terça-feira, 22 de novembro de 2016

Eram vermelhas ou verdes?

Winger - Headed For A Heartbreak

"Esses dias ela surtou e saiu com ele quase todos os dias. Enquanto todo mundo fingia não saber, ela fingia não estar dormindo com ele.."


A gente chegou a conversar bem, mas não foi o suficiente pra ter interesse. E também, era difícil, naquele tempo. É, naquele tempo o trabalho já vinha abarrotando minha cômoda e o mais próximo de se importar com minha situação, era a vontade de limpar aquela bagunça e servir um jantar pros amigos que eu já não via há uns quatro meses. Caminhando pra casa, dava pra pensar em como por as coisas no lugar e como me desculpar por tamanha falta de interesse, mas eu não tinha interesse em fazer isso, pelo menos não ainda. Até pedir uma pizza vinha com complicações. Sim, eu me estirava no sofá esperando o delivery e a tv fazia seu papel de ninar com tanta bobagem plástica. O cara chegava, tocava a campainha, batia na porta, xingava e depois desistia. Não me identificava com aquilo de desistir, mas eu tinha desistido de procurar você por aí. O que me fazia torcer pro random sort. Acontece que do jeito que eu estava, você precisaria aparecer na minha porta sendo o entregador da pizza que eu não mais encomendava.
A verdade é que eu não prestei muita atenção no que você dizia e, a gente precisa concordar, que pra quem não troca de meias há uma semana, aceitar sua sugestão de reformar meu ap era surreal e cansativa. Eu não tinha notado, no tempo, mas ou você tinha me adorado como ouvinte ou era a "madre teresa dos aps desatre". E foi aquilo pela noite toda, entre uma cerveja e outra. Eu queria flertar, mas você estava fazendo um ótimo papel de Ty(extreme makeover) e, imaginativo como sou, deixei o álcool agir naquela possibilidade remota de reforma e troca das cortinas.
Choveu de manhã, que não consegui chegar ao trabalho. Criei coragem de juntar as roupas jogadas e uma coisa levou a outra. Fiz uma faxina modesta com foco na sala, pro ap ficar pronto pra outro jantar daqueles. Você viria? Não sei, mas também não pensei mais do que o tempo que levei pra tomar um banho e escovar os dentes e me vestir e tomar café e ir até o trabalho. Quando percebi, tinha passado o dia puto de raiva por não ter ficado sóbrio e olhado melhor seu cabelo. Era uma trança ou enroladinho? Que era pintado eu sabia, mas será que natural não seria melhor?
Avisei a todos, muitos vieram e você não veio. Acontece, fazer o quê? Afinal, vez ou outra, precisava de um fora. Você não foi, mas eu comecei a planejar a reforma. Só não lembro a cor das cortinas que tinha me sugerido. Eram vermelhas ou verdes?




terça-feira, 15 de novembro de 2016

O primeiro a escrever sobre isso

 O primeiro presidente negro, a primeira mulher presidente, presidenta também, o primeiro operário presidente, analfabeto também, o primeiro gay deputado e por aí vai. Na minha vasta experiência em não ser o primeiro em nada, dependi dos outros pra ser quase tudo que sou, e ainda assim não sei se sou alguma coisa. Cada ano que passa, no meu aniversário vão menos amigos. No natal as festas são mais intimistas. No trabalho, faço mais minha parte e olho menos para o lado. Talvez isso seja uma consequências de todo mundo querer ser o primeiro em tudo, até em ser o primeiro homem a cruzar o oceano atlântico. O homem quer ser o primeiro na própria vida também e isso deixa todo mundo longe. Pra ser o primeiro em fazer algo, tem que ser solitário, individualista e egocêntrico, não importa o tamanho do seu ego, apesar de que isso está ligado aquilo. Não restam mais pódios para conquistar e o homem cria mais. O primeiro a comprar o celular, a primeira mulher a transar com 100 homens num dia, o primeiro maratonista aleijado. Na tentativa de diminuir tamanha disputa pelo primeiro, tentando dar um ar lúdico e trazer o educativo pras disputas. E o amor vai diminuindo, a razão humana vai saindo e daqui a pouco seu filho com 4 anos quer ser melhor que você, quando a admiração seria um melhor foco. Ninguém sabe porque, só sabe como fazer. Bem vindo a revolução.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A Escola da Vida

Nas férias eu costumava ficar em casa com meus pais durante o dia e a noite no mIRC, tentando baixar alguma música no #mp3metal e jogando no #questionario. Randomizava no #kh e tentava puxar assunto com algúem desconhecido, na esperança de que encontraria minha alma gêmea num chat online.
Daí, numa tarde, enquanto estava desconectado, o telefone do meu quarto tocou e, sem brincadeira, passei umas 3 horas conversando com ela. A gente falou sobre, cara a gente falou muito. Lembrar de tudo seria genial, mas certas coisas a gente esquece mesmo. Faltava uma semana pra gente retornar às aulas e o combinado era eu levar um foto minha pra ela e ela me daria uma de volta. Achei aquele gesto tão dela, tão sincero, que escolhi minha foto melhorzinha pra levar.
Nos encontramos e ela ficou com minha foto, mas não me deixou levar aquela preto e branco de perfil. Fiquei triste. Senti que tinha deixado meu coração com alguém e esse alguém o levava pra longe. Não nos falamos mais e tudo ficou nublado durante meses. O ano passou e eu tentei passar. Ela mudou de colégio, com novos amigos. Outros ares. Seu telefone mudou e o meu nunca mais tocou. Eu não passei, reprovei.
Em casa, num banho, supliquei pra esquecê-la. Sem sucesso. Ainda doeu durante um grande pedaço da minha adolescência e início de vida adulta. Pedi denovo uma solução e nessa altura da vida, só uma intervenção podia me tirar daquele tornado. Era ouvir seu nome ou que estava por perto que minha perna pensava ser um macarrão e ficava molenga molenga. Sem sucesso denovo. Aí eu larguei mão e toquei do jeito que tava mesmo. Escrevi muito sobre isso no passado e até hoje escrevo, mas nunca entendi, mesmo depois que ela me explicou tudo. Quando deixei de esperar, Ele interveio e me tacou uma rajada de luz naquele menino escuro, atrasado e perdido. Deu tudo certo pra mim. Deu tudo certo pra ela. Deu tudo certo.

Verdades

"li um bocado seu diário e vi que você tem tudo que eu detesto numa garota, principalmente a parte que me fez amar você."

Nem sei quando virei tão covarde. Faz tempo que esqueci o que era falar sem pensar, criar sem limites, gastando vida e mana com trabalho bobo, sem graça. Não me entendam mal, eu adoro trabalhar e aceito o meu com todo suor e coração. Porém esqueço que quanto mais multiplico cifras(só um jeito de dizer, eu também não consigo as multiplicar), diminuo o meu Amor pelos que estão próximos. Essa última semana foi uma prova disso. Briguei com todo mundo e fiquei com o peito pesado de tanto arrependimento. Venho ficando fraco e esquecido. As cobranças cotidianas surgem pra tirar o meu restinho. De um lado empurro alguém pra frente com meu resto de inércia, de outro os vejo ir pra longe.

"..e eu perto aqui estou denovo da ponte."

Foi eu sair um pouquinho de mim, que ela veio lembrar onde é o meu lugar.
Estou tagarela, poço de piadas idiotas e pensamentos errados.
Quero contar pra ela por que estou assim e não tenho coragem, nem jeito. Dá uma dor esconder até passar, mas não passa. Dessa vez tá demorando pra ir, está criando raiz, raízes.

Nem sei quando foi a última vez que fiquei de noite aqui, nem quando foi que enterrei tanto um sentimento.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O tempo mesmo.


De vez em quando eu penso em como seriam as coisas se eu tivesse vencido meu egoísmo e ignorado certos defeitos de algumas ex-namoradas e tivesse ficado com elas.
Pensando nisso, resolvi escrever sobre como eu acho que estaríamos hoje e o resultado não é muito encorajador, acredite em mim. E me sinto agradecido em não ter feito esse sacrifício, por mim e por elas. Nenhum dos dois merecia tal desencanto com a vida.

Vou começar pela segunda.

Éramos jovens e as circunstâncias me levaram a crer que seria legal passar um tempo com ela.
Numa barraca de camping nos beijamos e tudo me fazia acreditar num futuro bacana. Não foi nada platônico, mas ela era muito carinhosa.  Descobri à força que o melhor solvente não é a água, mas o tempo. Quando ele entra na parada, o fogo vira brasa, a tempestade vira garoa e o tesão, provavelmente, viraria cobrança. Sim, o sexo seria com dia e hora marcados ou descompromissado.
Você pode estar pensando que eu não posso afirmar isso, mas eu posso sim, nós tentamos chegar lá.
Na nossa primeira oportunidade, numa festinha na casa dela, tentamos nos  pegar um pouco, o que nos levou ao quarto de sua irmã. Lá, onde tudo parecia perfeito pra acontecer, o telefone tocou e eu fiquei uns 40 minutos numa espera rígida e angustiante.
Alguns anos depois nos encontramos e a situação me levou a dormir na casa dela. A cena toda se repetiu, mas com um pequenos agrado diferente, que me fez concluir que não daria certo. O que um dia foi fogueira virou geleira. O futuro que imaginava pra gente seria cheio de amizade e ternura, ideais e quebra de paradigmas. Um mundo mais humano, no sentido social, um dia a dia mais trabalho e menos planos. Cedo ou tarde ela ia perder uma pessoa importante em sua vida e eu não saberia como lidar ou ajudar naquele momento, afinal nem com minhas perdas me importo tanto assim. O egoísmo fala mais alto, sempre. Preciso mudar, eu acho.
Ah, com a primeira nem passou dos beijos. Lembro que um vez levantei um pouco a camisa dela, de brincadeira pra ver sua barriguinha que eu achava linda. Ela ficou tão acanhada, que eu me limitei a conversar sobre meu skate, pra evitar pensar como  os seios dela seriam legais de tocar. Era tudo tão platônico, que no primeiro filho todo desastre amorífero perdeu o sentido. Quando o segundo chegou, percebemos que nunca houve amor, era mais um jeito adolescente de interpretar errado as coisas e hoje trocamos poucas palavras. Filho muda tudo, ou é o tempo mesmo.


Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...