sábado, 29 de outubro de 2011
A despedida
Cuba libre. Essa seria a próxima dose daquela amarga despedida de solteiro. Perder um amigo não é fácil, imagina dois dos melhores. Era mais próximo dela, admito, e o pior disso é que imaginava que sempre seríamos amantes, quando nada durante a semana desse certo. Aos 15 anos te conheci e o nosso lance não deu muito certo. Naquela época eu queria saber de ser Nirvana e de como chegar nesse tal de Nirvana, mas não queria drogas para alcançar esse estágio, por que eu repetia todas as vezes em que você estava na minha casa, que eu só chegaria nele usando você como passagem. A gente ria disso, se beijava um pouco, mas nunca se comprometia por mais de dois dias seguidos. Era legal e isso durou pouco mais de dois anos. Quando o vestibular chegou e você não passou, os dramas existenciais apareceram e eu vi o tamanho da diferença entre homens e mulheres. Tá bom, elas até amadurecem mais rápido quando se fala de relacionamentos, de estudos, quer dizer, elas acham que se comportar como mulher, com aqueles passos firmes muda alguma coisa. Daí, quando chegaram as primeiras derrotas, eu fui o primeiro para quem você ligou assumindo que eu estava certo quando falei que a vida é dura pra quem é mole. Eu podia até estar atrasado em boa parte das fases da minha vida, mas você não tinha nem começado a desfrutar do que era ser adulta. Eu não podia falar isso dessa maneira para você, então o que eu fiz foi te abraçar bem muito, ouvir tudo o que seu coração ansioso tinha para chorar e você me beijou pedindo para que eu nunca, jamais, fosse embora. Maldita hora em que eu prometi aquilo, sempre fui péssimo em desfazer minhas promessas. O tempo avançou e você conseguiu ser universitária junto comigo. Essa atmosfera muda muita gente que um dia foi humilde. Você mudou com muitas pessoas e quando tentou mudar comigo, puxei sua orelha, te joguei no meu sofá e te lembrei de como somos cúmplices e transparentes, até na sua ausência de marquinhas de praia. Era lindo te ver assim e só assim você lembrava quem éramos um para o outro. O vento vai levando a voz, o véu, o céu até que depois de tanta brincadeira o garoto cresce e julga bom para si mesmo ficar com uma única mulher, durante um período indeterminado de dias. Tentei não parecer apaixonado demais, falei sobre projetos, coisa que eu sempre discutia com você, que odiava a idéia que eu tinha de investir em jogos digitais, ou melhor, jogos nerdiais, como você os chamava. Só que eu falei de um jeito que você, não sei como, notou que era sério. Eu disse que você fazia parte da minha melhor parte, dos meus planos mais mirabolantes para fazer alguém feliz e que pretendia esquecer o seu último porre quando você ficou com um carinha completamente desconhecido e o chamava pelo meu nome, aos beijos, abraços e tentativas frustradas de tocar na sua bunda.
Nessa despedida, só posso desejar que seja a última, por que eu estou me dirigindo para um lugar mental bem longe da possibilidade de te receber, quando você enfrentar dificuldades nessa sua nova vida e me ligar, como antes, me pedindo colo e consolo. Só te peço uma coisa, dentre todas...se for voltar para mim, não bata na porta, arrombe, não me peça licensa, tome o seu lugar, por que somente você tem a força necessária para quebrar as correntes que me amarram e para não te amar agora.
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