segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Ainda dizem coisas assim
"Já deixamos de ser dois há muito tempo."
Era preferível que fôssemos conhecer meus pais, mas já que você insistia que sua casa também tinha motivos pra uma conversa séria, eu aceitei. Estava disposto até certo ponto, uns beijos, conversas familiares, aquilo de toomuchinformation, depois casa e uma revista sobre imóveis. Eu podia pensar em mudar de casa, por que tinha certeza que minha parentela estava contente com o meu altar para minha última namorada. Respeito meu bom gosto, mas não sou tão fácil assim como pensa. Tenho um compromisso com Alguém, essa era minha desculpa esfarrapada pra comer sozinho, num sábado à noite. Podia me encontrar vagando por aí, mas posso te dar certeza que não era pra encontrar ninguém, senão a mim mesmo.
Sempre tentamos achar alguém pra culpar, mas eu sabia que era o réu nesse julgamento, já que nunca tinha procurado alguém pra ficar junto desse nosso jeito. Quando você fala em casamento, muitos se esquivam e eu estava interessado em alguém pra partilhar um banheiro, uma reforma e uma espera de nove meses. Então, não custava nada, pra mim, dispensar algumas dessas de maneira rude. Já haviam me dito que não queriam filhos, não pensavam em casar, nem em ficar sem sexo por mais de uma semana. Não são mulheres pra mim, não passavam de pares de pernas bonitas, uns sorrisos sexys e um hora de banho de arrependimento.
Isso vai soar imprevisível, mas eu tinha esperança de não me apaixonar por você tão cedo. Acho que ninguém planeja isso, mas eu era do tipo ousado. Cabelos curtos, nariz empinado, franja reta, sorrisinho meio amarelo, um brilho honesto, sem tintura, sem trejeitos, meu preferido, a cor da coisa toda não me importava, se você acha que sim, pergunte-se por que ainda uso óculos. Ainda estava aqui de pé, no piano, esperando meu primeiro beijo. E eu me apaixonei pela idéia de que você também estava assim, esperando por mim.
Ficamos meio de lado, olhando pra sua mesa toda bagunçada com canetas, maquiagem, algumas caixas de filmes abertos. Sua boca falante se movia contando tudo sobre um box do Harry Potter que você tinha comprado, depois sobre o que seu pai achava da gente.
VOCÊ: Quando você falou comigo, sabe...eu, fiquei um pouco tímida de abrir denovo a caixa de mensagem.
EU: Eu fiquei com medo da sua resposta.
VOCÊ: Medo de quê? Você realmente achou que eu ia achar você maluco demais? Por que foi exatamente o que eu pensei..(ela gargalhou)
EU: É o que sempre acontecia. Acho que ser direto demais, assusta...eu te assustei?
VOCÊ: Não, era quase o que eu precisava.
EU: Quase?
VOCÊ: É que só virou 'tudo' quando descobri um texto "não há motivos pra tanto".
EU: E o que ele diz lá?
VOCÊ: Que sou eu.
domingo, 27 de novembro de 2011
Nesses dias
Parti sem rumo, só precisava andar. Duas, três quadras, quantas fossem necessárias pra um novo sangue circular nas minhas veias. Quando eu pensava muito em você, sempre saia pra caminhar. Minha mente idiota ainda tentava contornar a situação, e não há como ser mais esperto que o amor, ele não tenta, ele consegue. Podia jurar que escrever demais podia me levar até você, que de certa forma, estava por aí, louca pra encontrar um cara assim como eu, cheio de histórias repetidas e um gosto anormal pelo que não se aproxima da realidade. Meu distintivo era da tropa estelar, meu sonho eram filhos, e eu esperava que nesse distúrbio social, ainda existisse alguém pra tirar vantagem das minhas manias e do meu horário sem roteiro.
Sei que deve haver milhões de pessoas pelo mundo que nunca deixaram sentimentos partir, eu podia ser seu líder. Enfim, te conheci.
Depois de uma busca singela e ansiosa, consegui um jeito de te chamar pra um cinema. Eu nunca fiquei tão nervoso num telefone, mas eu sabia que aquela atitude marcaria pra sempre minha personalidade controversa, é que desde então tenho vivido de uma forma truculenta, mas saímos no dia dos namorados, e o cinema estava muito frio. Se não fosse o beijo, teria continuado assim. Não sabia direito como andar de mãos dadas com alguém, mas eu sabia que pra sempre iria confundir aquele toque com outras mãos. Isso nunca iria ser esquecido. Se ainda existia algo bom dentro de mim, foi depois disso que descobri. Hoje tenho 25 anos, coisa demais aconteceram, agora mesmo uma conversa se desenrola sobre relacionamentos e eu me pergunto se você ainda espera algum tipo de sinal místico pra estar aqui. Depois de um tempo deixei você partir, fiquei excluso e toquei a vida pra frente, arrumei confusões, namoradas, casos, me meti em novos buracos, enfim, esqueci que um dia fui um pedaço de alguém tão importante no mais importante contexto terreno. Agora eu quero um ticket pra fora dessa idéia que me persegue constantemente. Estou tentando deixar de dedicar alguns textos e poemas, pra lembranças que só fazem parte de um álbum que nunca chegamos a começar. Terminei de montar o quebra-cabeças sozinho, pra ter certeza de que na época, éramos nós os que precisavam de um encaixe perfeito. Te agradeço pelas recordações nas escadas, nos elevadores, nas mensagens, nas saudades, essas memórias me ajudam a acreditar que eu ainda posso sentir um tremendo amor. Mas faço questão de rasgar aquilo que um dia foi motivo de tristeza pras nossas vidas. Pelo amor ainda guardo a pulseirinha de braço, alguns utensílios domésticos e as letras das músicas que me ajudou a compor, que você me pediu pra nunca mais tocar diante da nossa presença.
Chegamos a esse momento, em que parte se converge e parte se dispersa em tudo que pensamos. Se eu soubesse onde isso ia nos levar, talvez pudesse pensar mais, mas já pensei tanto na vida, nas dores, num futuro que eu já não sei mais o que significa, que deixo ao encargo desse dilema.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
As 7 palavras.
"Eu não acredito em sentimento aos poucos e isso é basicamente o que você precisava saber."
Tinha 2 olhos grandes, braços cruzados, joelhos redondinhos, cabelos longos meio sem jeito de ser feios, mas como saber se eu estava apaixonado? Deixei seguir o bonde. Não tinha treinado essa parte da vida que me habilitaria a me aproximar de você e desengasgar parte dos poemas e dilemas que enfrentava diariamente de te explicar tudo virtualmente ou pessoalmente. Na dúvida, achei melhor torcer pra um time de futebol de segunda divisão, comprar um livro que estava fora da lista de best-seller, enfim, era mais adequado sofrer pela possibilidade de ver meu time descendo outra divisão, ou uma leitura ruim, como a que vos digito, do que tentar fazer um personagem que não ia te convencer do meu Amor. Abri alas para meus brotos sentimentais em cada coisa simples que eu fazia durante o dia. Comecei a cuidar de uma árvore, iniciei meu antigo projeto de postar 1 texto por dia, e voltei a conversar sozinho - me ouvir era a melhor maneira de me entender - sobre arte e tudo que poderia se tornar tão abstrato quanto aquele seu olhar por cima do ombro quando me viu entrar perdido no cover do legião.
Não podia explicar as razões e consequências das minhas pernas terem me guiado até aquele momento. Eu encarava as coisas no meio tudo-ou-nada, talvez tenha sido por isso que me preparei tão pouco destacado, maltrapilho, por que nunca fui de acreditar que pudesse construir uma fundação sólida a partir de pedaços repartidos de um romance aqui, uma decepção ali. Acreditava mesmo no amor à primeira vista, de quando tudo que era ausência se desfaz em uma espera romântica, uma repetição honesta da mesma música por horas, uma demonstração modesta de quanto uma única pessoa poderia tornar várias sensações, mesmo que ainda sem sentido, em certezas e um futuro juntos. Torcia pra que não fosse mais um noite entre cervejas, tragos, gritos e descaso comigo. Você não me deixava plantado como outras, sua companhia era constante e de um linguajar alternativamente engraçado. Eram nossas gírias que se confundiam com nossos olhares, ou nossos olhares que davam dicas pra o que dizer? A nossa conversa sobre as estrelas foi baseada no interesse de saber mais sobre os astros, ou pra tentar extrair deles nossa conexão? Afinal, você acreditava em signos, ou era só uma forma de mostrar como o horóscopo já tinha sido útil na sua vida, mas agora você queria mesmo era perguntar tudo pra mim, e não perder humor com aquilo que ambos acabávamos de perceber que era uma puta perda de tempo?
Meses antes...
Entre os livros e corredores, me pergunto onde está você. Existe ou é só fruto de uma mente infantilmente descrente? Pelo tanto de pessoas que conheço e que ainda vou conhecer, me resta alguma esperança de não ser um refém da minha própria realidade, mas já passo por um intrigante processo de não ter mais o véu da falsa credulidade nas pessoas. Maldito momento em que fui acreditar nessa história de que quebrar relógios era a melhor maneira de fazer o tempo parar, ou pelo menos o meu ar esperançoso.
Foi aí, nessa reveladora confusão, que topei com você e aquele seu cabelo de lado, óculos torto, olhos grandes e sorriso de lado, sem jeito por ter me feito derrubar um copo de achocolatado. Em meio à desculpas, e que sentia muito aquele acidente, surgiu uma fagulha do que eu tinha certeza ser algo inegável, falei meu nome e perguntei o seu. Ainda sem condições de interpretar os meus sinais atrapalhados, atropelei as primeiras sete palavras que significaram no geral eu, putz...é...olha, num tem problema. Arrisquei uma oitava e nova, 'é sério'. Fiz aquela cara de conformado, na falta de uma que não fosse de agradecimento. A proposta inicial era você me pagar um novo achocolatado, mas eu adicionei uma cláusula de que aceitaria se você me acompanhasse e o trato foi feito.
Era incontrolável, causava ansiedade, desfocava, movia tempo-espaço. Quando fui tentar definir pra você o que estava acontecendo, começou a tocar vento no litoral, misturado com uma gutural voz de um monte de pessoas conversando sobre qualquer coisa que era menos interessante do que te olhar ali diante de mim, ouvindo minha explicação. Daí, você me interrompeu abruptamente e...
"Eu tinha planos com alguém, sonhos à realizar, zibilhões de festas pra ir, e outras mesmas pessoas pra conhecer, até o dia em que fui idiota de estragar o nosso começo perfeito, quando derrubei seu chocolate nos meus pés. E sabe o que é, poderíamos nos beijar, mas um abraço me faria me sentir bem mais alguém do seu lado, agora. Você me lembra uma parte da minha infância que tenho saudade, de quando andava nas pedras na praia, de quando juntava um monte de lençol e brincava de cabana no meio da sala, de esconde-esconde, de conversar sobre fantasma, assistir filme até tarde, esperar pelo encantado que um dia apareceria. O natal chegou, o tempo passou, eu cresci e esqueci da minha antiga carta que mandei pro velho noel, que dizia pra ele me dar exatamente aquilo que eu precisava nessa data, um amor infantil, simples, de poucas ambições, mas de pura convicção. E você chegou, sabe."
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Em poucas linhas
Por ser um homem hetero, sua virilidade te visita algumas vezes. Testosterona serve pra te lembrar que existe um mundo, e que esse mundo cobra sua presença, mesmo derrotista. Há quem se interesse por você, sendo você quem é. E se você está assim, não é falta de apoio moral, por que o charlinho foi criado pra te lembrar que caminhar em caco de vidro dói, mas com um tempo cria uma crosta, vira casca grossa. Quando você tinha 17 anos, sofrer de um antigo amor era quase poético. Quem chegava perto te perguntava, ávido por entender como foi esse tal de Amor. Parece uma coisa paralela ao nosso universo. Não é nada demais, gostei de alguém legal, não deu certo, rolaram uns dramas, eu não fui muito esperto, teimei, mas agora minha parte viril me chamou pra realidade. Eu preciso de uns drinks, alguns olhares insinuantes e possibilidades. Um homem não vive sem possibilidades.
Te encontrei sem querer na festa de formatura da minha prima. Nem imaginava que vocês tinham alguma ligação, mas quando se tratava de você, as mais absurdas associações vinham à minha reprimida mente sofredora. Cruzamos olhares e logo servi mais uma dose de guaraná. Parei de beber na hora. Ficar bêbado diante dessa situação era assinar nossa carta de divórcio premeditado. Eu seria acusado de falsidade emotiva pelos parentes mais próximos, mas não dei à mínima pra o que eles estavam me induzindo a fazer. Te cumprimentar era muito diferente de te chamar pra uma conversa, uma dança, ou como minha tia dulce me falou "vai até lá e mostra o que tu escreveu pra ela aí no teu bolso". Família sabe puxar teu tapete.
Dirigiu-se até mim um garçom e eu troquei palavras amistosas, na tentativa de conquistar a frequência de visitas dele à minha mesa. Logo mais eu iria precisar de alguma desculpa pra minha distração em não ter reparado quando você sentou do lado do meu irmão e começou a falar sobre seu novo estágio. Eu sabia que teria que me esforçar mais pra te convencer que não tinha te visto. Depois de falar um pouco com cada um da mesa, os olhares se dirigiram pra mim, que estava entre risos forçados, piadas prontas e um ar Dick Tracy procurando pistas com frases soltas sobre relacionamentos mal resolvidos.
"Li denovo alguns dos seus textos, eles me emocionaram. Acho que na época eu era muito menininha, gostava do confuso, mas agora, experimentei um tom mais consistente, mesmo nos antigos. Hoje, entendo quando você falava da relação entre o meu gosto por chocolate alpino e o seu por caverna do dragão. Não era simplesmente nada, era um simplesmente tudo. E eu gostava de você assim mesmo."
Garota, cuidado quando encontrar um ex-amor por aí. Você nunca sabe o que vem, se um presente difícil ou um futuro promissor.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Coisas que você precisa saber.
"Sei que você anda pensando que não tem mais auto-estima, que os planos e sonhos já foram embora, mas lembre-se, ainda estou aqui, você não está sozinho(a). Estique as mãos e você irá me encontrar na esquina mais próxima, do seu lado."
Acredito que você já tenha passado por alguns péssimos momentos. Ninguém é capaz de descrever com totalidade o que foi, ou o que representou tal sofrimento dentro das vidas envolvidas. A gente só sabe que muitos conseguem dar seu jeito de resolver esses entraves. Alguns escolhem o caminho do desapego, outros da aproximação exagerada, mas a grande maioria resolve do jeito mais prático, por que dar de ombros pra outra pessoa parece ser a escolha mais acertiva quando se trata de preencher um espaço que jamais poderá ser preenchido. Entendo e acredito que você tenha dado o seu melhor durante muito tempo com alguém, e de todas as maneiras tentou subir e descer, caçar um jeitinho suave de contornar cada dificuldade, mostrar um defeito de maneira sutil, ensinar como melhorar, sem sucesso. Algumas vezes até conseguiu esclarecer como era difícil suportar alguém que passava mais momentos reclamando de pequenas coisas, do que aproveitando o seu enorme amor. Compreendo que com esforço vem o desgaste, ainda mais quando não se tem um retorno positivo, nem que seja mínimo. As vezes de tanto esperar por esse retorno, você deseja logo por um fim e esquecer que o esforço teve alguma motivação além de esperar que alguém fosse legal pra você. Não é bem isso que se deve esperar de alguém.
Deixa eu dizer uma coisa, sem pretensão, por que não é do meu interesse te fazer refletir como eu. Faça um favor pra você mesmo(a), largue os cds nas estantes, apague sua playlist do computador, pare de ler o seu mais novo drama, de preferência se afaste de tudo que pode te levar a acessar lembranças marcantes demais. Internalizar não é a solução, apesar de eu crer que os orientais sabiam das coisas. Meditar também não, sair demais pule fora. O conselho, se é que isso funciona como isso, é não parar de andar. Andar é diferente de correr. Pra quê pressa? Ficar imóvel é muito diferente de ficar parado. Você ainda tem a capacidade de caminhar sozinho(a). Imagino que um dia as coisas foram amarelas, azuis, vermelhas, pretas, como você preferir. Sei que você tem um lugar que tem medo de passar, uma comida que evita comer por lembrar demais de alguém, uma peça de roupa que era vestuário obrigatório no pós-sexo, eu sei dessas coisas por que eu encharquei muitos travesseiros me perguntando "por que isso tá acontecendo comigo?". Nessa hora você vê como amar exige muito mais do que um presente, um beijo, uma conversa sobre coisas quentes no telefone, um livro com uma dedicatória linda, falando sobre vocês ficarem juntos pra sempre e como vocês se entendem. No momento do choro, da dor, é que você se pergunta "caramba, eu amava tanto assim essa pessoa?". Amava e isso dificilmente vai sumir de dentro de você. Esse Amor, que agora te fixa no chão, ainda vai te empurrar pra frente. Com Amor não há perdas. Você pode chorar, sentir falta, mas o buraco que alguém teoricamente cava, vai ser preenchido por alguém melhor. Tem gente que entra só pra preparar. Se você deixar de mesquinhez, e lembrar/esquecer que aquela pessoa te dava mais presente, do que estava presente, pode ser que você perceba o valor que você estava dando pra si mesmo(a). Não ignore seu amigos, nem seus impulsos. Se você precisa falar, fale. Se precisa revelar seu amor, revele. O seu coração é muito mais sábio que sua razão, mesmo você tento lido milhares de livros e engolido um monte de conhecimento ridículo e psicologia de esquina. É no seu coração que está o seu centro emocional, espiritual, passional. A sua cabeça só estraga as coisas, e você sabe que tem sido assim há muito tempo. Então, pare de pensar um pouco e viva. Por incrível que pareça, viver ainda vale à pena. E seu coração não aguenta mais ser ignorado, logo mais ele vai parar de responder à sua vontade de recomeçar.
Garotas e Guerrinhas
Acredito que já inventaram um jargão pra meninas carentes, mas contigo era demais. Não se resumia à uma frase, você por inteira vivia uma máxima de 'meninos, não se aproximem, estou indisponível no momento, agradeço pela compreensão'. Nossa, isso parecia aviso de telemarketing quando um serviço importantíssimo estava desativado, e era exatamente assim que você iniciava todo tipo de relacionamento, inclusive com os psicólogos que tentavam te ajudar. Isso já não era mais uma questão de tratamento, quem te conhecia levava isso como questão de honra, por que nem amigos conseguem suportar alguém que, do dia pra noite, entra em dieta, desliga o telefone, muda o e-mail e pede perdão pelo incoveniente. Garota, eu era um dos melhores na arte sutil de ser invisível, mas você, com esse arzinho de Jessica Rabbit em frangalhos, não conseguia fingir pra ninguém que estava tudo bem.
Há dois conhecimentos universais, os homens não conseguem esconder sentimentos. Talvez por que eles não os sintam com muita frequência, falo por todos, por isso é notavel quando um cara está gostando de uma garota. Fica estampado acima da cabeça um outdoor, de uma maneira clara de se entender 'Eu gosto da Inês'. E as garotas, desculpem garotas, mas vocês adoram uma boa disputa. Bastou que eu comentasse, durante o 500 dias com ela, meu interesse nos lacinhos amarelos que ela usava pra contrastar seus belos olhos pretos, que você fez mil perguntas e seu desânimo não era mais motivo pra continuar dietas, ficar em casa ou demonstrar desinteresse em mim. Tinha alguma coisa aí, mas sinto informar que garotos não percebem esses detalhes. Vocês conseguem desvirtuar todo tipo de sinal óbvio falando as mais fajutas mentirinhas. Se existe uma máxima, um jargão, esse era o mais honesto: " Mulheres são de Vênus e eu queria muito ir pra lá". Você diz pra um cara que gosta dele, ele acredita sem pestanejar, pode ter certeza. Na hora ele pode negar, se afastar, fingir que isso não moveu um pouco de lado aquele cadeado, mas ele cai na sua afirmação que nem um peixe. O problema é que peixe tem memória fraca e esquece com facilidade, mas gerar uma discussão sobre a credibilidade que a gente dá ao que vocês falam pode bagunçar a cabeça de vocês, que duvidam de absolutamente tudo quando se trata do que os garotos falam, e essa foi a primeira aula do curso básico sobre diferenças entre garotos e garotas.
Fui até o karaokê-bar, onde você fazia um bico de garçonete, e peguei a fila pra cantar. Sabia exatamente o que fazer pra chamar a sua atenção. Time After Time te embalava, eu só não tinha essa veia artística, minha afinação era péssima, mas eu precisava chamar sua atenção, e destruir sua música favorita era o caminho. A interpretação foi um desastre, mas você entendeu o recado. Tirou o avental verde-abacate, caminhou até mim e falou com sorrisos desfarçados:
- O que é que você tá fazendo aqui, maluco?
- Ah, sabe como é, sempre quis ir no American Idols, mas sabia que eles não estavam aptos pra julgar a minha musicalidade.
- Besta...
- E então, você toma alguma coisa comigo, ou esse avental verde te deixa tão linda que você prefere desfilar por aí com ele?
- Tomo, mas tem que ser rapido.. ( você virou de lado procurando seu patrão e a luz amarelada do lugar deixou o seu cabelo preto muito dourado. Nessa hora eu reconheci que fui um mestre quando falei da Inês naquele dia, durante o filme. Foi a cartada perfeita. )
- Eu nunca cometi um erro na minha vida. Achei que tivesse cometido uma vez, mas eu estava errada.
- Vai começar a citar Snoopy aqui?
- Eu só quis dizer que eu estou em uma nova campanha para ser agradável para as pessoas. E ser agradável com você parece fácil.
- Hum...Esse é o segredo da vida. . . Substituir uma preocupação por outra.
- E você anda preocupado?
- Sim.
- Com o que?
- É que tudo que você realmente precisa é amor, e um pouco de chocolate. Trouxe os dois pra te oferecer, quer escolher?
- Mas o amor não existe para fazer a gente feliz?
- Não falei que tô apaixonado por você, simplesmente disse que gosto muito do chão que você pisa…
- ( você riu )
- Escolheu?
- Sim..
- Tá aqui o chocolate, eu preciso ir...
- Não bobo, eu não gosto de chocolate, gosto de você.
Não pare de sonhar.
"Deixei seguir, mas sabia onde isso ia nos levar. Não havia uma complexidade no que representávamos um para o outro, mas era isso que tornava perfeitamente possível ficarmos juntos por um tempo, isso já era suficiente pra mim. Você precisava de alguém pra te mostrar que se apegar valia à pena, mesmo com desgastes, e eu, infelizmente eu só era massa de manobra, alguém que cedo ou tarde ia partir e você nem ia dar falta."
Fui cedo pra casa, tinha coisas à resolver. No caminho, em que eu esperava esclarecer algumas confusas idéias, fiquei zonzo. O trânsito de pensamentos e histórias era intenso, eu precisava dormir. No meu caso, o sono tinha duas funções. Uma delas seria descansar meu corpo, mais especificamente minha paciência inexistente, ou as soluções pra falta dela. A outra era acessar uma parte do meu intelecto onde só assim eu seria capaz de entender certas coisas.
Não há problema algum em conhecer alguém, ou se envolver com alguém. É natural e até saudável, porém nem tudo que é natural ajuda a manter a saúde. Por exemplo, respirar oxida tudo, e eu já vinha te respirando tanto, que comecei a entrar em processo alérgico, ficando aos espirros e gripes que usava como desculpa pra não te ver assim com tanta frequência. Tudo bem, a gente tinha um papo solto, uma química um tanto turbulenta, intensa, mas tudo parecia desabar quando eu tentava facilitar as coisas, sendo prático na hora de dizer que esperar tem limite e que já tinha passado da hora de você dizer que me amava. Acontece que pra cada situação existe um jeito certo de dizer Eu Te Amo. Isso não se resume a pronunciar as palavras e você sabe do que estou falando. Essa frase representava o fim e o início de corações partidos, quando se trata de eu e você.
Pois bem, adoeci e você sumiu. Ok. Concordo que não te avisei que tinha ficado doente, mas poxa, não custava ter me ligado pra saber o que se passava. E por incrível que pareça, isso foi ficando comum. Você não me ligar passou a ser constante quando eu, testando suas reações, passava um ou dois dias inteiros sem te procurar. Começou a ficar chato demais, por que não sou só eu quem precisa de reciprocidade. As pessoas precisam. E reciprocidade não é responder uma pergunta, ou chegar a um orgasmo na mesma hora, é manter a coisa toda interessante. Você não sabia fazer isso. Explodam-se os prazeres que viam junto com seu par de coxinhas grossas, eu não queria isso. Eu me importava se essas pernas gostosas estavam dispostas à correr meia quadra - a distância exata entre as nossas casas - e procurar saber o que houve comigo, pra ter passado 48 horas incomunicável. O meu celular, em solitários dias de domingo, fazia cricri cricri. Além de você não aparecer, quando nos encontrávamos, você fingia uma expressão de 'surpresa', e ainda tinha a cara dura de falar que imaginou que eu não estivesse mais afim. Ah, nos poupe dessa falsidade. Compreendo que essa era sua melhor arma contra a minha disposição em gostar da sua companhia, mas usá-la comigo te fazia ser a personificação da minha derrota.
Deixei pra lá. Foi fácil, na boa. Derrubei uma pilha de cds e vinis, organizei em ordem cronológica, depois em alfabética e na ordem que eu os comprei. Notei que havia uma semelhança em esquecer alguém e organizar coisas, e era simples. Eu só tinha que fazer alguma coisa à respeito, seja lá de que maneira tomar uma iniciativa, bola pra frente, no meu caso; discos organizados. As pessoas só têm a capacidade de julgar o resultado das suas atitudes e criticar as consequências. Ninguém pode afirmar com propriedade o que se passou pela sua mente pra chegar à uma conclusão. O mundo é assim e finalmente eu reconheci que se existia alguém que podia me julgar nesse aspecto, esse alguém era eu mesmo.
3 semanas e meia depois -
Lembrei de alguns dos nossos bons tempos juntos e você topou mover um pouco da poeira do passado. Aquele pó subindo começou a coçar meu nariz, tomando forma, e você perguntou se eu estava bem. Eu disse que iria gripar e te pedi aquele seu remédio.
Será que ele ainda funciona? - você perguntou e citou - "Devem existir milhões de pessoas pelo mundo que nunca receberam uma carta de amor, eu poderia ser seu líder." Acho que Charlie Brown foi muito honesto nessa afirmação, não por que ele reconheceu essa sua verdade, mas por que tomou pra si, a responsabilidade de representar muitos que queriam significar algo além de um passatempo pra outras pessoas, e você significava uma parte da minha existência que se chama Recomeço. Quer tentar denovo?
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Largue de mão
Player - Baby Come Back
Passei a vista, hoje cedo, por algumas notícias e uma delas me chamou pra realidade 'Banda Coldplay afirma que Mylo Xyloto é o último álbum de sua carreira, há mais de 10 anos de intenso sucesso, Coldplay anuncia sua aposentadoria'. Eu já devia esperar que esses caras iriam nos deixar em algum momento, mas não agora, não desse jeito, não sem compor a música do desfecho. Precisamos por um fim nas coisas, trancar portas, tampar canetas, escrever um the end no final de um texto, deixar de lado esse papo de "fica comigo agora". E esses caras deviam ao mundo um fim, feliz ou triste.
Pouca gente para pra discutir sobre isso e, ontem mesmo, um amiga comentou que quando mais nova, enquanto passava por uma crise existencial depois da mãe falecer, conheceu um cara legal, mais ou menos com a mesma idade dela, que foi uma ótima companhia nessa parte difícil da vida. O fato é que ela se envolveu, transformando a perda num envolvimento muito próximo com esse rapaz, e quando o momento ruim passou, ele pulou fora afirmando um monte de não tô pronto pra namorar, tô confuso, tô com medo de te magoar. O que pra mim se traduz com 'eu sou um rato que compro sentimentos e só queria experimentar a sua dedicação ".
Nesse trecho da vida, você quer resolver assuntos pendentes e procura tudo que ficou mal resolvido na vida. Seja um amigo que ficou pra trás, uma banda que você deixou de lado numa hora decisiva, um moço que te pagou um sorvete quando você esbarrou em alguém na fila da sorveteria e derrubou aquelas duas bolas de flocos. Enfim, você na tentativa de por em ordem e voltar ao curso natural da sua existência, tenta corrigir alguns deslizes inerentes ao seu crescimento. E eu te digo uma coisa, por que posso afirmar com propriedade, que não vale a pena. O que passou, aconteceu, você disse, fez, não fez, teve uma consequência na sua vida e de outras pessoas. Aquele cara que te dispensou, passou os dias seguintes tentando te ligar, mas você já tinha mudado de telefone. O seu amigo, que gostava de você, nessa época, arrumou uma namorada feia, mas que o amava como ele queria te amar. A sua mãe está no céu e que Deus a tenha. O tempo passou e você está 5 anos mais velha, mais cética, menos paciente, mais madura, menos feia, mais magra. Ahh..a vida continuou e só o que ficou daquela fase foram as lembranças, que eu concordo, atrapalham, mas se você deixar.
Até o Coldplay cansou de amor sofrido, o cientista de tanto tentar, não descobriu um jeito de voltar no tempo, o carro bateu. O outro não iniciou uma guerra, mesmo você dizendo pra ele que era o seu amor que valia a pena. Você não foi fiel à promessa de sempre sempre cuidar dele. O seu hd foi formatado tantas vezes, que não restaram fotos daquele seu antigo namorado. E quando você menos notava, o amanhã chegou, o depois de amanhã era o futuro e não a esperança de voltar pra alguém, ter um amigo de volta, ou rever sua mãe. Então, sugiro a você que não pense muito no que já foi um dia e, se isso te serve de consolo, eu uso o que foi pra escrever, faça isso também. Só não prenda-se na idéia epifânica de tentar ser criança denovo. Sindrome de Peter Pan é doença e não a solução.
Pra sua vida, é melhor aceitar os fatos, encarar o próximo carinha como um desafio à sua descrença e dizer pra si mesma que não há a possibilidade, mesmo na falta de pessoas legais, de nada estragar a sua sede por ser feliz. Ainda quero casar, não mais com você, quero vencer, não mais a sua guerra, ainda quero amar, não mais do mesmo jeito. Eu estou tentando denovo, e você?
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Caneca amarela, tempo e amor no bolso.
"Não queria nada sério demais. Nem sempre fui fechado assim, como sou hoje. E eu teria preferido continuar, se soubesse que a euforia que experimentei ao te conhecer, era como uma primeira vez. Já tinha desenvolvido um botão de 'velocidade máxima'. Apertava e deixava a relação ser apressada, por que sabia que, para alguns, quando se tenta ir rápido demais, perde a graça da descoberta. E você não era diferente, então funcionou."
Acho que nem todo mundo tá pronto pra um lance hoje sim e amanhã talvez. Eu não era diferente. É uma mania, da gente, acreditar que se sente bem dentro de casos. Mas o que eu via me contestava, sempre que você entrava pela porta, falando como minha, mas não ficando pra dormir. Era um rolo consciente, eu sabia que você vinha pra dormir comigo, não pra deitar e comentar que eu precisava mudar o meu ventilador de teto(era de onde vinha toda a minha alergia). Um caso não se preocupa com o seu humor, mas com a sua disponibilidade. Eu já estava cansado de pratos variados, eu queria uma receita-mestre. E você ficou muito desencontrada quando falei que precisava de um tempo pra me dedicar ao meu crescimento pessoal. Menti, admito, justifiquei que esse tempo seria bom pra ambos, por que eu queria ver o nosso lance como uma coisa séria. Se eu tivesse falando com um cérebro masculino, e dito que não estava mais afim, teríamos concordado, mas estupidamente esqueci que não importava se estávamos num lance sem futuro, você era uma garota e isso iria te causar um impacto emocional, por que até mesmo os casos precisam evoluir para o fim.
Restaram poucas razões pra te procurar, mas eu ainda tinha esperança de que o tempo de distância, pudesse ter te feito jogar o relógio bem longe, e que no meio das suas novas amizades, bares, até mesmo novos casinhos, você tivesse sentido falta de algumas peças de roupas que ficaram na minha gaveta, da sua caneca amarela com umas coisas escritas em tinha vermelha, e do seu Orgulho e Preconceito. Podia até dizer que isso era comum, deixar coisas por aí, mas eu começava a interpretar isso diferente e estava notando que You Make Me Feel Brand New tinha sido feita pra mim.
Então, o que você acha que eu preciso fazer pra tê-la de volta?
sábado, 5 de novembro de 2011
Um algo melhor
Espiei por que todo mundo faz isso. E eu acho hipocrisia quem diz que nunca deu uma olhadinha na vida de alguém que já esteve do seu lado. Não é uma coisa assim muito saudável, mas serve pra testar os limites da sua tentativa de não estar nem aí. Funcionava como uma espécie de medidor pra saber se era necessário mais um pouco desdém.
A gente se abraçou e desejamos tudo de melhor que podíamos. Você, que mudasse meu corte de cabelo, estava um espantalho de despenteado e comprido. Eu, precisava mudar o sobrenome, por que era a única coisa que um cara apaixonado como eu queria de você.
Uns meses passaram e nem rastro do seu cheiro pela casa. Isso era bom, sinal que seria interessante por um novo aroma pra temperar a solidão. Nada melhor que uns contatos, uns telefones de algumas amigas antigas e uma boa dose de cinismo.
Alô, tudo bom, quanto tempo. É verdade, fiquei meio ausente. Estava ocupado colocando em ordem...tudo bem, não tem problema, nos falamos depois, tchau.
Isso não ia dar certo. Tentei umas cinco vezes e vi que não ia rolar. Essa palavra: "casual", mesmo sem ser dita, provoca nas mulheres um receio, seguido do pensamento: 'quem ele pensa que eu sou!?', e depois um silêncio abrupto de respostas monossilábicas, que todo mundo se afasta depois de ouvir.
Passei meus últimos 3 anos com 3 frases, eu gosto de você, acho que amo você e, eu queria que existisse uma palavra no dicionário pra descrever o que eu sinto. Acho que errei na hora do 'eu acho', mulher que é mulher gosta de dúvida antes, aqueles joguinhos que sabemos onde vai dar, porque depois do apego ela quer certeza absoluta incontestável e pra sempre.
Aconteceu que numa dessas noites, subindo as escadas da House, levantei o rosto e pensei: "acabaram meus dias de solidão". Acontece que na mente é tudo tão rápido, que essa idéia veio antes da realidade de que era você ali, diante de mim. Eu disse oi, você respondeu nervosa. Arrumou o cabelo atrás da orelha exatamente do jeito tímida que sempre fazia quando a gente ainda estava se conhecendo, rolava só uma paquera, e eu, sem pensar, falei que a gente precisava conversar e você aceitou reto.
Eu concordei contigo na hora daquela briga pelo seu amigo, que te ligou no nosso final de semana de aniversário pra desabafar, e você admitiu que ele estava interessado. Eu critiquei o nosso jeito orgulhoso, principalmente o meu, daí você me pediu desculpas por ser tão impulsiva e não me deixar explicar as coisas pra gente se entender.
Sei o seguinte, que de tanto desejar uma coisa, planejar o que falar, romantizar uma situação perfeita pra voltar pra alguém, a gente acaba refém da oportunidade, deixando de enxergar possibilidades. Eu acabei falando a verdade, que já me diziam desde pequeno e a verdade nos libertou. Não importava o quão errado seria tentar denovo ou o que os amigos iriam achar. Isso não ia mudar os fatos, pois tudo isso não passava de expectativa. Você já estava namorando outro cara e eu confirmei o esquecimento quando, depois dessa conversa, a gente se beijou e sua boca não mais lembrava nosso beijo.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Volta de outra forma, mas volta.
"Como uma abelha, ao se sentir ameaçada você picava. Hoje seria a última vez que você me machucaria."
Anarquia seria se eu te tomasse à força e te empurrasse mágoas à dentro com remédio de desculpas. Eu não era bom nesse quesito de engolir seco algumas conversar e concordei com você. Por que quando há um certo tesão entre dois, é preferível acreditar que é amor e deixar a briga de lado pra mais uma meia horinha. Depois, quem sabe, eu pudesse te dar liberdade pra pensar o que quiser, mas agora a sintonia era outra e garantiria mais uns dois ou três meses de paz.
Não era tão diferente. O Pitiatismo que tínhamos desenvolvido era, parcialmente, a solução pra todo desencanto em questão. Um amigo sofre disso com sua garota, que ataca de epilética nas sextas e sábados à noite. O engraçado é que ele, meio realista, sabe que um dia isso há de envergonhar a moça. Por isso deixa seguir a cena. Amanhã ela se trata e fica tudo bem e ele solteiro e, na teoria, em paz. Eu te agradeço por atacar de devassa nessa hora. Quem disse que o fogo da paixão não consome o rio da amargura, pode estar vivendo um tremendo momento assexuado, ou não percebeu que a raiva é combustível pro orgasmo. Acho que quase todo mundo passa por isso, ou não. Outro dia vinha do mercado, por volta de 20h ela me liga dizendo que precisava conversar e que está no meu hall. Ficou claro que por não entrar no meu apartamento usando sua chave, ela queria que tudo tivesse início, meio e fim por ali mesmo. Desde manhã eu já vinha pensando na possibilidade maluca de transar naquele espaço minúsculo da saída de incêndio, mas ela era muito relutante, cheia de pudores. Eu não podia forçar nada, por que do contrário quebraria outra fantasia, portanto segui confiante mesmo grilado como jeito que ela falou no telefone. Devia ser o nervosismo da expectativa. Ela sabia que o casal do 202 tinha viajado e essa era a oportunidade perfeita e eu cheguei.
Olhei no corredor, nada. Olhei no elevador, nada. Ela devia estar escondida, nada. 5 minutos se passaram, nada. 10, nada. Entrei em casa, malas à porta. Ela conversava com a mãe no telefone, combinando onde iria esperar pra ser pega. O que é isso, eu disse meio risonho. As vezes dava uma doida e ela queria voltar pra casa, falava que era por que estava desempregada, adicionava que ficava muito só durante o dia e que passar muito tempo ouvindo música leva ao ócio do desinteresse. Estou partindo, primeiro o meu coração ao te deixar por aqui. Depois o seu que não queria que fosse assim, mas não tem jeito. Por que ela era assim quando algo não tinha solução. Acontece que pra gente, do meu ponto de vista, sempre ia haver um jeitinho meigo de te pedir pra entender que seria difícil ficar allalone, tanto pra mim quanto pra ela.
Ouvi pela janela a buzina do carro do seu pai, já tive medo, mas não desespero. Era a primeira vez. E se foi.
Podia dizer isso, que igual a mim você nunca iria encontrar, mas isso era óbvio, somos todos distintos. Resolvi te deixar seguir. Era o certo assim, por que o melhor eu acredito que seria ficar e desprezar nossos bem entendidos desarranjos emocionais. As coisas não iam bem, não ficariam melhores e já era clichê resolvê-las na cama. Isso já tinha deixado de ser uma forma amorosa de solucionar nosso dilema de sexo maravilhoso por mais um mês ou arrependimentos, muitos arrependimentos.
Enfim, guardei as verduras na geladeira, me servi um dose de keep walking e disse pra você, mesmo sem pronunciar, que o amor é reafirmado nas perdas, por isso, naquele momento, eu te amava de verdade. Um brinde a sei lá quantos mil rancores, um milhão de sofredores e a mim, que recebi você de volta antes do dia amanhecer com a frase 'desculpa, eu nunca mais vou embora, te amo demais...' e deitou do meu lado pra dormir.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Não fiz isso antes por que deixei pra fazer agora.
"O que é que está havendo, você está estranho, meio calado esses dias, aconteceu alguma coisa?
E eu respondi na linguagem que toda menina como você entenderia: não é nada."
Eu era novato, mas a gente já tinha trocados algumas palavras gentis, além de que éramos amigos de amigos, o que me deixou confortável pra te perguntar qual era a próxima aula e em seguida procurar saber o que se fazia no final de semana nessa cidade. Você me deixou meio assustado quando falou que no sábado teria um show do Los Hermanos e que seria muito legal.
Que era uma ótima oportunidade pra fazer alguns amigos, eu não tinha dúvidas, mas eu não estava acostumado a discutir grandes filosofias e eu gostava mesmo de era de Rock. Pelo seu jeito delicado de tocar em meu ombro na hora do pseudo-convite, eu confirmei que iria.
O sábado chegou e eu não tinha muitas alternativas. Imaginei que esses shows eram parecidos com os que rolavam onde eu estava, então me vesti à caráter do que eu imaginava ser uma banda de rock-brasileiro-circense. Assim que entrei, você estava do meu lado esquerdo aos beijos com um rapaz magrinho, de cabelos pretos e que te disse 'eu te amo' como se diz 'boa noite'. É, se aquilo te fazia feliz, quem era eu pra dizer o contrário.
Invadi seu espaço perguntando se estava tudo bem e você, limpando o canto da boca, me pegou pelo braço e me fez rodar todo o lugar me apresentando todas as pessoas conhecidas.
Era óbvio que você tinha algo além do que se vê, mas além de recém-chegado, eu era um cara estranho. Por esse motivo, você vinha sempre onde eu estava e me tirava dali falando que eu não sabia curtir um show e ia acabar criando raízes.
E de tanto te olhar eu me perguntei por que não.
[eu]
Bom, julgar oportuno isso, eu não julgo. Mas que tal a gente dar uma volta nesse corredor, olhar um poucos as salas e discutir a possibilidade de deixar de lado esse monte de baboseira de ser mal interpretada e tentar ser compreendida. Sim, você me faz sorrir e mesmo sem saber tantos passos de dança quero entrar no seu ritmo. Então, vem até aqui comigo tomar um café, quem sabe parar um pouco de sorrir e ficar tímida depois do meu próximo elogio, que te compara com a última pétala de um bem-me-quer-mau-me-quer? Não posso te prometer zibilhões de calores, mas te garanto que, de todos, eu sou aquele que vai se esforçar com mais vigor em troca de umas palavras de sincero amor com você. Exagero? por que? por que não te conheço tão bem? Ah, deixa esse detalhe de tempo pra quem acredita que o tempo define amadurecimento. Você mesma tem um jeito de andar que me parece um menino, nem por isso eu deixo de notar que o seu olhar me desmonta como um quebra-cabeças.
Qual o teu nome mesmo, menino dos olhos verdes?
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Isso de não saber
"Prefiro escrever sobre o meu passado, mesmo na dor, que ficcionar um futuro cheio de expectativas. Não sei viver de sonhos, mais ainda daqueles que eu mesmo imagino. Porque, pare pra pensar, aqui dentro eu posso imaginar infinitas coisas, até que você, agora mesmo, desistiu de ter que viver com poucas felicidades pra compartilhar, e decidiu vir ser feliz comigo. Que fique entre nós; não vale a pena sonhar, por que eu quero poder me alegrar com o improvável da vida e chorar denovo, não por sofrer, mas por que nenhum sonho pode ser comparado à realidade absurda do momento em que você realmente entrará porta à dentro na minha vida e me tornará belo como fui um dia. Seja você quem for."
Ficar preso numa música é como girar numa roda gigante, e lá de cima, perceber que as coisas estão em movimento, mas você, num contexto geral, não está. Eu estava preso numa música, numa noite e numa boate de quinta. Era insuportável aquele cheiro de gelo seco, entre flashs verdes e aquele jeito de que a noite não estava boa, nem perto de regular, e que o pós-noite me traria muitas reflexões exaustivas. A primeira delas se resumia a 'multidões me apavoram'. E fiquemos por aqui.
Me acostumei com uma sensação de felizes para sempre e agora, pra onde olho, vejo um monte de pessoas estampando nos olhares 'estou em cacos, não se aproximem'. Tudo bem se você não está tão bem assim, mas me deixe em paz. Pô, eu ainda acredito no que Sinatra e Chaplin acreditam. Acredito em Deus, que as nuvens não são de algodão. Acredito que por mais foda que alguém seja, o sol sempre irá nascer e que você, por mais interessante que seja, será tratada com desprezo por alguém. E isso vai te magoar, saiba. Aprender com portas na cara não é a melhor maneira de crescer, mas se é pra crescer sendo forte, nada melhor que um pouco de amargura. Sou a favor de que pra entender certas passagens da vida, temos que enfrentar algumas portadinhas no nariz, mas viver tomando como doce, o amargo da desilusão, é não ter um pingo de amor próprio (vergonha na cara, mtv).
Olha, amores de verdade te impedem de ter amigos de mentira. E nessa vida, estamos cercados de amores de mentira e mentiras nos amores.
Reflexões à parte, preciso te contar um segredo que intitulo agora mesmo assim. Percebi que ao tentar fugir da verdade reveladora entre nós, me perdi. E daquela roda gigante, vi você partindo e não pude segurar suas lágrimas à tempo. Reclamei com um, com outro, culpei o mundo e quem girava o mundo por essa falta de timing. O culpado fui eu e eu tinha um talento incrível na hora de contornar as minhas culpas, não me assumindo num fracasso, mas inflando meu peito, só pra mim, nas vitórias.
Me poupe desse olhar de pena, prefiro seu sermão ardente do que um abraço consolador. Não preciso de consolo nem de uma pintura de palhaço triste pra que eu note que estou assim, meio torto. E você sabe muito bem do que eu preciso. Então, ignora quase tudo que eu falei meio revoltado e tira o 'ré' e o 'dó', me deixando só com o volta. E vê se faz isso logo. Não tenho mais saco pras minhas eternas e sempre mutantes desculpas por estar assim.
Eu te quero aqui agora, do meu lado. Se você sentiu isso que estou sentindo agora, é por que já
deu o que tinha de dar por aí. Zarpe, venha, sem dizer uma palavra. Você sabe como funciona, é só voltar, nem precisa pedir. Por que pra você sempre foi assim, sem precisar pedir perdão.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Apartamento novo.
(a mesma do anterior, ainda)
"Assim como você, eu te dei, até poucos momentos, todas as chances de se arrepender e tentar denovo, mas infelizmente meus limites chegaram a ceder e eu preciso pular esse abismo e te deixar por aí. Fique bem, como sempre desejei que estivesse."
Sinceramente, não pensava em me mudar. Meu apartamento era minúsculo, de uma arquitetura que falava por si, um só corredor, uma sala sem imóveis, eu sempre os mudava de lugar, reagrupava as cadeiras e o sofá guerreiro de um jeito charmoso, todo mês, pra receber a sua ilustre presença. A casa já sabia como se comportar na sua presença. Um ou dois copos de Chandon e tudo se resolvia num passe de valsa. A cozinha não era desprezada e sempre servia de palco das menos e mais ousadas tentativas culinárias, entre outras criatividades. Sabia que ia sentir falta daquele meu espaço ali no canto esquerdo do lado da estante com livros, onde me sentava quando não tinha sono, abria com cuidado a tampa do meu velho Essenfelder e tentava atropelar alguma melodia que me recordasse os seus belos passos, calçada com suas meias, pela sala. O nosso chão era de madeira, então rangia e eu já sabia que era a sua chegada na porta da frente. Logo em seguida as chaves batiam na mesa e a voz que me chamava era a mesma há muitos anos, a mesma canção nos embalava as declarações.
Talvez, se eu tivesse mais espaço, pudesse preencher com mais imóveis, posters de filmes, heróis, e não ficasse me sentindo tão enclausurado na mesma idéia de que faltava algo complicado para completar aquele vazio. Mudar não representava nada além de decidir sozinho ser alguém diferente, por que se eu continuasse sendo assim, como era, não ia conseguir esperar outra pessoa aqui além de ti. E isso era difícil, sabe. O novo prédio tinha garotas bonitas, era perto da praia, no bairro nobre. Verdade, eu cedi aos luxos que tinha um dia desprezado. Nessa nova etapa, eu quebrava minha condição de away pra esse tipo de coisa. Eram coisas animadas, mas não significavam nada comparado ao último bolo de laranja que fizemos, espremendo naquela massa nossos sorrisos.
Tinha que dar tchau à altura do que o lugar representava pra mim, então fui até uma floricultura, antes de chegarem os novos moradores, um casal de jovens, com pouco menos de 26 anos, recém casados, comprei de cada rosa umas 100 e espalhei pelos cômodos. Ah, eu não estava velho, mas você já tinha falecido e ser viúvo era chato e sem propósito. Eu precisava encontrar uma nova maneira de curtir o amor, nem que eu precisasse inspirar outros a amar. Escrevi uma carta dedicando a nossa casa assim:
"Até mais e obrigado pelos beijos."
Relato
Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...
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Keane - They Way You Want It Espiei por que todo mundo faz isso. E eu acho hipocrisia quem diz que nunca deu uma olhadinha na vida de alguém...