quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Um novo passante

Uma tarde estranha me tira o ânimo e eu começo a me perceber um bicho desconexo, onde não sei se fujo dos meus monstruosos pensamentos ou se busco um pote de ouro entre tanta imaginação.
É, o que seria da gente se toda frase já fosse a nossa própria explicação sobre tudo.
Um livro só de sumários, tópicos e glossários. Claro, se quiser saber sobre o que eu acho do amor pule para a página 33, meus rancores na página 50 e meus planos para a 92. 
Sem as infindas páginas de devaneios seria apenas uma lista de capítulos. 
A geometria das pessoas já começa a ficar indecifrável, suas respostas são curtas e sem propósito definido. A biologia dos gestos não tem gosto, emoção ou significado.
Há poucos românticos entre nós e esses já nem se lembram do sabor do primeiro beijo. 
Eu quis mais que te conhecer, além, ser capaz de fechar os olhos e te reconhecer. Ter detalhes sobre o dia, a noite e a madrugada. 
Eu costumava olhar janelas e pensar no amor da minha vida, ali...o que estaria fazendo? 
Então nos restou o amargo presságio, onde muitos passam e se vão para apunhalar com as armas que imploraram não existir.
Eu sou uma ponte, pode passar.



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