sábado, 5 de novembro de 2011

Um algo melhor

Keane - They Way You Want It



Espiei por que todo mundo faz isso. E eu acho hipocrisia quem diz que nunca deu uma olhadinha na vida de alguém que já esteve do seu lado. Não é uma coisa assim muito saudável, mas serve pra testar os limites da sua tentativa de não estar nem aí. Funcionava como uma espécie de medidor pra saber se era necessário mais um pouco desdém.
A gente se abraçou e desejamos tudo de melhor que podíamos. Você, que mudasse meu corte de cabelo, estava um espantalho de despenteado e comprido. Eu, precisava mudar o sobrenome, por que era a única coisa que um cara apaixonado como eu queria de você.

Uns meses passaram e nem rastro do seu cheiro pela casa. Isso era bom, sinal que seria interessante por um novo aroma pra temperar a solidão. Nada melhor que uns contatos, uns telefones de algumas amigas antigas e uma boa dose de cinismo.
Alô, tudo bom, quanto tempo. É verdade, fiquei meio ausente. Estava ocupado colocando em ordem...tudo bem, não tem problema, nos falamos depois, tchau.
Isso não ia dar certo. Tentei umas cinco vezes e vi que não ia rolar. Essa palavra: "casual", mesmo sem ser dita, provoca nas mulheres um receio, seguido do pensamento: 'quem ele pensa que eu sou!?', e depois um silêncio abrupto de respostas monossilábicas, que todo mundo se afasta depois de ouvir.
Passei meus últimos 3 anos com 3 frases, eu gosto de você, acho que amo você e, eu queria que existisse uma palavra no dicionário pra descrever o que eu sinto. Acho que errei na hora do 'eu acho', mulher que é mulher gosta de dúvida antes, aqueles joguinhos que sabemos onde vai dar, porque depois do apego ela quer certeza absoluta incontestável e pra sempre.

Aconteceu que numa dessas noites, subindo as escadas da House, levantei o rosto e pensei: "acabaram meus dias de solidão". Acontece que na mente é tudo tão rápido, que essa idéia veio antes da realidade de que era você ali, diante de mim. Eu disse oi, você respondeu nervosa. Arrumou o cabelo atrás da orelha exatamente do jeito tímida que sempre fazia quando a gente ainda estava se conhecendo, rolava só uma paquera, e eu, sem pensar, falei que a gente precisava conversar e você aceitou reto.
Eu concordei contigo na hora daquela briga pelo seu amigo, que te ligou no nosso final de semana de aniversário pra desabafar, e você admitiu que ele estava interessado. Eu critiquei o nosso jeito orgulhoso, principalmente o meu, daí você me pediu desculpas por ser tão impulsiva e não me deixar explicar as coisas pra gente se entender.

Sei o seguinte, que de tanto desejar uma coisa, planejar o que falar, romantizar uma situação perfeita pra voltar pra alguém, a gente acaba refém da oportunidade, deixando de enxergar possibilidades. Eu acabei falando a verdade, que já me diziam desde pequeno e a verdade nos libertou. Não importava o quão errado seria tentar denovo ou o que os amigos iriam achar. Isso não ia mudar os fatos, pois tudo isso não passava de expectativa. Você já estava namorando outro cara e eu confirmei o esquecimento quando, depois dessa conversa, a gente se beijou e sua boca não mais lembrava nosso beijo.

Um comentário:

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