segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ainda dizem coisas assim

Tom Waits - If I Have To Go


"Já deixamos de ser dois há muito tempo."


Era preferível que fôssemos conhecer meus pais, mas já que você insistia que sua casa também tinha motivos pra uma conversa séria, eu aceitei. Estava disposto até certo ponto, uns beijos, conversas familiares, aquilo de toomuchinformation, depois casa e uma revista sobre imóveis. Eu podia pensar em mudar de casa, por que tinha certeza que minha parentela estava contente com o meu altar para minha última namorada. Respeito meu bom gosto, mas não sou tão fácil assim como pensa. Tenho um compromisso com Alguém, essa era minha desculpa esfarrapada pra comer sozinho, num sábado à noite. Podia me encontrar vagando por aí, mas posso te dar certeza que não era pra encontrar ninguém, senão a mim mesmo.

Sempre tentamos achar alguém pra culpar, mas eu sabia que era o réu nesse julgamento, já que nunca tinha procurado alguém pra ficar junto desse nosso jeito. Quando você fala em casamento, muitos se esquivam e eu estava interessado em alguém pra partilhar um banheiro, uma reforma e uma espera de nove meses. Então, não custava nada, pra mim, dispensar algumas dessas de maneira rude. Já haviam me dito que não queriam filhos, não pensavam em casar, nem em ficar sem sexo por mais de uma semana. Não são mulheres pra mim, não passavam de pares de pernas bonitas, uns sorrisos sexys e um hora de banho de arrependimento.

Isso vai soar imprevisível, mas eu tinha esperança de não me apaixonar por você tão cedo. Acho que ninguém planeja isso, mas eu era do tipo ousado. Cabelos curtos, nariz empinado, franja reta, sorrisinho meio amarelo, um brilho honesto, sem tintura, sem trejeitos, meu preferido, a cor da coisa toda não me importava, se você acha que sim, pergunte-se por que ainda uso óculos. Ainda estava aqui de pé, no piano, esperando meu primeiro beijo. E eu me apaixonei pela idéia de que você também estava assim, esperando por mim.

Ficamos meio de lado, olhando pra sua mesa toda bagunçada com canetas, maquiagem, algumas caixas de filmes abertos. Sua boca falante se movia contando tudo sobre um box do Harry Potter que você tinha comprado, depois sobre o que seu pai achava da gente.

VOCÊ: Quando você falou comigo, sabe...eu, fiquei um pouco tímida de abrir denovo a caixa de mensagem.
EU: Eu fiquei com medo da sua resposta.
VOCÊ: Medo de quê? Você realmente achou que eu ia achar você maluco demais? Por que foi exatamente o que eu pensei..(ela gargalhou)
EU: É o que sempre acontecia. Acho que ser direto demais, assusta...eu te assustei?
VOCÊ: Não, era quase o que eu precisava.
EU: Quase?
VOCÊ: É que só virou 'tudo' quando descobri um texto "não há motivos pra tanto".
EU: E o que ele diz lá?
VOCÊ: Que sou eu.

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