Alexandre Nero - Não Aprendi Dizer Adeus
"Entre os sonhos, existe aquele que finjo esquecer, o fim."
Espremer, talvez espremer fosse a maneira que a gente encontrou de se acomodar . Nisso as coisas se esvaíram, o doce se foi com as constantes promessas, e o macio não durou tanto quanto a casca declarava em algo amadurecido. Nem sei quando começou, se foi na descida da escada, se foi quando ouvi dizer, se foi porque eu era parecido com alguém, ou se simplesmente agi com o coração e no meio da maior bobagem que falei, roubei seu coração, instalando bem dentro da gente o medo de acabar algo que nem entendíamos o que significava. Mas algo começou quando me dei conta de que tudo poderia acabar. Funciona assim, não tem jeito. Você está amando alguém? Eu costumava me fazer essa pergunta toda manhã, quando, me arrumando pra escola, imaginava os nossos olhares cruzando as mesmas impressões do mundo, talvez até alguns mesmos anseios e sonhos. Ela está me amando! Eu costumava me render a essa certeza estúpida, que jamais estaria no meu controle. Acontece que a gente pensa mais na negativa. É uma maneira da gente ser o sábio-interior a dizer "eu sabia..eu te falei...", e é exatamente por isso que quando alguém vem com aquela conversa de auto-ajuda, a gente sempre despreza, por que no fundo a gente já sabia desde o começo pra onde aquilo ia levar. No silêncio da dor, naquela hora distraída que a lembrança passa pela realidade, te afogando numa saudade impossivelmente recente, talvez você encontre e aceite certas verdades. Quem sabe o tempo seja mediador dessas pequenas-grandes sensações, desses monumentais-ínfimos momentos, e ele sirva pra tornar tudo ameno, melhor desprezível. Enquanto isso,a vida vai passando e as novas oportunidades vão ficando ancoradas junto aos planos, outrora definitivos, mas agora bobos que fez a alguém que já não faz parte do presente. E quem pode nos dizer quando foi que isso deixou de ser presente? O tempo não passa a gente, é a gente que passa o tempo.
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