The Cure - Lullaby
"Sem querer fui deixando me levar e quando me dei conta não sabia mais a fórmula do eu apenas. O que era antes uma porta fechada, um trampolim quebrado, agora eram dois; eu e você.
Não sei bem como chegamos ali. Só não estava certo e as nossas opções acabavam. É que quanto mais se aproxima do fim, mais nossas falas se resumem a momentos de amor e depressão pós-amor ( sem palavra alguma ). Aquela sensação de estar vazio é o reflexo de que o que não faz mais sentido está tentando te completar. Normalmente você confunde isso com outra pessoa, um ciúmes, mas é um fato sem discussão, ou se tem amor e amor, ou se tem amor e merda. Para os dois gêneros. Sentir-me vazio assim me levou ao extremo desarranjo de pedir para dar logo um ponto final. Só não sabia que ia doer mais sozinho."
Sem querer chegou sexta-feira, onde a expectativa do final de semana te dá um efeito placebo, ou seja, você faz qualquer coisa com muita certeza, por que no fim você vai ter uma ótima frase para dizer, eu já sabia, e com isso vem a impressão de que vai dar tudo certo, ou não. Você pode torcer para dar tudo errado também, depende da sua disposição. Ok.
Sexta-Feira - CHECK!
Grana no bolso: R$53,40.
E eu tinha duas opções razoáveis. Não, minto! Uma era a realização de um sonho; investir no mundo artístico e adquirir o Desintegration para servir de trilha em homenagem ao que estava por vir na escolha da outra opção, por que cá entre nós, qual é o louco em sã consciência que vai preferir uma noite de homesick no lugar de um bom orgasmo ( não me venha com frescura, você homem me entende. Eu era louco o suficiente, mas meu lado masculino falou mais alto. A homesick podia esperar para o nosso depois ), e a outra opção era sair com a mesma garota que eu vinha transando por no mínimo 1 semana e de onde eu tinha tirado a desconfortante mania de dormir depois de tudo. Era um tédio o nosso depois. Eu gostava de chocolate, de comida chinesa na caixinha, na cama, de olhar para o nosso teto quebrado, mas não gostava dela. O que tornava tudo mais difícil. Acordei as 9a.m. e no caminho da loja de discos meu telefone tocou e era ela. Olho para o display e taco o telefone no chão. MENTIRA! atendo. Aquela voz doce de toda minha diz, me come hoje? MENTIRA DENOVO! Ela disse:
- Escolhe 1 ou 2?
Porra! Que tipo de pessoa me perde pra escolher uma porra de 1 ou 2 e se acha interessante, porra? Se fosse pelo menos zero ou 1 eu responderia o zero, pra evitar toda aquela situação constrangedora de dizer não em alto e bom som. E isso seria o The Cure para o dia, acredite em mim.
Eu disse 2 só por costume. A última tinha sido 1. Quando eu disse sim para ela ficar por cima. Diga-se de passagem ela odiava o que eu mais gostava. Bom, mas contraditoriamente era isso que eu gostava na gente. Eu acertava genialmente esses joguinhos, que ela amava, e o número 2 era vê-la um pouco mais tarde ao invés de agora. Perfeito! Eu teria tempo para minha meditação, o que ia deixá-la convencida de que estava tudo bem e evitaria 512 vezes a pergunta o que foi durante a noite. No contexto geral essa era uma ótima sexta-feira.
1º. Desintegration ( para morrer )
2º. Sexo de madrugada ( para lembrar de não repetir isso, nunca mais )
Só faltava uma coisa, mas se eu soubesse o que era, já teria saído desse estado letárgico que me faz querer fazer amor com qualquer uma menos com ela.
É que quando uma fruta tá madura demais, não há o que fazer. Tem que comer senão estraga.
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