terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tarde demais pra não te amar.

John Mayer - Back to You


"Você disse mil coisas, até que a vida era plástica demais ao meu lado. calei-me, baixei a cabeça em sinal de concordância, juntei minhas tralhas, como você tinha costume de se referir aos meus livros e filmes, e sai. Alguns meses depois, quando minha ocupação não mais se resumia à organizar a bagunça que você tinha deixado, o correio me chega com uma carta sua. Ironia ou não, você me pedia para voltar e acontece com todo mundo assim. A palavra camufla o que a gente precisa, de verdade, fazer pra merecer uma nova chance; Não ter orgulho, encarar o olho no olho. Covarde."



Então eu acordei e, nas minhas mensagens, já tinha uma sua dizendo como ia a viagem à Europa e como a paisagem combinava com a minha conturbada psiquê. Você dizia ser possível me ouvir comentando sobre a formação da arquitetura, sobre as colunas em Roma, os detalhes de Vermer, as cores de Dalí, e eu, nesse distanciamento, só respondia coisas imparciais, claro que na tentativa monossilábica de te fazer perceber que se não havia sentindo visitar esses países sem minha companhia, por aqui é que não tinha espaço para sua falta. Era na hora em que minha vista ainda estava embaçada, pela manhã, que você mais gostava de me lembrar que eu não podia te esquecer e eu te pedia perdão, mas precisava superar pelo menos a saudade que tinha de voltar pra casa com aquele cheiro de cabelos, 212 vip, no meu pescoço. Era tarde, quase 9:00a.m. e levantar era a última opção saudável para mim. Precisava reagir e contornar a cama, a sua falta e chegar até o banheiro, onde só o espelho poderia revelar a realidade grotesca de uma barba de 3 meses por conta de um quase amor. Isso não me deixava fraco ou sequer desmotivado, mas me deixava feio.

Você voltou...


Fiquei uns dias de molho até receber na minha inbox uma mensagem sua que pedia meu telefone e eu me perguntei o que você queria me mantendo na sua agenda. Mandei meu número por um único motivo. Não te dar razões para me questionar sobre isso. Marcamos de nos ver depois do último texto que te mandei e você, com sua altiva postura de mulher comprometida, me falou que eu não devia por um ponto final nisso, por que me via como uma janela aberta e, poxa vida, me comparar a uma janela aberta ao mesmo tempo que ignora minha presença é uma agulhada no meu orgulho. Desse-me um beijo como prova de que eu poderia torcer pelo fracasso do seu novo relacionamento à distância. A sua falta de atitude e a minha temerozidade pelos eventos futuros me deixaram sem o que falar diante daquilo, e por mais que eu quisesse trocar algumas acusações e até culpar você pela minha falta de pegada, não havia o que fazer. A nossa hora já tinha passado e tanto eu, como você, tínhamos que nos despedir.

O que deve estar passando pela sua cabeça agora, é que se eu estivesse aí você me beijaria. Acontece que no mundo secreto da nossa mente tudo é possível e muito provavelmente estamos borrando alguns batons agora, mas no mundo real, aquele em que eu seria capaz de realizar os segredos da nossa fantasia, você não seria capaz de dizer vem, vem agora, por que essa chance e esse segredo, daqui a quinze minutos expiram e não vou ter coragem pra te dar.

Olha, pare de trocar mensagens comigo, mas antes, pare de fingir que qualquer coisa à distância é melhor que aquela nossa contida proximidade, aquelas pernas enroscadas, aquele olhar, aquela vontade. Pare de me fazer de bobo, por favor, nesse momento, pare de me mandar a mesma mensagens repetidas vezes, por que eu não vou até aí, não vou te beijar e muito menos te chamar de minha, por que eu não saberia te dizer que sou seu.



Inbox: 1 mensagem não lida.


2:13 a.m.
"vem. ps.: me bina quando estiver subindo."


Você me chamou de chantagista quando cheguei, mas era a pura e transparente verdade, ambos queríamos aquilo e eu, você sempre soube, era o melhor em tornar pequenos momentos com você em maravilhosos arrependimentos. Saudade serve pra isso.

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