"Nem posso dizer que me deixei enganar, pois sinto, de coração, que sou um experimento de longo prazo."
A essa altura, virei sua última chance de ostentar algumas coisas, a começar por lembrar como viver era emocionante antes de tantas responsabilidades, de tantos reveses, reservas; afinal, para atestar certas decisões, dizem que precisamos revisitar os turning points — e é o que sou: um coração de laboratório.
Enquanto trocamos mensagens curiosas, amistosas demais para disfarçar, percebemos que surtimos um efeito diferente um no outro, onde nem sequer te tenho à vista, não ouço o que diz, não recebo chamadas, mas faz todo sentido, porque eu sinto e faz sentido. Me deixa.
Faço disso, hoje, um divã sem análise, em que não calo palavra alguma das que me lembro. Se esse caso tivesse solução, mudaria, mas ouço a verdade que diz com jeitinho para não machucar. É que me chama e me pergunta sobre a vida, porém se engana achando que não me esqueceu, que o seu amor ainda faria sentido ser eu.
Talvez eu tivesse razão e você errada, mas me consolo no disfarce ao acreditar que outro te faz feliz, até ver seus olhos nas fotos — e são os olhos, Chico, eles não mentem, eles não mentem.
Eu vou brincar com meu filho, ligar para o meu velho, vou priorizar na agenda um exercício, sem televisão.
Hoje vou comer menos carboidratos, mais verduras, almoçar devagar, sem internet, sem estresse.
Hoje, pois só tenho hoje: aqui, agora, o já. Vou ouvir as pessoas voltando a sorrir e, ao redor, a catarse de dormir e acordar na minha casa, sem brigar por tolices, praticando o perdão, alegre e satisfeito de ver o que é meu, bem direitinho, pedindo a Deus que nos conserve assim, nos amando sem dizer.
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