sexta-feira, 8 de maio de 2026

Minha criança

Desculpa, tá, eu gosto de exagerar que sofri um absurdo descabido por anos seguidos e que isso causou um torturante caminho de noites sem fim, escrevendo textos torcidos a sangue, mas num foi muito assim. Sim, eu fiquei um bocado triste, o tanto que meu corpo aguentou ser bobo, mas tive dias também e dias bons. Foram esses que me trouxeram de volta, os que eu sorri alucinadamente e que no meio de tantas passagens que escrevi sem seu nome, percebi a passagem da vida com um total completo sentido sem você. Era como se meu eu de ontem estivesse aqui do lado implorando pra não deixar o desejo dele morrer, me lembrando do que jurou, do que ouviu, do que chorou. E nos dias em que esquecia dele, vinha por aqui e deixava ele falar, afinal somos um pouco um do outro e tenho medo dele não ter orgulho de quem eu virei deixando de lado muitos dos pedidos que sempre me fez. 
Ele tem orgulho sim, a minha criança me ama desesperadamente, na intensidade que eu mereço, com o cuidado que mereço.  A minha criança hoje me deixou seguir, hoje ela deve ter ficado lá atrás com você, ainda bem, eu não me perdoaria por prendê-lo comigo. 

Capítulo 1: Mais perto do chão que o piso

Alagado e podre estava o bosque ao sul de Mainas. Se minhas botas não fossem resistentes ao fogo, talvez servissem para atravessar sem deixa...