontramos eu vi cacos, não conseguia mais te chamar pelo teu verdadeiro nome, aquele que só nós sabíamos. Você relutante, aceitou de mau gosto, afinal, depois desse tempo, você tinha entendido o que significava ficar sozinho. Quão torpe fui eu ao te pedir para não me ligar, não me procurar mais, por que eu estava com alguém e eu havia te dito que um dia isso ia acontecer, mas quão desonesto fui eu com meu próprio coração ao nunca mais tentar ficar com você, nos dias em que mais desejei ter você comigo. Eu fingi que não sentia sua falta por que já tinha quebrado tantas promessas, que não tinha mais cara para me desfazer da última, que se resumia a nunca mais pedir para voltar. Entre tantas dúvidas, cartas, desprezos que eu te fiz vivenciar, nenhum podia ser maior que aquele. Ele representava o meu profundo arrependimento que não tinha se calado. Naquela noite eu só quis um abraço, que você reconhecesse o meu desorgulho e o nosso amor, que eu não sei se acabou.

Lembro que você passou um tempo fora e quando voltou eu já estava tentando prosseguir. Mentira. Eu estava começando a forjar a maior camuflagem da minha vida. Você me ligou e disse que tinha trazido uns presentes, umas roupas, um boné. Eu, sempre muito curioso e tentando parecer forte, perguntei como estava. Notei em seu amoroso olhar, a dor que sentia em estarmos ali sem poder nos abraçar. Abri sua bolsa e vi uma cartinha, que me pedia além de desculpas um perdão e eu perdoei. Ah...eu te perdoei, como Deus tinha me ensinado, e eu sempre perdoaria até o fim, por que eu te amo.

"por favor, nunca mais me deixa...por que dói" Essa frase nunca fez tanto sentido, como quando você denovo foi embora.

Eu tinha que conseguir seguir, as custas do que eu não tinha muita certeza, mas eu precisava move on, como você falava, estudar, trabalhar, crescer, te deixar viver. E eu sacrifiquei com tanto talento a sua permanência, que não foram uma ou duas vezes que você me deu a chance de me arrepender por tudo aquilo que um dia lutou e eu não demonstrava nenhum interesse em lutar a mesma guerra. Mas pra quê? Oh, Deus, por que eu deveria lutar por alguém que não mais queria ficar comigo, a dor ia ser tamanha se ainda estivessemos próximos hoje e naquele tempo. Me pergunto se eu teria conseguido te deixar partir e se você teria conseguido ir.

Agora, calibrando alguns pneus velhos e sofridos, tento caminhar com essa intensa lembrança.
Ah, se eu pudesse me desfazer da dor, quem dera. Ninguém te substitui, viu? Ninguém.
Já tentei, já chorei, já quase tudo, e não dá, simplesmente não dá.

sábado, 29 de outubro de 2011

A despedida

Kings of Convenience - Stay out of Trouble



"Posso te dizer que eu tinha um bom motivo para deixar você sair assim sem explicação, mas como expectativa é um problema, mesmo quando se tem pouco, você não percebeu que o meu pingente no pescoço era seu anel de noivado e nem que toda aquela farsa no jantar, aquela briguinha, aquele ciúme, era uma tentativa de deixar o momento mais emocionante. Infelizmente eu não pude imaginar que você já estava pensando em desistir de tudo."





Cuba libre. Essa seria a próxima dose daquela amarga despedida de solteiro. Perder um amigo não é fácil, imagina dois dos melhores. Era mais próximo dela, admito, e o pior disso é que imaginava que sempre seríamos amantes, quando nada durante a semana desse certo. Aos 15 anos te conheci e o nosso lance não deu muito certo. Naquela época eu queria saber de ser Nirvana e de como chegar nesse tal de Nirvana, mas não queria drogas para alcançar esse estágio, por que eu repetia todas as vezes em que você estava na minha casa, que eu só chegaria nele usando você como passagem. A gente ria disso, se beijava um pouco, mas nunca se comprometia por mais de dois dias seguidos. Era legal e isso durou pouco mais de dois anos. Quando o vestibular chegou e você não passou, os dramas existenciais apareceram e eu vi o tamanho da diferença entre homens e mulheres. Tá bom, elas até amadurecem mais rápido quando se fala de relacionamentos, de estudos, quer dizer, elas acham que se comportar como mulher, com aqueles passos firmes muda alguma coisa. Daí, quando chegaram as primeiras derrotas, eu fui o primeiro para quem você ligou assumindo que eu estava certo quando falei que a vida é dura pra quem é mole. Eu podia até estar atrasado em boa parte das fases da minha vida, mas você não tinha nem começado a desfrutar do que era ser adulta. Eu não podia falar isso dessa maneira para você, então o que eu fiz foi te abraçar bem muito, ouvir tudo o que seu coração ansioso tinha para chorar e você me beijou pedindo para que eu nunca, jamais, fosse embora. Maldita hora em que eu prometi aquilo, sempre fui péssimo em desfazer minhas promessas. O tempo avançou e você conseguiu ser universitária junto comigo. Essa atmosfera muda muita gente que um dia foi humilde. Você mudou com muitas pessoas e quando tentou mudar comigo, puxei sua orelha, te joguei no meu sofá e te lembrei de como somos cúmplices e transparentes, até na sua ausência de marquinhas de praia. Era lindo te ver assim e só assim você lembrava quem éramos um para o outro. O vento vai levando a voz, o véu, o céu até que depois de tanta brincadeira o garoto cresce e julga bom para si mesmo ficar com uma única mulher, durante um período indeterminado de dias. Tentei não parecer apaixonado demais, falei sobre projetos, coisa que eu sempre discutia com você, que odiava a idéia que eu tinha de investir em jogos digitais, ou melhor, jogos nerdiais, como você os chamava. Só que eu falei de um jeito que você, não sei como, notou que era sério. Eu disse que você fazia parte da minha melhor parte, dos meus planos mais mirabolantes para fazer alguém feliz e que pretendia esquecer o seu último porre quando você ficou com um carinha completamente desconhecido e o chamava pelo meu nome, aos beijos, abraços e tentativas frustradas de tocar na sua bunda.
Nessa despedida, só posso desejar que seja a última, por que eu estou me dirigindo para um lugar mental bem longe da possibilidade de te receber, quando você enfrentar dificuldades nessa sua nova vida e me ligar, como antes, me pedindo colo e consolo. Só te peço uma coisa, dentre todas...se for voltar para mim, não bata na porta, arrombe, não me peça licensa, tome o seu lugar, por que somente você tem a força necessária para quebrar as correntes que me amarram e para não te amar agora.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Pseudo-Amores

Maroon 5 - Give A Little More


"Se você for esperta, limpará o histórico dessa nossa última conversa. Ela pode te causar um impacto epifânico, de que sempre e pra sempre fomos eu junto contigo, nesse mundão de voltas e mudanças. Foi só desligar a luz, num lugar longe de casa, pra perceber que essas paredes não ecoavam nossas longas conversas. Então apaga logo, antes que seja tarde demais e, mais uma vez, sua decisão de viver o momento conveniente seja tomada pela antiga necessidade de passar horas comigo no telefone."




Podia invadir um cruzamento frenético, uma arena de tourada, mas um tiro de raspão era o máximo que você ia conseguir ao tentar me deixar caído pela beleza. Eu não fazia esse estilo, de quem se perde por que não consegue te alcançar. Então, te deixei pensar que as circunstâncias eram propícias para você pisar e cuspir na última declaração sincera que eu tinha feito à alguém. Essa minha atitude não ia mudar nada na sua, mas eu estava no controle indireto da situação, apenas por hoje, conseguir controlar meus próprios anseios em relação ao seu rosto de menina esnobe que não sabe passar mais de um ano convivendo com sua amarga mentalidade de solteira. Bem que eu gostaria de crer que o tanto de livro sobre negócios e auto-ajuda visando o crescimento profissional podem mudar a sua temática hipócrita em relação ao Amor, mas assim como eu, quanto mais fotos, mais fortemente você destaca a superação da sua própria derrota. Risos à parte, estamos numa pior juntos, sempre pedindo e querendo que outras pessoas descubram por nós quem somos. Comprar sentimentos tem sido sua marca registrada nesses últimos anos, e quem pensa que você está indo bem, pode estar vivendo da mesma realidade.
Ah, desculpa se magoei, mas a malícia voltou ao meu cardápio e eu sei que isso vai dar uma volta, e estarei pronto para mais um round contra a sua conquista. Sou um cara de mentalidade plebéia em relação aos seus vulgos companheiros de cama, mas a nobreza do verdadeiro Amor ainda corre nas minhas veias e desse néctar, garota, você vai precisar de muito mais que um coração doce para me convencer que eu estou errado.


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Diz isso pra mim hoje

Cogumelo Plutão - Esperando na Janela



"Estava um pouco inseguro com isso, por que sabia que essa nossa relação ia destruir minhas bases sólidas de um cara que eu tinha inventado para evitar garotas como você. Aconteceu que nessa insegurança, nos seus olhos pequenos, nas suas constantes implicâncias e revelações que não haviam motivos para confiar em mim, mas ia aceitar o desafio de me apaixonar, fiquei sem reação e os cadeados dos desencantos, perderam a função magnífica de me tornar um canalha arrogante, me transformando num garotinho insolente, mimado, carente e perdidamente apaixonado. Se é que ainda sobrou alguma parte do meu eu misterioso, ele diz para você agora ter cuidado, por que estampado no meu coração tinha escrito 'Extremamente Delicado'."



Como eu tinha pouco tempo e precisava desbravar um vasto conteúdo pra te dizer o que aquilo tudo significava pra mim, o quanto eu era estúpido em sentir aquilo por você, que eu nem conhecia, e que muito provavelmente tinha muitos defeitos dos quais eu, com toda certeza, iria reprovar, tive que conseguir forçadamente ser claro e objetivo. Respirei fundo e disse que não era uma questão de beleza, por que você nem era tão bela assim. Seu nariz era muito parecido com o da sua mãe, o que me dava uma sensação de achar minha pseudo-sogra belíssima, e que muito menos era uma fantasia infantil que eu tinha com meninas-mulheres, não. Isso tudo era por que eu tinha me perdido quando o seu sorriso me fez tímido e me levou à um ponto crucial da minha vida; se eu iria permanecer cativo às minhas paixões ou se iria enfrentar meu gosto pelas frenéticas derrotas e aceitar os fatos, eu queria te conhecer e seria feliz se você me aceitasse por um dia inteiro pra nunca mais.
Quando dei por mim, estava ali com você me perguntando por que eu sentia isso, e atônito fui o mais sincero possível, seguro de que a verdade e minha sinceridade pudessem me conduzir até seu coração. Que tolo fui eu que pensei que sua existência era a tradução de alguma coisa boa que eu ainda tinha guardada. Acreditei plenamente que depois de tanta dor e tentativas frustradas, e redondamente enganadas, sua vida te cobrasse por alguém que pudesse te fazer um pouco mais brilhante em tantos aspectos. Só assim eu eu pude enxergar que o melhor nunca vem para quem o deseja, muito menos para quem merece, e chamo de sortudo aqueles que recebem esse tal de melhor que tanto falam, por que pra mim o melhor nunca foi um indivíduo do meu lado, ou um amor. O melhor para mim se demonstrou ser o que era certo e você infelizmente não era o certo para mim, mesmo que somente o seu sorriso, os seus lábios, o seu cabelo lisinho de lado, fossem as maiores flechas fincadas nesse alvo. No momento que eu reconheci o valor do certo para mim, decidi que precisava de uma escada pra te ver de cima e deixar essa crença idiota que somente com seu verbo eu podia ser um cara melhor. Afinal, com um milhão de defeitos, o meu melhor eu já era, só faltava você esquecer essa história de doce e descobrir o seu melhor do meu lado.

sábado, 22 de outubro de 2011

O tempo parou

John Mayer - Neon

"Cabelos pretos, partidos de lado, franja talvez, mas o rosto deve ter sorriso, digo alegria, o olhar não gosto fatal, mas deve me cortar entre atençao e distração, sendo escuros melhor ainda, combina com a pele branca, com um tom suavemente rosado, sardas ou não, não me importam, sentir o seu cheiro me toca, então cheire bem, e de um abraço, só de um abraço, me protega, me proíba, me amasse, me incite, enfim, só você sabe com ser minha. Ah, e mais uma coisa, não goste de sair, prefira chegar."



Vá direto ao ponto. Ok. Você é a companheira ideal de um Chateau, para uma conversa fiada e para uma boa noite de travessuras noturnas. Eu tinha que ir direto ao ponto e me desculpe, não sou muito bom em saborear as bordas da sua conquista. Já era suficiente assumir que sua saia preta, seus tornozelos gordinhos e seu sorriso sapeca, faziam minha cabeça, sendo assim, não podia adicionar mais fingimentos ao meu interesse. Te conhecer ia levar muito tempo, anos, e talvez a nossa mágica tropeçasse na mesmice. Estava pronto para todo tipo de reação depois do que falei e, estonteantemente, seu rosto virou de lado, ficou meio vidrada, baixou a cabeça, percebi sua lingua movendo a parte interna das suas bochechas num sinal de 'eu não acredito' e proferidas as palavras mais doces que entraram num conceito amargo de amar, você disse tudo bem, vamos lá, hoje eu tomo qualquer vinho contigo. Dentro das expectativas possíveis, esse era o meu jeito meigo de dizer que tinha gostado muito de você e que onde quer que andasse meu juízo, não tinha mais o interesse em alimentá-lo de falsas virtudes, já que eu queria era uma oportunidade, só uma de trocar todos os meus perfumes de marca pelo seu cheiro de banho, todo dia.

Por quanto tempo isso ia durar era impossível calcular e esse descontrole podia nos levar a um perigoso ponto da relação, um costume radical de querer repetir, sempre que conveniente, esse trunfo, meu e seu, de se entregar torpemente em curvas, velocidades, highlights e absurdos.
Que era interessante não há dúvidas, mas até que ponto isso era bom para nossa relação social era indefinido. Um homem precisa de amigos e eu já estava deixando de lado boa parte dos convites comuns de futebol, cervejadas e mulheres que me faziam testar meus humildes dotes. Uma mulher precisa de salões de beleza, de lojas, de fofocas e você já estava trocando muitas notas por respostas da sua secretária eletrônica que sutilmente passou a dizer 'Oi, no momento estou ocupada fazendo da minha medíocre existência uma coisa fantástica para outro alguém. Por favor, se quiser deixar recado fique à vontade, mas faça isso depois dessa frase: Me Esquece!'
Calma lá, tem hora pra tudo, até pra parar e recompor parte da sua dignidade, por que toda ela você nunca vai conseguir ter novamente. Infelizmente ainda temos com quem contar numa hora dessas e o bom e velho espelho no banheiro nos deixa encarar a realidade. E a realidade era essa, eu estava apaixonado e a confusão era causada pela maneira como você, de lado, com o rosto em fios de cabelos simetricamente arranjados pra te deixar mais bonita, me olhava perguntando que horas a gente ia levantar pra tomar café. Uma hora eu estava sonhando com a espetacular possibilidade de ir direto ao ponto com alguém e deixar acontecer mais um fracasso, e na outra abria os olhos com você ali, fazendo parte dos meus travesseiros e lençol, como se a casa já não fosse mais minha. E ela não mais seria.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Mas você não ouve

The Cure - There Is No If

"A sua chegada era certa, mas nesse contexto não se aplicava o conceito do perdão gratuito, você queria mais que minha decisão rebelde, exigia uma fuga incondicional que implicava não só no fim do nosso explosivo amor, mas também na queima total de todas as esperanças que existiam para nossa vida. Era tão intensamente difícil ficar longe de você, que acabamos permanecendo ali, estudando uma melhor maneira de contornar o que já era um retorno. Tardiamente percebemos que não podíamos confiar nos 'ses' das escolhas, senão acabaríamos reféns dos arrependimentos. Assim como estou agora."



Eu sei que tem sido inútil tentar uma aproximação, ainda mais no dia dos namorados, e entre tantos desapegos e reapegos, ficaram certas marquinhas, ou melhor, ficaram marcas e eu não quero fazer pouco delas. É que me dá medo, sabe. Não são só algumas lembranças que me atacam diante de lugares em comum, são também os lugares. Se eu pudesse compraria esses lugares e mandaria derrubá-los, mas sem a menor praticidade, por que eu ainda gosto de pizza de sonho de valsa com pastel misto, ainda como com frequência naquele rodízio de gordice nas datas de comemoração e com avidez viro o rosto para toda placa de honda que passa por aí. Ah, tenha paciência comigo. Nem tudo foi um mar de rosas e se eu puder enunciar os piores momentos, garanto que eles superam de maneira catastrófica os melhores, mas eu não quero acreditar nisso. E não é uma questão de acreditar, é uma questão simples de "não há um sempre para sempre" e não podia ser diferente. Se é que serve de consolo para mim, resguardo o meu amor escrito nos papéis que você ousou me devolver, e que agora são fantasmas nos meu quarto. Ali estão todos os lugares sentimentais, que são os melhores sentimentos que já guardei por alguém. Verdade, saudade é quando a gente sente algo atrasado, e se não há essa tal de saudade da sua parte, é por que o sentimento ou não existiu ou você já sentiu tudo que era para sentir. Tudo bem, não se preocupe, por que quando voltar estarão os tênis, os recados, as cartas, as caixas, os presentes e o antigo eu, todos dentro de um porão trancafiados. É que felizmente você levou a chave, e eu, na inútil tentativa de me aproximar para me libertar, fui realisticamente impedido. Embora exista alguma chance de você vir para nunca mais voltar, eu prefiro acreditar nessa mentira de que tudo que você desejou tenha se realizado e que no mar de rosas dessa distância, não há mais espaço para um velho amigo. Se é que ainda posso me chamar assim.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tarde demais pra não te amar.

John Mayer - Back to You


"Você disse mil coisas, até que a vida era plástica demais ao meu lado. calei-me, baixei a cabeça em sinal de concordância, juntei minhas tralhas, como você tinha costume de se referir aos meus livros e filmes, e sai. Alguns meses depois, quando minha ocupação não mais se resumia à organizar a bagunça que você tinha deixado, o correio me chega com uma carta sua. Ironia ou não, você me pedia para voltar e acontece com todo mundo assim. A palavra camufla o que a gente precisa, de verdade, fazer pra merecer uma nova chance; Não ter orgulho, encarar o olho no olho. Covarde."



Então eu acordei e, nas minhas mensagens, já tinha uma sua dizendo como ia a viagem à Europa e como a paisagem combinava com a minha conturbada psiquê. Você dizia ser possível me ouvir comentando sobre a formação da arquitetura, sobre as colunas em Roma, os detalhes de Vermer, as cores de Dalí, e eu, nesse distanciamento, só respondia coisas imparciais, claro que na tentativa monossilábica de te fazer perceber que se não havia sentindo visitar esses países sem minha companhia, por aqui é que não tinha espaço para sua falta. Era na hora em que minha vista ainda estava embaçada, pela manhã, que você mais gostava de me lembrar que eu não podia te esquecer e eu te pedia perdão, mas precisava superar pelo menos a saudade que tinha de voltar pra casa com aquele cheiro de cabelos, 212 vip, no meu pescoço. Era tarde, quase 9:00a.m. e levantar era a última opção saudável para mim. Precisava reagir e contornar a cama, a sua falta e chegar até o banheiro, onde só o espelho poderia revelar a realidade grotesca de uma barba de 3 meses por conta de um quase amor. Isso não me deixava fraco ou sequer desmotivado, mas me deixava feio.

Você voltou...


Fiquei uns dias de molho até receber na minha inbox uma mensagem sua que pedia meu telefone e eu me perguntei o que você queria me mantendo na sua agenda. Mandei meu número por um único motivo. Não te dar razões para me questionar sobre isso. Marcamos de nos ver depois do último texto que te mandei e você, com sua altiva postura de mulher comprometida, me falou que eu não devia por um ponto final nisso, por que me via como uma janela aberta e, poxa vida, me comparar a uma janela aberta ao mesmo tempo que ignora minha presença é uma agulhada no meu orgulho. Desse-me um beijo como prova de que eu poderia torcer pelo fracasso do seu novo relacionamento à distância. A sua falta de atitude e a minha temerozidade pelos eventos futuros me deixaram sem o que falar diante daquilo, e por mais que eu quisesse trocar algumas acusações e até culpar você pela minha falta de pegada, não havia o que fazer. A nossa hora já tinha passado e tanto eu, como você, tínhamos que nos despedir.

O que deve estar passando pela sua cabeça agora, é que se eu estivesse aí você me beijaria. Acontece que no mundo secreto da nossa mente tudo é possível e muito provavelmente estamos borrando alguns batons agora, mas no mundo real, aquele em que eu seria capaz de realizar os segredos da nossa fantasia, você não seria capaz de dizer vem, vem agora, por que essa chance e esse segredo, daqui a quinze minutos expiram e não vou ter coragem pra te dar.

Olha, pare de trocar mensagens comigo, mas antes, pare de fingir que qualquer coisa à distância é melhor que aquela nossa contida proximidade, aquelas pernas enroscadas, aquele olhar, aquela vontade. Pare de me fazer de bobo, por favor, nesse momento, pare de me mandar a mesma mensagens repetidas vezes, por que eu não vou até aí, não vou te beijar e muito menos te chamar de minha, por que eu não saberia te dizer que sou seu.



Inbox: 1 mensagem não lida.


2:13 a.m.
"vem. ps.: me bina quando estiver subindo."


Você me chamou de chantagista quando cheguei, mas era a pura e transparente verdade, ambos queríamos aquilo e eu, você sempre soube, era o melhor em tornar pequenos momentos com você em maravilhosos arrependimentos. Saudade serve pra isso.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Tá tudo errado.

John Mayer - Half of My Heart

Vamos acabar com alguns dogmas ligados ao romance agora. Primeiro, a pessoa certa não te encontra ou vice-versa. Isso não é filme ou novela, onde topar numa lata de lixo te faz trombar com um flanelinha e ele ser o cara da sua vida. A pessoa certa não está sofrendo e esperando outro coração sofredor para completá-la. Isso não é Orgulho e Preconceito, onde grandes amores ficam contidos, isso é a vida, meu amor, e você não vai ter o que tanto ama se ficar sentado horas e horas escrevendo como eu. Ser interessante nem sempre te ajuda, por que o fato é que as pessoas até se atraem por pessoas interessantes, mas de perto todo mundo é estranho, então é necessário não só parecer ser interessante, você precisa ser um pouco de cada, ter metade de um coração vazio alguns dias e ser meio nojeto em outro. O romance não começa numa declaração de amor, talvez ele nem comece com as semelhanças, ainda mais, é possível que ele nem seja uma expectativa na vida das partes. Em historinhas, a imaginação faz parte de um trecho mínimo das relações amorosas. São só fatos, ações e realizações. Na vida, meu amigo(a), sua imaginação te leva a crer no que não existe e agir de acordo com o que você acha que entende do próximo. Não seja tão ávido para julgar o sentimento do próximo. Você não sabe nem o que sente pelas pessoas, quanto mais o que as outras pessoas sentem por você. Aos 50 anos, você talvez tenha experiência pra falar de amor com alguém, mas hoje, o que você e eu sabemos sobre isso é um pequeno resquício do que nossas boas e más experiências nos deixaram. O amor dói, faz sofrer e é bom, no contexto geral. Vale lembrar também, que a gente faz tudo de acordo com nosso espaço amostral, então é possível que você esteja amando alguém não tão bom, na falta de alguém melhor. Mude seu espaço, olhe para os lados, ouça outras músicas, sem mudar a essência, claro. É óbvio que quando esse grande amor e romance chegarem, você vai interpretar as coisas com a maior doçura e atenção, entretanto é bom estar vivo para as verdades por trás da sensações. Se alguém te faz bem não é por que esse alguém é perfeito ou a melhor pessoa do mundo, é pelo simples fato de você estar com o coração aberto para sentir-se bem ao lado de alguém. De verdade, o maior dogma do amor é que ele já vem de fábrica e que a gente tem os nossos TIPOS, pessoas que vamos com a cara ou não. Eu desacredito nisso. Acredito sim, que meu gosto visual influencie nas minhas escolhas relacionamentais, mas no amor, o de menos é esse tal de gosto que ninguém gosta de discutir. No amor o que importa é o compromisso com a relação e como a pessoa consegue te admirar e se fazer admirar durante o tempo de convivência. até um mendigo letrado pode te dar bons conselhos, mas um olhar cuidadoso, um abraço afagador, só quem te ama pode te dar, e te dá de graça. Quem te ama, te ama e pronto, sem meios de prova, sem testes, sem você pedir. Se não se sente amado, provavelmente você não ama. O amor nem sempre é recíproco, acredite em mim. Então, entre você sair por aí, achando que sua realidade é tosca e que seria legal ter alguém pra passar o domingo com você, olhe primeiro pra sua própria vida e se ela condiz com o que quer. Se o seu coração está pronto pra amar e para ser amado. É tudo uma questão de suplementação.

Óculos, Sardas e o Amor

Coldplay - The World Turned Upside Down

"É...ninguém sabe disso, mas eu queria entender por que você não me ouve. Você passa horas conversando comigo e dizendo X e Y sobre tanta coisa, mas não ouve quando eu te chamo de boba de um jeito meio bossa nova, repetindo os clichês, e assumo diante dos textos que te mando, que te amo."




Saí cedo pra tentar encontrar um óculos que combinasse com minha cara desfalecida de ressaca da noite de ontem. Na verdade, eu já precisava cobrir meus olhos, que não paravam de chamar a atenção de quem eu queria que percebesse, que por trás dos meus olhos há alguém e, nessa totalidade das coisas, não era alguém tão interessante assim. Entrei na primeira loja de lupas transadas e hypes e você estava ali, diante de mim, provando uns modelos Yoko Ono, que assumiam sua vontade por um amor estilo John Lennon, e como essa foi a pior observação feita por mim, devido ao efeito ainda presente do álcool, aproveitei a falta de inibição do etanol ainda enebriando minhas razões, me aproximei e disse Look at Me, deixe-me ver se os seus olhinhos puxados combinam com meus cabelos, óculos e nariz compridos. Essa simplicidade e honestidade nas palavras fez você, de cara, me falar que não estava interessada e que tinha namorado. Como eu era guerreiro e já me assumia um verdadeiro militante da paz, pedi licensa, me dirigi ao outro lado da loja. Então, comecei minha caçada por algo que não teria a mesma escolha que você. Um óculos não poderia dizer não, no máximo não combinaria com meu rosto, mas você combinava e, meu rosto que me perdoe, mas não havia sentido, depois de te ver, em permanecer sendo metade de um inteiro que acabava de ocorrer ao te ver. Virei e fui na sua direção, com aquele ressentimento, aquela angústia de quem se apaixona à primeira vista pela pessoa errada, com mais certezas do não, do que dúvidas do sim.

Olha, garota que eu não sei por onde começar, você começou a nossa história de amor pelo caminho que eu mais odeio, sabia. Admito que minha cantadinha foi nada atraente, mas do que adianta uma mega cantada, falando de qualidades que só posso reconhecer, inicialmente, por seus olhos apertadinhos, seus passos escolhidos, a carência das suas mãos por um rosto de olhos fechados num carinho, se eu não sei se realmente faz sentido isso que passa pelo minha dor de cabeça? E eu poderia levar uns meses pra fazer desse nosso primeiro encontro, aqui nessa loja, diante dessa situação, em algo realmente marcante, onde você diria para todas as suas amigas e amigos, como nos conhecemos e como fui um cara legal, na hora de escolher o óculos que fez você ser a ruivinha mais abordada pela moldura que essa armação fez nas suas sardinhas. Por que, não posso dizer, mas falar de coisas assim, de molduras, como disse antes, de detalhes que te enfeitam, de lacinhos no cabelo, de trancinhas, não me interessam, por que eu queria, daqui há uns meses, dizer como a sua presença mudou a simples escolha de um óculos na minha vida e de como as suas razões pra não me conhecer, hoje, mudou radicalmente a minha peculiar forma de escrever. Então não me vem com essa de que tem namorado, de que sua vida está completamente resolvida. Sabemos, eu e você, que está bem difícil encontrar dispostos aos opostos e que você não tem namorado nenhum e, se tiver, desculpe a sinceridade, ele está desprezando a possibilidade de um cara como eu te abordar numa loja, te chamar para tomar um café e você dizer sim, conversar sobre a tosca cantada, descobrir que somos apaixonados pelas mesmas palavras surpreendes e, no final do dia, depois que partirmos, discutir relação com uma pessoa que só quer trocar fluidos, achando que isso é viver em casal. Desculpa, mas devido às circunstâncias e a minha recente noite de farra, meus sentidos podem estar me confundindo sobre você, mas meu coração não pode estar enganado. Em todos os cantos do meu corpo, milhões de células tremem e você pensa que é por que estou meio bêbado, mas não, estou afim de você mesmo. Vamos tomar um café?

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Fale a minha lingua.

Sondre Lerche - I Cannot Let you Go


"Se o mundo fosse grande mesmo como dizem, e se ele desse voltas como também afirmam, você não teria ido sem querer ao mesmo bazar que eu e, muito menos, feito questão da mesma jaqueta e luvas. Quer dizer, não importa o giro ou o tamanho. Nada, absolutamente nada muda tanto assim como você pensa. Então, ignora o tempo e me beija, sem pensar no depois."




Você não era o tipo de cara que eu queria, quer dizer, você era a expressão física do que eu desejava pra várias formas de noites, mas não tinha aquela pegada, entende. Simplesmente, de forma disfarçada, te dava sinal por sinal, que queria só fingir ser desejada e amada, mas os seus negativismos, freios, interpretações psicológicas, faziam os meus freios ativarem. E toda vida era assim, esquentava, 10 minutos depois eu te queria a quilômetros de distância. Sonhava tanto com você, queria tanto que fosse do meu jeito, pra que eu te desse tudo do teu jeito, que eu me afastava pra não perder a chance de, no mínimo, te ver. Não podia deixar você ir embora de qualquer jeito, isso eu não podia. Outra noite saímos, conversamos sobre muitas matérias e a sua preferida era como eu tinha um jeito suave de beijar o seu pescoço, e de como eu reagia de maneira derretida aos seus suspiros no meu. Nesse exato momento, entre todas as questões que envolvem meu envolvimento com você, já me perdi em decidir se ia desistir ou não. Ah, já tinha escolhido que o próximo homem a me arruinar era você e eu não ia me privar do esforço pra sentir isso. Quis fazer tratos, até cheguei a expor o meu estilo, a minha conquista, as minhas ânsias, mas você, estupidamente cego, me deixou de lado. Que babaca. O complicado era que eu adorava ficar de lado, por que eu sabia que cedo ou tarde você ia me surpreender com uma mensagem e estourar minha paciência dizendo 'sentiu minha falta?'. Como eu era boba por você e como você mentia bem pra me ter. Entendo que existam sim algumas complicações e outras feridas que ainda não fecharam, para que deixe de fingir eu não sou algo novo na sua vida, porém, sem rodeios, você pode parar de tornar tudo isso num carrossel infantil, uma roda gigante, uma foda instigante e cair na real? Só quero estar sozinha com você por alguns cantos, quartos, cômodos, móveis, tardes, tá bom vai, eu quero você pra mim, me pede em namoro, idiotão que eu amo?

sábado, 8 de outubro de 2011

Sábado do trote.

John Mayer - Come When I Call

"Minha intenção com essa visita era puramente sexual, ou melhor carnalmente sexual. A parte da pureza envolvia outra sequência de ilusões que eu iria criar, pra deixar você mais confortável com a idéia de fingir pra mim também. Essa era a melhor coisa na gente. Era perfeitamente possível mentir mutuamente, racionalmente, emocionalmente e ainda assim, depois do fim, não sentir a saudade ridícula que eu sentia de você."



Eu não imaginei que fosse começar daquele jeito, um telefonema errado, um vozinha de menininha doce, uma história de que você estava passando trote pra um amigo gay, uma zoação da possibilidade de eu ser gay também, aquele papo de destino, aquele papo sedutor que homem nunca domina ao telefone, um momento de sinceridade extrema de confirmar que a sua sede por um homem na sua cama se fazia presente naquela ligação. Enfim, seu número era confidencial até eu perguntar se você toparia me dá-lo e você me deu, não só o número. Se fosse mágico eu estaria escrevendo sobre a mágica das suas pernas, mas a verdade não pode ser escondida e de mágico você não tinha nada, a coisa era real mesmo. Até cheguei a te propor em casamento, tudo pra conseguir aquilo denovo, mas cá entre nós, isso não precisava ser pedido ou oferecido, a gente ia deixar do jeito que estava. Ótimo. Eu podia continuar minha carreira de mazela aos sábados à noite, por que ela estava me rendendo e você, querida, ah você foi maravilhosamente descartável na mesma intensidade que se referiu a mim. Queria deixar registrado aqui que você esqueceu seu top de baixo do meu travesseiro e eu estou usando ele pra atrair outra fada dos seios, por que seus dentes eu dispenso, marcaram toda a minha barriga. Não faça mais isso! É sexy, mas dói. Eu não estou apto pra fazer qualquer tipo de julgamento sobre a sua performance, quem sou eu pra tentar descrever seus gemidos e mudanças suaves de caras e bocas, mas dá próxima vez eu prometo que não te chamo de pirralha. Qual sua idade mesmo? Quer dizer, qual o seu nome, primeiramente? Enfim, se isso importasse pra você, teria sido a primeiro coisa a dizer e não 'cheguei pra ti'. Se todas fossem iguais a você, Tom e Vinícius não teriam tido o trabalho de compor uma música pra si mesmos, por ter certeza. Agora, uma coisa me deixou curioso, tava tudo muito bom mesmo ou você costuma explodir celulares nas paredes das casas de desconhecidos? Pronto, era só isso que tinha pra dizer por aqui. Até mais e vê se erra e me liga denovo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Fotografias suas sem você

Kings of Convenience - 24-25
"Tentar fugir foi uma atitude sem pensar, admito, mas também foi muito corajoso, da sua parte, segurar meu braço pra que eu não fosse assim sem rumo. Você sabia, que de certa forma, eu não iria saber encontrar um caminho sozinha. Obrigada, por isso. Se eu me mandei, fui embora, não significa que uma parede subiu entre quem eu sou e em quem você me transformou. Grande parte do que sou hoje, é uma parte do que você vivenciou comigo. A gente acabou caindo num ciclo vicioso que nenhum casal deveria cair, e eu também tenho medo de entrar em certos lugares, por isso me mudei. A cidade em si já me assombrava e topar com você por aí poderia me deixar zonza, perdida, sem chão, querendo te ter, e eu até queria. Você também precisava seguir, eu não era mais aquela guriazinha que costumava chorar por problemas familiares, agora eu chorava por problemas financeiros. Eu tinha mudado o foco, mas continuava tímida, carente e descrente que você iria mudar. Qualquer dia a gente senta e conversa, mas hoje não. Hoje, eu te deixo essa carta que te pede de todo coração, que me deixe ir, não me segure, não me impeça, por que olhar pra você é simplesmente comovente e eu vou querer ficar pra te magoar mais uma vez."




Espero que você tenha gostado das fotografias que te mandei por e-mail e com esse são 17 que eu mando sem resposta. Espero também que o seu desinteresse em responder não seja de fato um desinteresse, mas uma impossibilidade. Prefiro acreditar que você está sem acesso à internet do que encarar os fatos, você nem abre mais a nossa antiga caixa de mensagens. Uma coisa eu ainda gosto nisso tudo, a senha não mudou, o que me conforma ao pensar que temos uma parte de nós intacta. Sabe o que seria realmente legal, se você me mandasse fotos completando as poses que eu fiz nas minhas, como se num abraço, num banco sentada, na beira da praia ao meu lado. É só uma imaginação tola, tão ironicamente infantil, que eu resolvi entrar no papel de imbecil e comprar um maço de cigarros e fumar muito, torcendo pra Deus, num ato heróico, me mandar você pra minha salvação. Entre tantas almas boas por aí, por que Deus iria se ocupar com a minha que já está tranquila. Junto com as fotografias vão indicações de músicas que podem ou não fazer o efeito desejado. Tem hora que desejo que você, ao ler isso, vá sutilmente até seu novo quarto, ponha roupa por roupa numa mala, abarrote de explicações ridículas ( que não vão convencer nem uma mula manca ) o seu novo namorado, peça com licensa gentilmente, chame um táxi, respire fundo e embarque nesse mais novo meio de se/me magoar e volte, por que você chegou num ponto em que não sabe viver sem as nossas mágoas e sem a qualidade das nossas complicações. Eu não sou idiota, posso ser criança, mas não um completo sonhador. Já que você não faz isso, me conforto em escrever aqui sobre o que seria legal de acontecer, pois quase nunca você teve a capacidade de pensar nisso sozinha e executar comigo. É o fim, eu fico por aqui, sem esperar sequer resposta e você por aí, sem saber que eu estou fazendo exatamente o que você sempre me pediu, pra te encontrar no matter how.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A menina da pele de veneno.

Nouvelle Vague - This Is Not A Love Song

"Modéstia à parte, não faço muito o tipo que discute pra ter o que não vai conseguir. Te ofereço a oportunidade de praticar algum tipo de aventura comigo e se você diz não, quem perde é você, não por que sou o par perfeito pra uma noite de amor, mas por que do jeito que eu sou, garoto, o mais próximo que você vai conseguir é um petit gateau ou um brownie. Por que eu, eu te faço acreditar naquela hora que não existe nada melhor no mundo que você e cá entre nós, isso é tudo que você precisa pra hoje."




Funcionava como um interruptor. Sempre que a gente tava perto uma coisa ligava ou desligava. Bastava passar do lado, nosso olhar se cruzar, um beijo no rosto, aquele cheiro do seu cabelo no meu pescoço, aquela pegada firme. Ah, você é assim, um pecado que eu não podia cometer, mas sempre que eu me perdia era a primeira coisa que eu fazia. Não sei bem como isso começou, mas acho que foi depois de umas doses daquela tequila maluca, que eu comecei a falar sem parar sobre a chance que eu tinha com um cara que passava na esquina. A conversa não era bem sobre o cara, era mais pra saber como você ia se comportar diante daquilo. Desculpa, mas eu notei que você estava entrando no jogo e então eu forcei um gol contra. Eu tenho dessas coisas. Não era uma grande e sábia decisão deixar acontecer aquilo, mas eu queria de uma maneira diferente com você. Zero de envolvimento, zero de compromisso, zero à esquerda, zero à escanteio, eu só queria os ruídos noturnos de uma boa e inesquecível .. eu precisava parar de pensar nisso. Era o terceiro dia seguido que me pegava pensando nisso durante minhas aulas à noite. Eu desejava chegar em casa e seu carro estar estacionado na minha porta, como um convite audacioso em que eu diria não, quando tudo que eu queria era sim e agora. O quarto dia não foi diferente do terceiro e como não tinha mais como suportar aquela sede, me dirigi à chopperia mais próxima, liguei para algumas amigas e falei mal de todos os homens possíveis. Reclamei dos tamanhos, dos jeitos, dos cheiros, dos gostos, das mentiras, das verdades e primordialmente reclamei da falta de percepção do meu colega de sala. Se ele fosse um pouco mais atento teria aproveitado o fim da última aula, fechado a porta e .. pronto, parei. Questão em questão, em fatos, nunca tínhamos nos falado, eu não sabia seu nome, isso nunca ia acontecer, por que? Por que eu sou um protótipo de mulherzinha que não sabe seguir os seus impulsos e isso me leva a um ponto crucial da minha frígida existência, só gosto de coisas assim, sem precisar pedir perdão.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Nowhere for Nobody

Jeff Buckely - Forget Her


"achei que controlava algum tipo mudança climática com o meu humor, mas os fatos sempre me desmentiam. Os meus sorrisos eram em dias de chuva e minhas dores em dias de sol. Olhava para os outros rostos, para as outras pessoas cheias de segredos e reconhecia que eram elas quem dominavam essa arte de adaptar seus humores e mau-humores aos ventos. eu, ao contrário delas, estava sintonizado de outra maneira, com o seu coração..."

Sem essa. Você sabia que ver aquele filme comigo ia te levar a essa epifania. Sabe o que foi, é que você, na sua eterna sabedoria, na sua controversa realidade, cheia de razões para quase tudo nessa existência ínfima, escolheu a mim como bode espiatório para todos os seus deslizes. Eu torcia por tantos momentos como esse, que agora que um deles chegou e você finalmente percebeu a sua capacidade genial de encontrar defeitos, em me pedir pra ir na manicure toda semana, mudar o tecido dos meus kimonos, a colcha da minha cama, me sinto até bem em ter encontrado o roteiro perfeito para esse desfecho. Ah, sem essa. Não me venha com essa de que eu estou exagerando, que você está sozinha faz tempo, que eu não faço nada por você (ou melhor que eu não faço mais, por que até nisso você é mestre...conduz as palavras para parecer que você não está colocando as coisas num patamar inexistente e que algumas vezes eu fiz coisas por você). A questão não é se eu fiz ou não, se eu sou ou não, se hoje eu gosto ou não de você, a questão é que devido às enormes demonstrações de desafeto e desapego da sua parte, eu ainda te amo, e estaria disposto a, mais uma vez, por uma pedra, um monólito de mármore, uma estátua em cima de tudo isso. Uma daquelas que tem uma placa de metal com os escritos 'aqui jaz a última chance que te dei'. Olha só, as vezes parecia que era um improviso, até que chegou um ponto em que você começou a tratar como fácil demais o que não tinha preço. Pode dizer que estou usando palavras de outras pessoas. Se você sabe de quem é essa citação, você também sabe que agora estou acostumado com essa estrada errada e não trocaria ela por mais uma tentativa frustada. Antes mesmo de pensar em tentar, você já me olhava de um jeito sem jeito. Então, me deixa e vê se aproveita essa deixa para emagrecer, já que nem isso você conseguia fazer por mim. Um beijo, um abraço, um deslize, um flashback, tanto faz, mas não me diga que me ama, por que eu sou fácil e acredito em qualquer mentira que você me disser.

domingo, 2 de outubro de 2011

das 21 as 23

"todas as tentativas de relacionar o amor com algum tipo de momento ou música, foram em vão, acontece que a música e o momento se encaixam com os sentimentos. e outra, você também busca por coisas que te deixem mais envolvido com aquilo tudo. é uma questão de onde tudo começa, onde você se segura e o que usa pra marcar. e a verdade é que quem me marca é você."



Passei a noite toda virando de um lado para o outro da cama, parecia que por maior que fosse meu cobertor, meus travesseiros, nada podia me deixar mais confortável do que ouvir sua voz. Sendo assim, liguei pra você. O telefone cansou de emitir aquele som repetitivo que já se confundia com o meu coração apressado em te contar como foi o final de semana. Não consegui contato, sempre acabava indo pra caixa postal. Me levantei, fui até a geladeira e aquela tortinha me lembrou você e como seu nome estranho fazia sentido em todas as minhas receitas de doces. Você não sabe, mas já vem segurando algumas pontas por mim, como uma pedra. Não posso te contar com todas as letras o que se passa quando peço pra te ver e você aceita, mas posso te dizer que não vou deixar de te pedir até, da sua voz, sair vem pra mim.

sábado, 1 de outubro de 2011

Dizer adeus não basta.

The Cure - Desintegration


"Sinceramente não sei por que você veio até aqui me dar aquele abraço. Eu preferia que você tivesse trocado um email, uma mensagem, mandado uma carta, ou até mais impessoal, me enviado um telegrama, um recado, mas um abraço foi a maior afronta ao meu momento sou idiota, mas nem tanto. Achei que tivesse ficado claro quando disse que não queria mais nada seu, nem meus abraços."

Uma coisa não justifica a outra. Um momento, uma pessoa, uma sensação, um problema, nada pode te dar o direito de usar a minha existência como boa química pra te ajudar a se reerguer. Eu não te dei o direito de lembrar de mim ou fazer parte da minha vida pra que a sua voltasse a fazer sentido. Então eu, honestamente, acho melhor você dizer adeus a todas as suas recordações, sejam livros, textos, rabiscos, notas de geladeira, decorações de cabeceira de cama, perfumes, presentes. Por favor, se desfaça de todos esses pertences que falam mais de mim, do meu amor pelos detalhes, do que quaiquer outras coisas. Não ouse completar essa declaração com 'tudo bem, já que você insiste', nem se esforce pra daqui há alguns meses cair na real e me procurar quando tudo está bem comigo(por que um dia eu servi de escada pra sua subida, e nesse dia irá precisar de mim denovo). Essa idéia de ponte já passou e foi você mesma quem me ajudou a esquecer. Cada dia, cada frase, cada conversa, cada explicação, cada debate, cada mentira, cada ilusão momentânea me fizeram crer que almas gêmeas não existem. O que existe é você querer, suas escolhas e eu não escolhi você, sabe. Você se deixou passar e me deixou. Agora, que tudo isso podia fazer sentido pra você, não faz o menor pra mim. Por que eu não sinto mais nada e por isso não faz sentido. É extremamente revigorante lembrar e passar pelos cantos da minha rotina e não precisar parar, por que aquilo era a única coisa que me fazia ter um pouco de você. Já recolhi esses tesouros, eles são meus denovo e eu estou dando para outra pessoa. Uma nova pessoa, uma pessoa melhor pra si mesma, o que você nunca conseguiu ser quando te pedi. Reconheça, perdemos e como dizer adeus não basta, tive que descrever esses meus sons de felicidade pra te dizer que essa é sua última chance, você vai ficar comigo?

Capítulo 1: Mais perto do chão que o piso

Alagado e podre estava o bosque ao sul de Mainas. Se minhas botas não fossem resistentes ao fogo, talvez servissem para atravessar sem deixa...