domingo, 4 de dezembro de 2011

Anti-ontem Mesmo.

Tood Rundgren & Daryl Hall - Can We Still Be Friends


"Como consequência, me deixei surtar. Mesmo sabendo pra onde toda aquela euforia ia me conduzir, fui incapaz de evitar. Podia sentar no lugar mais longe de você, mas dessas sensações eu era cheio. A ansiedade era de ficar perto, querendo ou não. Eu nem pensava mais no não."


Eu estava tendo algumas complicações. Esconder que tinha conhecido alguém não era uma tarefa tão simples, por que de algum jeito, meus olhos mudavam de tom, o ânimo latente era refletido na minha disposição e eu não podia confiar no meu melhor amigo, ele sempre escancarava as minhas verdades. Quando eu pensei em escrever, não sabia o risco que corria, mas como uma alternativa válida, eu justificava que era tudo parte de uma ficção, e então, ficava menos desconfortável com a idéia de que alguém notaria sobre o que estava falando. Legal mesmo seria se a gente tivesse aquela ansiedade em responder, a minha se refletia em apertar f5 à cada doze minutos, a sua se fazia presente na ausência por dias de uma resposta. Eu entendia isso da melhor maneira possível, por que ainda não tinha cometido o erro patético de assumir pra você, parte da sensação pegajosa de ter os seus olhos coloridos de preto na pontinha do meu nariz.

Quando fiquei mais calmo pra pensar sobre isso, não pude concluir nada além de que você era alguém especialmente normal, com sobrancelhas estranhas, uma preferência anormal por pessoa altas, inteligentes e engraçadas, e de um arzinho 'penso pouco pra não pensar demais', o que significava pra mim 'não vai ser tão fácil me fazer pensar em você'. Alguma coisa me deixava meio sem jeito na hora de te falar alguma coisa, escolhia demais as palavras pra não parecer muito carente, ao mesmo tempo deixava claro que a sua companhia, por mais que meramente virtual, me fazia pensar em tanta coisa, que eu preferia ser como você, as vezes, e pensar pouco.

Não lembro quando foi a última vez que me senti assim, mas lembro de entrar em casa, depois de uma antiga briga feia, meio resmungando, meio concordando com a situação de que eu estava deixando escapar e esgotar o nosso apego, e tentar argumentar contra minha vontade de passar um tempo sem uma pessoa pra compartilhar as minhas vergonhas, medos e derrotas. Sempre vai ser cansativo dividir-se em partes, mas chega uma hora que até mesmo a mais profana garota, o mais patife garoto, prefere se repartir pra não ficar tal qual um balão de tantas características grosseiras. Uma companhia, nas nossas vidas, simplifica tudo. E eu estava precisando de uma, mas não precisava mais escolher, perder dias e meses, e textos, e desculpas, e mesmices, pra encontrar uma razão pras minhas eternas faltas como criatura social, você já tinha me aparecido em meio à um pedido de desculpas, seguido de uma explicação e uma desconcertante conversa sobre as coisas que partem, unhas arranhando o chão e a saudade.

You have bewitched me...e se tens curiosidade, aqui está, resumidos aqui nesses poucos segundos, nessa cena de mãos frias na hora de digitar, no suave som da chuva, das tantas manifestações discretas de tentar buscar você.

"If however your feelings have changed, I'll have to tell you...you have bewitched me...
body and soul, and I love, I love, and Love you..."

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Relato

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