quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Absolutatamente

Às vezes acho que escrevo tanta bobagem, sabia?
É que eu vou relendo e vejo o quanto tentei ser meio sabichão, poetazão, criativão.
Eu meio que tento descrever alguma emoção que estou sentindo na hora, daí misturo com alguma coisa que aconteceu entre eu e alguém, então tudo fica muito confuso — até pra mim, quando preciso revisar.
Chego à conclusão, mesmo, que eu ainda não tenho a cabeça no lugar, ou pelo menos não consigo organizar as ideias dessas emoções da maneira mais adequada.
Fica parecendo que não estou sendo sincero, fica parecendo que eu quero me exibir, quando na verdade eu até poderia ser mais direto, como tô sendo hoje, mas dá receio de ser transparente demais e acabar com a magia das coisas.

Hoje eu queria dizer uma pá sobre esse processo da mudança — esses dias organizando o que vem primeiro, um sofá extra ou um rack de TV — têm me batido uma ansiedade. Queria poder receber um pedido de desculpas e tentar acertar as coisas, ou até mesmo pedir essas desculpas, mas não vem ao caso, e eu ainda estou muito mal por saber que algumas palavras ditas ainda me deixaram magoado — logo eu, que perdoo todo mundo por todo lado.

É isso. Sábado é dia de casa nova, uma casa que tem sido um desafio construir, acompanhar, esperar e morar. Vizinhos reclamam de mudanças, outros precisam consertar vazamentos... Nisso, vamos contornando, os meninos esperando e, aos poucos, o tempo vai passando.

Ainda preciso finalizar algumas demandas do trabalho, viajar a trabalho, graduar dois amigos, receber uma moto, enfim. Sinto que, nesse tom que redigi hoje, posso ser menos julgado e, ao mesmo tempo, mais entendido. Faz sentido?

Sem firula e sem receio — ou melhor, sem receita.

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Outubro Rosa

"Nem posso dizer que me deixei enganar, pois sinto, de coração, que sou um experimento de longo prazo."

A essa altura, virei sua última chance de ostentar algumas coisas, a começar por lembrar como viver era emocionante antes de tantas responsabilidades, de tantos reveses, reservas; afinal, para atestar certas decisões, dizem que precisamos revisitar os turning points — e é o que sou: um coração de laboratório.

Enquanto trocamos mensagens curiosas, amistosas demais para disfarçar, percebemos que surtimos um efeito diferente um no outro, onde nem sequer te tenho à vista, não ouço o que diz, não recebo chamadas, mas faz todo sentido, porque eu sinto e faz sentido. Me deixa.

Faço disso, hoje, um divã sem análise, em que não calo palavra alguma das que me lembro. Se esse caso tivesse solução, mudaria, mas ouço a verdade que diz com jeitinho para não machucar. É que me chama e me pergunta sobre a vida, porém se engana achando que não me esqueceu, que o seu amor ainda faria sentido ser eu.

Talvez eu tivesse razão e você errada, mas me consolo no disfarce ao acreditar que outro te faz feliz, até ver seus olhos nas fotos — e são os olhos, Chico, eles não mentem, eles não mentem.

Eu vou brincar com meu filho, ligar para o meu velho, vou priorizar na agenda um exercício, sem televisão.
Hoje vou comer menos carboidratos, mais verduras, almoçar devagar, sem internet, sem estresse.

Hoje, pois só tenho hoje: aqui, agora, o já. Vou ouvir as pessoas voltando a sorrir e, ao redor, a catarse de dormir e acordar na minha casa, sem brigar por tolices, praticando o perdão, alegre e satisfeito de ver o que é meu, bem direitinho, pedindo a Deus que nos conserve assim, nos amando sem dizer.

Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...