sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Óculos, Sardas e o Amor
Saí cedo pra tentar encontrar um óculos que combinasse com minha cara desfalecida de ressaca da noite de ontem. Na verdade, eu já precisava cobrir meus olhos, que não paravam de chamar a atenção de quem eu queria que percebesse, que por trás dos meus olhos há alguém e, nessa totalidade das coisas, não era alguém tão interessante assim. Entrei na primeira loja de lupas transadas e hypes e você estava ali, diante de mim, provando uns modelos Yoko Ono, que assumiam sua vontade por um amor estilo John Lennon, e como essa foi a pior observação feita por mim, devido ao efeito ainda presente do álcool, aproveitei a falta de inibição do etanol ainda enebriando minhas razões, me aproximei e disse Look at Me, deixe-me ver se os seus olhinhos puxados combinam com meus cabelos, óculos e nariz compridos. Essa simplicidade e honestidade nas palavras fez você, de cara, me falar que não estava interessada e que tinha namorado. Como eu era guerreiro e já me assumia um verdadeiro militante da paz, pedi licensa, me dirigi ao outro lado da loja. Então, comecei minha caçada por algo que não teria a mesma escolha que você. Um óculos não poderia dizer não, no máximo não combinaria com meu rosto, mas você combinava e, meu rosto que me perdoe, mas não havia sentido, depois de te ver, em permanecer sendo metade de um inteiro que acabava de ocorrer ao te ver. Virei e fui na sua direção, com aquele ressentimento, aquela angústia de quem se apaixona à primeira vista pela pessoa errada, com mais certezas do não, do que dúvidas do sim.
Olha, garota que eu não sei por onde começar, você começou a nossa história de amor pelo caminho que eu mais odeio, sabia. Admito que minha cantadinha foi nada atraente, mas do que adianta uma mega cantada, falando de qualidades que só posso reconhecer, inicialmente, por seus olhos apertadinhos, seus passos escolhidos, a carência das suas mãos por um rosto de olhos fechados num carinho, se eu não sei se realmente faz sentido isso que passa pelo minha dor de cabeça? E eu poderia levar uns meses pra fazer desse nosso primeiro encontro, aqui nessa loja, diante dessa situação, em algo realmente marcante, onde você diria para todas as suas amigas e amigos, como nos conhecemos e como fui um cara legal, na hora de escolher o óculos que fez você ser a ruivinha mais abordada pela moldura que essa armação fez nas suas sardinhas. Por que, não posso dizer, mas falar de coisas assim, de molduras, como disse antes, de detalhes que te enfeitam, de lacinhos no cabelo, de trancinhas, não me interessam, por que eu queria, daqui há uns meses, dizer como a sua presença mudou a simples escolha de um óculos na minha vida e de como as suas razões pra não me conhecer, hoje, mudou radicalmente a minha peculiar forma de escrever. Então não me vem com essa de que tem namorado, de que sua vida está completamente resolvida. Sabemos, eu e você, que está bem difícil encontrar dispostos aos opostos e que você não tem namorado nenhum e, se tiver, desculpe a sinceridade, ele está desprezando a possibilidade de um cara como eu te abordar numa loja, te chamar para tomar um café e você dizer sim, conversar sobre a tosca cantada, descobrir que somos apaixonados pelas mesmas palavras surpreendes e, no final do dia, depois que partirmos, discutir relação com uma pessoa que só quer trocar fluidos, achando que isso é viver em casal. Desculpa, mas devido às circunstâncias e a minha recente noite de farra, meus sentidos podem estar me confundindo sobre você, mas meu coração não pode estar enganado. Em todos os cantos do meu corpo, milhões de células tremem e você pensa que é por que estou meio bêbado, mas não, estou afim de você mesmo. Vamos tomar um café?
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