Nunca consegui me afastar completamente de alguns sentimentos. Acho que, de certa forma, meus pensamentos faziam mais sentido quando lembrava que a maioria desses sentimentos me tornaram quem sou hoje e por isso sou grato.
E por nunca ter me afastado completamente, quase que normalmente eu viajo por esses sentimentos. Visito os lugares em que eles nasceram, de ações juvenis e expectativas surreais, mas também onde eles foram enterrados, dentro de caixas com cartas, fotos três por quarto e antigos cadernos.
Percebi, então, que muitas lembranças são como sombras. Fico de luto por algumas palavras que deixei de dizer e um tiquinho depressivo.
Por essa situação acabo sendo um pouco apegado, ciumento, possessivo e infantil.
Invento razões para acreditar que briguei com alguém, escrevo umas cartas sem nexo, simulando uma discussão, me deixo viver em uma outra realidade imaginária, em que estamos juntos e que eu não deixei você ir embora da minha vida.
Nisso, vou juntando um montão de improbabilidades pra construir esse universo íntimo, uma face que só eu mesmo conheço, ninguém mais.
segunda-feira, 3 de junho de 2019
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