quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O tempo mesmo.


De vez em quando eu penso em como seriam as coisas se eu tivesse vencido meu egoísmo e ignorado certos defeitos de algumas ex-namoradas e tivesse ficado com elas.
Pensando nisso, resolvi escrever sobre como eu acho que estaríamos hoje e o resultado não é muito encorajador, acredite em mim. E me sinto agradecido em não ter feito esse sacrifício, por mim e por elas. Nenhum dos dois merecia tal desencanto com a vida.

Vou começar pela segunda.

Éramos jovens e as circunstâncias me levaram a crer que seria legal passar um tempo com ela.
Numa barraca de camping nos beijamos e tudo me fazia acreditar num futuro bacana. Não foi nada platônico, mas ela era muito carinhosa.  Descobri à força que o melhor solvente não é a água, mas o tempo. Quando ele entra na parada, o fogo vira brasa, a tempestade vira garoa e o tesão, provavelmente, viraria cobrança. Sim, o sexo seria com dia e hora marcados ou descompromissado.
Você pode estar pensando que eu não posso afirmar isso, mas eu posso sim, nós tentamos chegar lá.
Na nossa primeira oportunidade, numa festinha na casa dela, tentamos nos  pegar um pouco, o que nos levou ao quarto de sua irmã. Lá, onde tudo parecia perfeito pra acontecer, o telefone tocou e eu fiquei uns 40 minutos numa espera rígida e angustiante.
Alguns anos depois nos encontramos e a situação me levou a dormir na casa dela. A cena toda se repetiu, mas com um pequenos agrado diferente, que me fez concluir que não daria certo. O que um dia foi fogueira virou geleira. O futuro que imaginava pra gente seria cheio de amizade e ternura, ideais e quebra de paradigmas. Um mundo mais humano, no sentido social, um dia a dia mais trabalho e menos planos. Cedo ou tarde ela ia perder uma pessoa importante em sua vida e eu não saberia como lidar ou ajudar naquele momento, afinal nem com minhas perdas me importo tanto assim. O egoísmo fala mais alto, sempre. Preciso mudar, eu acho.
Ah, com a primeira nem passou dos beijos. Lembro que um vez levantei um pouco a camisa dela, de brincadeira pra ver sua barriguinha que eu achava linda. Ela ficou tão acanhada, que eu me limitei a conversar sobre meu skate, pra evitar pensar como  os seios dela seriam legais de tocar. Era tudo tão platônico, que no primeiro filho todo desastre amorífero perdeu o sentido. Quando o segundo chegou, percebemos que nunca houve amor, era mais um jeito adolescente de interpretar errado as coisas e hoje trocamos poucas palavras. Filho muda tudo, ou é o tempo mesmo.


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