Digamos que você me desse mais um tempo,
mais uma chance de falar denovo.
Eu começaria por aquilo que faltou ser dito
e daí partiríamos, mais uma vez do fim.
Seria preciso coragem pra subir essa muralha,
tão alta que mesmo num inverno seria possível ver o sol.
Coragem suficiente para viajar pelo mundo, sem grana,
sem comer, se conhecer, sem razões para dormir,
pensando em você.
Vendo o que hoje é capaz de fazer, dizer e escrever,
eu sinto que nada tenho a acrescentar e quase nada para
imaginar, talvez nenhum desejo.
Eu gostaria que você tivesse sido mais aberta, mas
não do tipo que só joga conversa fora com esses seus lindos lábios.
Gostaria de ter aprendido mais com seus olhares, mas distante das outras pessoas, sabe.
Talvez assim você tivesse me contado seus segredos,
o mundo que carrega nas costas por ser assim sensível.
Talvez eu pudesse ajudar de alguma forma, pois esse peso não é fácil, eu sei,
mas nunca se sabe.
Quem sou eu pra entender sobre seus problemas e conflitos.
Sou um cego para o que você tinha a mostrar.
Fiquei esperando que me contasse e nunca perguntei.
segunda-feira, 12 de julho de 2021
Cinzas de ouro
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