terça-feira, 10 de maio de 2011

Olhos...grandes olhos...

Queria ter noção da frequência com que lêem isso aqui. Muito provavelmente deve ser com a mesma frequência que lembram de mim. Após 150 visitas, notei que já me esqueceram e que agora, novamente, eu posso escrever sem medo de errar, sem receio em revelar, sem deixar lembranças de fora. Queria dar um trilha sonora para esse momento, mas não posso...ele é confuso e organizadamente desesperado. Então vou compartilhar algumas das minhas mais remotas e emocionantes lembranças. Vou voltar um pouco no tempo e dedicar esse post que não vai ser pequeno, pois do contrário eu estaria sendo injusto com a minha vida, e descrever com toda a clareza que me permite minha memória alguns dos meus tantos tantos.

Colégio Batista Santos Dumont
8ª Série 1999

"Nada realmente acontece por acaso, pois Deus está no controle de tudo."
Esse era o slogan do início do ano...
A gente costumava aqui em casa se preparar durante as férias de dezembro para o início das aulas que nem loucos. Comprando lápis, borracha, estojo, mochila nova, caderno da tilibra, lapiseira da pentel, grafites, meias novas, um tênis novo de futebol, livros, encapar livros.
Eu particularmente não me empolgava com essa parte, na verdade eu sempre esperei que entrassem muitas novatas, por que talvez alguma delas fosse a minha novata. Na oitava série você não pensa em coisas concretas, alguns sim, mas eu pensava no abstrato. Eu sonhava que ia entrar na sala e todos os meus amigos estariam felizes de me reencontrar e iam chamar meu nome...não era isso que acontecia. Entrava na sala igual ao ano anterior. Sentava pra assistir aula na M3 o ademar ia dar funções e eu ficava copiando tudo, torcendo pra o recreio chegar logo e eu tentar bater um racha na quadra A, onde todos os destaques do colégio jogavam. O ano foi se passando da mesma forma como os outros, os amigos faziam festas e eu normalmente ficava de fora, era complicado meus pais dificultavam tudo na hora de sair. No máximo um cinema, então eu ficava no prédio mesmo durantes os finais de semana, torcendo pra não chegar segunda. Na verdade não tinha nada que realmente me importasse, a não ser a sensação de que, de alguma maneira, algumas meninas ficavam comentando quem era mais bonito no colégio e aquilo me animava, por que eu me achava bonito. A verdade dos fatos era que eu desejava que aquilo fosse verdade, mas não...só tinham olhos para o Diego Pio, Leonardo Soares, DANIEL MUNGUBA. Minha adolescência não acontecia nem perto do que eu imaginava. Eu não pensava como um adolescente. Eu tentava entender aquelas relações, eu ia de sala em sala olhando e ouvindo conversas sobre o mucuripe, sobre as festinhas, sobre o iguatemi que tinha sido irado...eu só franzia a sobrancelha. Eu de fato não entendia. As provas bimestrais foram chegando e eu precisava estudar e estudei...
Era costume, depois das provas todos irmos para o center um. O shopping não tinha nada, além de um fliperama que rolava o velho e bom Marvel Vs. Capcom...íamos lá para nos divertir. E eu ia também. Nessa época meu amigo e companheiro era o Chayb, pra todo canto ele ia comigo, tocávamos violão juntos, sempre íamos juntos para o center um.
Eu devia ter subido com ele pra fazer alguma coisa pouco interessante, é tanto que logo descemos pela escada rolante. Vinhamos conversando e rindo e o Chayb notou que 3 meninas olhavam pra gente e eu só olhava pra uma delas. Priscila, Joana e Taíse. O Chayb jurou que a Priscila olhava pra mim, mas eu não tinha olhos para ela. O que me interessou foi justamente isso, os olhos. A gente se olhou e de alguma maneira o tempo parou durante a descida na escada rolante. O Chayb era o cara destemido da galera...foi lá e puxou assunto, blablabla coisa e tal...me apresentou as meninas e ficou me enxendo pra ficar com a priscila...mas realmente eu não queria.

E lembrar disso é tão difícil...

No outro dia, outra prova e fomos ao center um novamente, mas as coisas simplesmente pararam de ter graça, parte por que nada de mais interessante aconteceu até as provas acabarem e parte por que eu não vi mais a menina dos olhos verdes.
O Chayb ainda enxia o saco pra que eu procurasse pela priscila, mas na verdade a vontade de ver a outra era tão grande que eu já nem tinha mais vontade de pensar em mim...hahaha.
As provas acabaram e tudo voltou ao normal. Essa era a época dos disparates, eles rodavam as salas com perguntas e respostas das mais variadas e ele caiu em minhas mãos.
Nome completo?
Eliúde Soares Teixeira de Souza
Idade: 14
Sala: m3
Cor do olhos: Verdes
Melhor amigo: ??
Gosta de alguém: sim..
Quem: Joana.
(BAM!!!!!)

A notícia, claro, se espalhou que nem uma praga, daqui a pouco vinham fofocas que eu não tinha chances, que ela era muito pra mim, que eu era um idiota e criança demais, e a fofoca tomou grandes proporções meteóricas. Tão rápido ela surgiu, tão rápido ela sumiu.
Só serviu pra que uma coisa acontecesse: O Bruno Veras ficar amigo dela e fazer meu filme.
Ele uniu os clãs, ele conseguiu trazer as meninas pra perto da gente...e a Joana veio junto.
Íamos com o bruno, o piva e uns caras do 2º ano agora para o aldeota, durante as provas e eu ia no comboio comer mcdonalds. A Joana ia também...mas apesar de andar no mesmo grupo e ela saber que eu gostava dela, a gente pouco se falava. Eu sentia um aperto no peito perto dela, queria falar mas era platônico demais. Eu pensava nisso como uma impossibilidade ou algo que eu realmente nunca ia ter. Até que o dia aconteceu.
Estavamos sentados na frente do colégio, de baixo de uma árvore que ainda existe. Eu, João Marcos, Bruno Veras, Chayb, Joana...Isabell. Eu fiquei com sede e decidi entrar...mas quis olhar pra ela mais uma vez, pois sabia que logo mais ela ia pra casa. Então, já dentro do colégio subi um batente e olhei pra eles de cima....Bruno olhou pra mim e perguntou a ela:

- Ei, Joana...tu gosta do Eliúde é?
- Acho que sim...
- E tu ficaria com ele?
- Ficaria.

BAAAAM!!!!

Eu entrei meio frenético, a reação foi estranhamente comovente, eu bebi água e voltei e sentei com um sorriso estranhamente confortado e feliz. Conforme os dias foram passando eu peguei o telefone dela, devia começar com 244, é realmente complicado lembrar isso agora...fazem 11 anos. Conversavamos sobre tudo, até do que passava na televisão. Twister foi realmente mal comentado. Eu resolvi durante as férias arriscar mais um pouco e chamar pra ver um filme. Se você me perguntar que filme era eu não sei, mas sei que no filme apesar da quantidade de pipoca eu só sentia o cheiro de canela quando ela falava. Ela levou o irmão menor, a mando do pai iuaehuda. Era coisa da época...eu tinha tanto medo do pai dela, era engraçado. O irmão dela também não ia muito com a minha cara, mas infelizmente eu já estava apaixonado.
Terminou o filme...sentamos lá fora...o pai dela pegou o irmão e levou pra passear e nos deixou um tempo sozinhos lá. Sentamos numa antiga saída do iguatemi...e começamos a conversar:


eu: e ai, então quer dizer que você gosta de mim...
ela: (vermelha) é, mas como tu sabe...?
eu: ah...o bruno me falou, e eu queria dizer que também gosto de ti...
ela: (vermelha)
eu: e aí..
ela: olha...eu não gosto de ficar, só de namorar...
eu: namorar? eu não pensava em nada diferente disso...

O Beijo...

Nesse exato momento posso te dizer que música estava tocando...

Ivete Sangalo - Se eu não te amasse tanto assim.

Eu não sei como você se sente com isso, mas eu agora estou um pouco arrepiado por esse resgate. Meu coração ficou sem direção durante muito tempo...Eu não sabia onde chegar, só sonhava em te encontrar. Mas eu confiei em Deus e ele me guiou até aqui, até hoje.
Se eu não tivesse te amado tanto, com certeza eu teria perdido alguns sonhos...por mais que eu ganhasse outros. Mas ainda mantenho alguns deles, e é sobre eles que vamos falar outro dia, outra hora.

Minha vida nunca foi um filme e nem eu desejei que ela se realizasse como um. Só que eu lembro e relembro de algumas coisas, e penso nas subjetividades, tentando sentir em vez de lecionar a mim mesmo um caminho, um método...eu simplesmente vivo uma vida romântica, por não saber viver de outra forma. Hoje é verdade que não existe muito desse antigo momento, mas ainda vive eternamente a chama reluzente desse calor na lembrança.
Pior seria se eu não lembrasse de nada...
Você voltar e falar assim comigo prova a minha eterna fé em Deus e também no potencial do homem em perdoar, mudar, melhorar e guardar com amor aquilo que amou.
Só posso agradecer...xD

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