segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A Escola da Vida

Nas férias eu costumava ficar em casa com meus pais durante o dia e a noite no mIRC, tentando baixar alguma música no #mp3metal e jogando no #questionario. Randomizava no #kh e tentava puxar assunto com algúem desconhecido, na esperança de que encontraria minha alma gêmea num chat online.
Daí, numa tarde, enquanto estava desconectado, o telefone do meu quarto tocou e, sem brincadeira, passei umas 3 horas conversando com ela. A gente falou sobre, cara a gente falou muito. Lembrar de tudo seria genial, mas certas coisas a gente esquece mesmo. Faltava uma semana pra gente retornar às aulas e o combinado era eu levar um foto minha pra ela e ela me daria uma de volta. Achei aquele gesto tão dela, tão sincero, que escolhi minha foto melhorzinha pra levar.
Nos encontramos e ela ficou com minha foto, mas não me deixou levar aquela preto e branco de perfil. Fiquei triste. Senti que tinha deixado meu coração com alguém e esse alguém o levava pra longe. Não nos falamos mais e tudo ficou nublado durante meses. O ano passou e eu tentei passar. Ela mudou de colégio, com novos amigos. Outros ares. Seu telefone mudou e o meu nunca mais tocou. Eu não passei, reprovei.
Em casa, num banho, supliquei pra esquecê-la. Sem sucesso. Ainda doeu durante um grande pedaço da minha adolescência e início de vida adulta. Pedi denovo uma solução e nessa altura da vida, só uma intervenção podia me tirar daquele tornado. Era ouvir seu nome ou que estava por perto que minha perna pensava ser um macarrão e ficava molenga molenga. Sem sucesso denovo. Aí eu larguei mão e toquei do jeito que tava mesmo. Escrevi muito sobre isso no passado e até hoje escrevo, mas nunca entendi, mesmo depois que ela me explicou tudo. Quando deixei de esperar, Ele interveio e me tacou uma rajada de luz naquele menino escuro, atrasado e perdido. Deu tudo certo pra mim. Deu tudo certo pra ela. Deu tudo certo.

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