Tom Jobim & Dolores Duran - Por causa de Você
"E o que não se resume nos consome..."
Estava de olho numa camisa, em pé diante da vitrine. O que passava na minha memória não conseguia se resumir. Todo recreio eu seguia o mesmo ritual: sorvete de flocos com jujuba. Todo dia te oferecia e todo dia você negava. Todo dia nos pediam beijos e todo dia eu tinha vergonha, timidez. Entrei e comprei. De cara detestei como ela ficou em mim, então larguei na gaveta e fui até o sofá conferir alguma coisa interessante na TV. Nada. Peguei o celular pra verificar os emails e nada. Abri a rede social e nada, nem você. Alguns meses cinzas se passaram e em linhas paralelas nos desalinhamos. Carregados, nos olhávamos numa sensação que misturava a saudade e a ansiedade. Dai, em flashs, você me via criar uma muda de laranja. Daqui nada, eu via um monte de fotos de felicidade e pouca felicidade de fatos. Arrumei um trabalho longe de casa e tive que me mudar, o meu contato social se resumia à uma ligação ou outra pra regarem minha muda, que se calou com a música e a falta de sol, murchou. Sempre lembro do recreio e daquela época, da troca com gosto de canela, do toldo azul.
Hoje você está indo, mas amanhã há de voltar, por que o Amor também é não conseguir dizer adeus, seu nome sem lembrar do meu.
domingo, 13 de abril de 2014
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