Kings of Convenience - 24-25
Espero que você tenha gostado das fotografias que te mandei por e-mail e com esse são 17 que eu mando sem resposta. Espero também que o seu desinteresse em responder não seja de fato um desinteresse, mas uma impossibilidade. Prefiro acreditar que você está sem acesso à internet do que encarar os fatos, você nem abre mais a nossa antiga caixa de mensagens. Uma coisa eu ainda gosto nisso tudo, a senha não mudou, o que me conforma ao pensar que temos uma parte de nós intacta. Sabe o que seria realmente legal, se você me mandasse fotos completando as poses que eu fiz nas minhas, como se num abraço, num banco sentada, na beira da praia ao meu lado. É só uma imaginação tola, tão ironicamente infantil, que eu resolvi entrar no papel de imbecil e comprar um maço de cigarros e fumar muito, torcendo pra Deus, num ato heróico, me mandar você pra minha salvação. Entre tantas almas boas por aí, por que Deus iria se ocupar com a minha que já está tranquila. Junto com as fotografias vão indicações de músicas que podem ou não fazer o efeito desejado. Tem hora que desejo que você, ao ler isso, vá sutilmente até seu novo quarto, ponha roupa por roupa numa mala, abarrote de explicações ridículas ( que não vão convencer nem uma mula manca ) o seu novo namorado, peça com licensa gentilmente, chame um táxi, respire fundo e embarque nesse mais novo meio de se/me magoar e volte, por que você chegou num ponto em que não sabe viver sem as nossas mágoas e sem a qualidade das nossas complicações. Eu não sou idiota, posso ser criança, mas não um completo sonhador. Já que você não faz isso, me conforto em escrever aqui sobre o que seria legal de acontecer, pois quase nunca você teve a capacidade de pensar nisso sozinha e executar comigo. É o fim, eu fico por aqui, sem esperar sequer resposta e você por aí, sem saber que eu estou fazendo exatamente o que você sempre me pediu, pra te encontrar no matter how.
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