Keane - Snow Under
"da mesa dava pra te ver, sentada, de pernas cruzadas, olhando pra mim..."
Foi aos poucos, mas a gente voltou a se falar, e rir de algumas bobagens também voltou a fazer parte da estranheza que era te ver por ali denovo. Quando eu pensava no que tinha acontecido, ainda ficava um pouco indigesto, afinal eu adorava te ter por perto e agora eu só gostava. Há um abismo entre essas duas pontas, porque numa delas eu seria capaz de pular de um trem só pra te devolver o que você tinha esquecido, em outra eu só gritaria te chamando atenção pra dizer que o show, que não nos encontramos, foi chato. Saber que estava ficando tudo bem me deixava menos confuso, menos idiota, menos calmo também. Aconteceu, sabe, e não querer te ver por um tempo só me serviu pra perceber que uns quilinhos a mais te deixava redondamente desejável e não feia como todos aqueles idiotas te diziam.
Quando você ficava bonita demais, minha atenção perdia o foco no que realmente importava e te ouvir argumentando sobre política de desarmamento ou direito humanos me fazia pensar em sexo, era esquisito. Soube que estava namorando há pouco mais de um ano, apesar de quase todo mundo sem cérebro que te rodeava deixar claro aquele papinho de um novo amor pra curar outro, eu achava difícil me esquecer, mas era eu quem achava, não você. Daí minha frase de efeito pra quem perguntava, que era "Duvido se curar da gente.", rapidinho passou pra "Duvido que ela se envolva tanto..", que se transformou nesse exato momento em "Duvido que ela ainda lembre de alguma coisa...". Por fim, sem ressentimento, ainda bem que chegamos aqui.
Estava ali sentada, rindo sozinha olhando o celular. Satisfeita ou não, agora não interessava. Tinha decidido nunca mais tocar no nosso assunto. Além de cicatrizes, havia também uma vergonha por tudo que aconteceu ou o que poderia acontecer, ainda hoje, ainda agora, se um pouquinho de verdade te encontrasse num gole de vodka barata. Então era por isso que você bebia...Era.
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