domingo, 27 de novembro de 2011

Nesses dias

"Alô, amor. Levei uma pancada no nariz e ele quebrou. Tô no hospital. Tá doendo pouco, mas vou precisar parar de treinar por uns dias. Como assim, acabar!?"



Parti sem rumo, só precisava andar. Duas, três quadras, quantas fossem necessárias pra um novo sangue circular nas minhas veias. Quando eu pensava muito em você, sempre saia pra caminhar. Minha mente idiota ainda tentava contornar a situação, e não há como ser mais esperto que o amor, ele não tenta, ele consegue. Podia jurar que escrever demais podia me levar até você, que de certa forma, estava por aí, louca pra encontrar um cara assim como eu, cheio de histórias repetidas e um gosto anormal pelo que não se aproxima da realidade. Meu distintivo era da tropa estelar, meu sonho eram filhos, e eu esperava que nesse distúrbio social, ainda existisse alguém pra tirar vantagem das minhas manias e do meu horário sem roteiro.
Sei que deve haver milhões de pessoas pelo mundo que nunca deixaram sentimentos partir, eu podia ser seu líder. Enfim, te conheci.

Depois de uma busca singela e ansiosa, consegui um jeito de te chamar pra um cinema. Eu nunca fiquei tão nervoso num telefone, mas eu sabia que aquela atitude marcaria pra sempre minha personalidade controversa, é que desde então tenho vivido de uma forma truculenta, mas saímos no dia dos namorados, e o cinema estava muito frio. Se não fosse o beijo, teria continuado assim. Não sabia direito como andar de mãos dadas com alguém, mas eu sabia que pra sempre iria confundir aquele toque com outras mãos. Isso nunca iria ser esquecido. Se ainda existia algo bom dentro de mim, foi depois disso que descobri. Hoje tenho 25 anos, coisa demais aconteceram, agora mesmo uma conversa se desenrola sobre relacionamentos e eu me pergunto se você ainda espera algum tipo de sinal místico pra estar aqui. Depois de um tempo deixei você partir, fiquei excluso e toquei a vida pra frente, arrumei confusões, namoradas, casos, me meti em novos buracos, enfim, esqueci que um dia fui um pedaço de alguém tão importante no mais importante contexto terreno. Agora eu quero um ticket pra fora dessa idéia que me persegue constantemente. Estou tentando deixar de dedicar alguns textos e poemas, pra lembranças que só fazem parte de um álbum que nunca chegamos a começar. Terminei de montar o quebra-cabeças sozinho, pra ter certeza de que na época, éramos nós os que precisavam de um encaixe perfeito. Te agradeço pelas recordações nas escadas, nos elevadores, nas mensagens, nas saudades, essas memórias me ajudam a acreditar que eu ainda posso sentir um tremendo amor. Mas faço questão de rasgar aquilo que um dia foi motivo de tristeza pras nossas vidas. Pelo amor ainda guardo a pulseirinha de braço, alguns utensílios domésticos e as letras das músicas que me ajudou a compor, que você me pediu pra nunca mais tocar diante da nossa presença.

Chegamos a esse momento, em que parte se converge e parte se dispersa em tudo que pensamos. Se eu soubesse onde isso ia nos levar, talvez pudesse pensar mais, mas já pensei tanto na vida, nas dores, num futuro que eu já não sei mais o que significa, que deixo ao encargo desse dilema.

Um comentário:

  1. "Porque metade de mim é o que eu penso,
    mas a outra metade é um vulcão"

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