domingo, 10 de fevereiro de 2013

Paralelas


Gran Torino




"Como é perversa a juventude do meu coração, que só entende o que é cruel, o que é paixão..."



Nesse trecho perdido, que as paralelas dos pneus traçaram no caminho até sua casa, deixei tocar suavemente algumas daquelas batidas perdidas do jazz da meia-noite. Realinhei e tentei desviar, nossa ligação caiu debaixo de um dos bancos, os papéis voaram janela à fora e um tal de coração apertou no mais longe desejo de te dizer que agora era a hora, a última hora.
Conforme tudo ia girando, girando, rápido, mais a inércia nessa fórmula me deixava como uma daquelas suas panquecas amassadas, que eu adorava e já sentia falta. Muitas lembranças me ocorreram. Todos os nossos primeiros, segundos e terceiros. Todos os últimos e os que nunca seriam.
Tive que deixar as cicatrizes, os estilhaços e recortes para o seu soluço contido, quando me achou deitado ao sono eterno, de mãos dadas em rosto pálido de tanto seu.
Até que, meio sem jeito, alguém que eu já me esquecia quem era, me chamou de filho e te entregou nossa despedida, por mim.



Ainda sinto sua falta, mesmo no eterno leito de incertezas. Volta, que o nosso mundo é muito mais do que as coisas que dizem que vamos deixar pra trás, ficando juntos. 


                                       

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