Luísa - Um Beijo
A gente tinha o costume de dizer que seriamos namorados, um dia, coisa de criança na quarta série.
Sentávamos lá em cima na escada, escondidos dos professores e olhares dos amigos, até andávamos de mãos dadas, mas não podíamos nos beijar, beijo era coisa de adulto.
Chegamos na sétima série e descobrimos uma salinha que no recreio ficava aberta, onde rolavam as aulas de inglês, foi quando esse namoro infantil acabou rapidinho.
Ficávamos de olhos fechados e aleatoriamente escolhíamos alguém dentre as meninas pra beijar.
Por algum motivo, algo que eu nunca esperei, a ordem das meninas mudou e eu acabei beijando você.
Acho que a primeira vez foi estranho. Eu era um palmo menor, então eu quem ficava sentado na mesinha do sala.
Aposto que se assustou tanto quanto eu. Ninguém sabia o que aquilo significava, mas nunca foi só um beijo.
E só depois de alguns anos percebi o que aquilo significou e o que poderia ter sido se a gente tivesse entendido. Gostamos tanto de nos beijar, que um selinho sem culpa virou um beijo de gente grande com direito à alguns sorrisos e selinhos antes afastarmos nossas bocas.
Repetimos aquela brincadeira algumas vezes ignorando o óbvio. No futuro isso ia ser lembrança ou saudade.
O nosso beijo foi curto demais pra entender e longo demais pra esquecer.
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