"Deve haver algum tipo de explicação pra você ter me deixado plantado, que nem raíz, hoje no open mall. Aquele banquinho nunca foi tão gelado enquanto encostei meu rosto. Seu braço sempre amaciava minha cabeça que queria olhar pra cima, já que pra frente ou pro chão não existia mais saída. "
Naquele dia você jurou pra mim que nunca iríamos nos esquecer. Falou que o tempo é só uma distração pra o seguinte momento. Que a espera não te conduz a nenhum lugar além do seu lado e isso me acalmou, acredite.
E no sorriso, por trás do meu último abraço, me desejou um bom futuro, desejou um bom descanço, desejou um par de chinelas novas, uma sem a marca dos meus pés, pediu que eu cortasse o cabelo, ele tava bem grande mesmo, e enrolou um pouco os dedos naqueles por trás da minha orelha, pediu que eu não deixasse de viver, que eu quisesse conhecer novas pessoas e brilhar um pouco pra vida, que meus textos não fossem pesados e que as palavras fossem de amor e não de perdas. Quando o momento chegou, em que me deparei com a sua não presença, pra não dizer falta, acordei na madrugada e fui até a sala, sentei na mesa, bem embaixo daquela iluminação amarelada e, com as mãos nos olhos e o chão gelado, aprendi a segurar com força algumas coisas. Eram suas e eu não podia deixar você sair daqui, mesmo que em forma de lágrimas.
É que agora, até mesmo ao abrir a geladeira ou comprar uma latinha de leite condensado, lembro daquela tortinha que fazíamos rindo, daquele apelidinho na hora dos carinhos e das sempre ligações na madrugada pra dizer que a tristeza te abatia e que eu era o único momento feliz da sua vida.
Seja por filosofia, razão, paixão ou perda, há sim coisas insubstituíveis e, se não forem, nem mesmo coisas chegaram a ser. Mais do que nunca e até o fim do mundo tive que petrificar um sonho, não por escolha, mas por necessidade. E essa saudade aqui é um sentimento que voltou na hora errada.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Capítulo 1: Mais perto do chão que o piso
Alagado e podre estava o bosque ao sul de Mainas. Se minhas botas não fossem resistentes ao fogo, talvez servissem para atravessar sem deixa...
-
Desculpa, tá, eu gosto de exagerar que sofri um absurdo descabido por anos seguidos e que isso causou um torturante caminho de noites sem fi...
-
Nossa, o que é isso? tá me dando um aperto tão grande. Do nada eu me senti reduzido ao som de uma turbina de avião, voando lá pro corvodado...
Nenhum comentário:
Postar um comentário