terça-feira, 30 de abril de 2013

Não tenho mais você por perto

Heitor Villa-Lobos - Bachianas Brasileiras Nº 3


"E se eu mostrasse apenas uma parte de mim, só pra te deixar na ânsia de conhecer o eu que escondo dos outros?"



Novelei a semana inteira, fiz e desfiz meu guarda-roupas, troquei calças sérias por jeans desbotados, tentei resgatar aquele menino de alguns anos atrás, que se irritava tentando entender por que aos meus olhos havia o romantismo, enquanto nos outros havia o estuprado senso de realidade, e quando eu chorava feito uma criança na varanda, vislumbrando as janelas com tantas histórias, que fazia de conta serem as minhas, me veio uma enorme falta, sabe. Sinto tanto a sua falta que fico assim...

sexta-feira, 5 de abril de 2013

O Agora

Alexandre Nero - Não Aprendi Dizer Adeus


"Entre os sonhos, existe aquele que finjo esquecer, o fim."


Espremer, talvez espremer fosse a maneira que a gente encontrou de se acomodar . Nisso as coisas se esvaíram, o doce se foi com as constantes promessas, e o macio não durou tanto quanto a casca declarava em algo amadurecido. Nem sei quando começou, se foi na descida  da escada, se foi quando ouvi dizer, se foi porque eu era parecido com alguém, ou se simplesmente agi com o coração e no meio da maior bobagem que falei, roubei seu coração, instalando bem dentro da gente o medo de acabar algo que nem entendíamos o que significava. Mas algo começou quando me dei conta de que tudo poderia acabar. Funciona assim, não tem jeito. Você está amando alguém? Eu costumava me fazer essa pergunta toda manhã, quando, me arrumando pra escola, imaginava os nossos olhares cruzando as mesmas impressões do mundo, talvez até alguns mesmos anseios e sonhos. Ela está me amando! Eu costumava me render a essa certeza estúpida, que jamais estaria no meu controle. Acontece que a gente pensa mais na negativa. É uma maneira da gente ser o sábio-interior a dizer "eu sabia..eu te falei...", e é exatamente por isso que quando alguém vem com aquela conversa de auto-ajuda, a gente sempre despreza, por que no fundo a gente já sabia desde o começo pra onde aquilo ia levar. No silêncio da dor, naquela hora distraída que a lembrança passa pela realidade, te afogando numa saudade impossivelmente recente, talvez você encontre e aceite certas verdades. Quem sabe o tempo seja mediador dessas pequenas-grandes sensações, desses monumentais-ínfimos momentos, e ele sirva pra tornar tudo ameno, melhor desprezível. Enquanto isso,a vida vai passando e as novas oportunidades vão ficando ancoradas junto aos planos, outrora definitivos, mas agora bobos que fez a alguém que já não faz parte do presente. E quem pode nos dizer quando foi que isso deixou de ser presente? O tempo não passa a gente, é a gente que passa o tempo.








quarta-feira, 3 de abril de 2013

É assim

 Cogumelo Plutão - Esperando na Janela


"22 anos, amarga, três tatuagens borradas, olhos pretos, coisas demais na cabeça, coisas de menos no peito, câncer de vida, saudade, desconforto, batom mau passado, unhas sujas, deitada, cama bagunçada, cama dele, sonhos dela, perdida, rua escura, latas de lixo, fedor noturno, lembranças, perdas, rabiscos, cadernos rasgados, website de compras aberto, vontade acumulada."


Chega.


E quem pode dizer quando tudo chega ao fim? No meio de tudo, no olho do furacão que as coisas vem à tona. O cheiro que deixou no travesseiro, o recado que ficou no espelho, as mãos atadas  à cama, o espaço vazio da sala, a louça suja do jantar e um peito que não sabe mais chorar direito. Tão abafado pela vergonha, pelo tempo que ficou sem saber o que era estar só, que ficou fraco. Coração nenhum fica forte depois de sofrer muito, é como se o mais íntimo contra-ataque fosse fazer acreditar que não chorar é superar a falta, quando na verdade isso te torna o maior covardão da rua.
Coisa ruim é de costume por pra fora, mas o Amor mesmo a gente engole em soluços.
É assim.
A gente se conheceu, jurou tudo eterno, perdeu a noção, fez o que devia e o que não, você alargou dois furos na orelha e meu sorriso, me deu uma chance. Até que estrapolamos a condição de ser só nosso e explodimos num fim repentino quando a gente cresceu. Que droga, crescer sempre estraga o barato das coisas.

Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...