sábado, 19 de outubro de 2013

I'm Glad It's Over

Blind Guardian - The Bard's Song



"There's a cold voice on the air
You've been looking everywhere"


Estava frio, não como nos dias frios, estava denso, não como nos dias carregados. Era um grupo de cinco, mas não cinco em um grupo. Era difícil definir que tipo de coisa buscavam, para onde iriam e onde toda aquela última noite iria os levar. Tantas missões fizeram do companheirismo algo abstrato. Sabiam que a sobrevivência dependia de todos, mas tanto tempo longe de casa, longe dos próprios objetivos, próximos de tanta farsa e mentira, deteriorou-se aquele sentimento de equipe e o que restou podia explodir a qualquer momento.
Há meses, o grupo liderado por um homem de meia-idade, completamente desconhecido, havia saído contra o tempo, caçando uma mensagem que não deveria chegar ao destino. A ordem era de impedir a sua entrega, mas impedir, dentro de um bando de mercenários, tinha múltiplas interpretações, que com certeza não seria escolhida da melhor forma.
O contratante tinha dado poucas informações. Era preciso descer a estrada no sentido sul e procurar um sujeito contrabandista, nômade e estaria na Doze Pontas. Acontece que a feira era algo desconhecido e os poucos que ouviram falar dela estavam presos ou condenados às minas ao norte. Ir ao norte era ir contra o caminho, portanto ao sul, mesmo sem saber onde e como, era a melhor opção.
Os dias passaram rápidos nas primeiras semanas. Nessa época do ano as estradas estavam movimentadas, era impossível passar mais de dez horas sem cruzar com uma ou mais pessoas viajando ou em comércio. Latoeiros, cobradores, sentinelas, completos estranhos, suspeitos.
Já era perto da hora última e o líder estava de guarda, enquanto três dormiam e a garota escrevia próxima à fogueira. Estava frio, não como nos dias frios, estava denso, não como nos dias carregados.

- Garota...faça silêncio com essa pena... - virou-se para o lado esquerdo e tentou sentir algo no ar, a garota se virou na mesma direção e um silêncio se instalou entre os dois.
- O que você ouviu? - disse com ar de preocupação e atenção.
- Nada. Senti. Esconda seus cabelos, estão me atrapalhando. Rápido! - ela levou as mãos aos cabelos e os amarrou, colocando-os por dentro de seu capuz.
- Está vindo mais ao norte. - disse ela cerrando os olhos e levando as mãos às orelhas.
- Você pode ouvir? - Perguntou o líder, que de imediato e sem alarme acordou os outros três.
- Sim, ainda está muito longe, mas quando o Sr. os sentiu, fez com que eu me concentrasse para perceber. O som está abafado, não posso dizer o que é ainda, mas a essa hora, não posso descartar a possibilidade de algo nada amigável.

Ambos permaneceram em silêncio por um longo momento e os que estavam deitados não se moveram. Experientes, apenas abriram os olhos e se utilizaram, cada um, de seus trunfos para tentar entender o que estava havendo.

- Sr.... - falou apressado, um dos homens deitados - mais ao sul, nessa trilha, podemos nos abrigar numa ruína. Não podemos nos arriscar num confronto à céu aberto.
- Não. De ruínas vivem os mortos e eu não pretendo me juntar a eles. Não essa noite.
- Mas...Sr...devemos nos proteger, não sabemos o que são, quem são e o que querem. - tentou argumentar.
- Devemos ir, Sr. - disse a garota - são um grupo de seis e estão se aproximando, devem ter se dividido para nos cercar. Sem lua não temos luz suficiente para nos prevenir de uma surpresa desagradável.



 Relutante os cinco se levantaram e apressaram o passo em direção às ruínas.

Parecia um templo, grandes colunas redondas e rachadas, duas escadarias de ambos os lados, que indicavam entradas e corredores laterais, mas sem entrada. Só escombros. Uma pequena cúpula ainda resistia ao avanço da mata nascente, porém não passava de um pequeno teto onde nem dormir seria uma boa escolha.
O grupo se posicionou tentando ter visão para todos os lados e o líder montou guarda na cúpula redonda. Ficaram ali por horas em silêncio absoluto, até que sol se revelou no horizonte.
Os cinco se reuniram na cúpula, quando foi justo que não havia mais risco e todos se olharam assustados e impressionados. Conforme os primeiros raios de sol  surgiam, os restos do que era um antigo templo, refletiam os feixes, iluminando às colunas e paredes caídas. As estruturas pareciam vivas e resplandeciam em contato com a luz alaranjada do sol nascente.

dia 3, recém manhã, templo de sol, Ayrine.








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