terça-feira, 15 de novembro de 2016
O primeiro a escrever sobre isso
O primeiro presidente negro, a primeira mulher presidente, presidenta também, o primeiro operário presidente, analfabeto também, o primeiro gay deputado e por aí vai. Na minha vasta experiência em não ser o primeiro em nada, dependi dos outros pra ser quase tudo que sou, e ainda assim não sei se sou alguma coisa. Cada ano que passa, no meu aniversário vão menos amigos. No natal as festas são mais intimistas. No trabalho, faço mais minha parte e olho menos para o lado. Talvez isso seja uma consequências de todo mundo querer ser o primeiro em tudo, até em ser o primeiro homem a cruzar o oceano atlântico. O homem quer ser o primeiro na própria vida também e isso deixa todo mundo longe. Pra ser o primeiro em fazer algo, tem que ser solitário, individualista e egocêntrico, não importa o tamanho do seu ego, apesar de que isso está ligado aquilo. Não restam mais pódios para conquistar e o homem cria mais. O primeiro a comprar o celular, a primeira mulher a transar com 100 homens num dia, o primeiro maratonista aleijado. Na tentativa de diminuir tamanha disputa pelo primeiro, tentando dar um ar lúdico e trazer o educativo pras disputas. E o amor vai diminuindo, a razão humana vai saindo e daqui a pouco seu filho com 4 anos quer ser melhor que você, quando a admiração seria um melhor foco. Ninguém sabe porque, só sabe como fazer. Bem vindo a revolução.
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