Cogumelo Plutão - Esperando na Janela
"22 anos, amarga, três tatuagens borradas, olhos pretos, coisas demais na cabeça, coisas de menos no peito, câncer de vida, saudade, desconforto, batom mau passado, unhas sujas, deitada, cama bagunçada, cama dele, sonhos dela, perdida, rua escura, latas de lixo, fedor noturno, lembranças, perdas, rabiscos, cadernos rasgados, website de compras aberto, vontade acumulada."
Chega.
E quem pode dizer quando tudo chega ao fim? No meio de tudo, no olho do furacão que as coisas vem à tona. O cheiro que deixou no travesseiro, o recado que ficou no espelho, as mãos atadas à cama, o espaço vazio da sala, a louça suja do jantar e um peito que não sabe mais chorar direito. Tão abafado pela vergonha, pelo tempo que ficou sem saber o que era estar só, que ficou fraco. Coração nenhum fica forte depois de sofrer muito, é como se o mais íntimo contra-ataque fosse fazer acreditar que não chorar é superar a falta, quando na verdade isso te torna o maior covardão da rua.
Coisa ruim é de costume por pra fora, mas o Amor mesmo a gente engole em soluços.
É assim.
A gente se conheceu, jurou tudo eterno, perdeu a noção, fez o que devia e o que não, você alargou dois furos na orelha e meu sorriso, me deu uma chance. Até que estrapolamos a condição de ser só nosso e explodimos num fim repentino quando a gente cresceu. Que droga, crescer sempre estraga o barato das coisas.
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