sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Entre Olhos Verdes e Despedidas

Nossa história foi tão abobalhada, tão breve. Acho que foi nela que perdi a vontade de fazer tudo certo e comecei a me deixar enganar, a enganar e, principalmente, a fingir bem — muito bem.
Não se importar é um atrevimento tão absurdo que, respondendo à sua última pergunta: sim, eu mudei levemente quando voltei de Orlando. Mudei um mínimo, mas nunca imaginei que nosso amor fosse tão delicado a ponto de quebrar com o que trouxe de lá: um pouco de vaidade, um pouco de nariz empinado — coisa normal na adolescência. Ainda assim, eu continuava abobalhado pelos seus olhos verdes, pela sua gargalhada mágica e por esse jeito único de me fazer sentir um príncipe entre os plebeus.

É... e você nunca acreditou em mim. Nunca.

Fui até você todas as vezes que chamou, incerto e vulnerável. Nem contei os passos. Gastei meus milagres só para te ver, e vi você aos beijos com outros em viradas de ano. Ouvi pessoas que eu desprezava falarem da sua beleza. Esperei até o dia em que ouvi, ao telefone, um “eu te amo” tão sincero que rasgou meu coração ao meio, mesmo depois de tanto tempo. Aquilo foi o asilo do meu fracasso como memória. Não era só póstumo, era uma grande farsa — uma grande bosta.

Pensar que hoje sobrevivi é como engasgar com o abjeto: um nó seco, um choro preso, um arrepio sombrio, uma raiva estúpida e sem sentido. Não te perdoo. Apenas finjo e sorrio altivamente, de orelha a orelha, porque não fui eu o covarde. Não fui eu. Eu suportei dias a fio, revivi lembranças, escrevi cada lágrima seca e todas as juras secretas. 

Eu vivi as dores, o luto e a falsa esperança em todas as vezes que olhei no fundo dos teus olhos e voltei a ter 15 anos: um menino prodígio, um superdotado cheio de sonhos inocentes, perdido de amor por alguém que deixou pra dizer o que precisava quando já não era mais hora.



segunda-feira, 11 de agosto de 2025

É um problema meu

Era um drama do caralho — e, quase sempre, um de nós saía com o nariz torcido, um textão entalado na garganta, acumulando um desprezo que, de tão amargo, parecia ter algum valor. Nem falo do orgulho… esse, de longe, foi o maior motivo para tudo ter chegado aqui. Era como uma “dramanina” viciante — eu repetia a mesma merda porque não sabia dizer que te amava. Ou será que, naquele jeito torto, aquilo já era eu dizendo… e sem saber processar?

E que fim sem fim… muito pior do que imaginei. Não sei em que momento começou, nem quando deixei meu ego inflamado dobrar mais uma esquina e cair nessa armadilha. De cá, tento não deixar mais nada disso me consumir. Não sou um arremate malfeito. Não há caminho de volta sem despedaçar tudo. Não cimentei direito… meus muros ainda estão molhados, frágeis, inseguros.

E você, cheia de planos absurdos, mudanças que não entendo, e mais centrada em si do que nunca — mais até do que o seu normal, que já era vasto demais para eu conseguir entrar. Antes era difícil… agora é um abismo.

Para de tentar descobrir como voltar a ser como antes. Amizade não sobrevive a tanto nojo, medo, desconfiança e verdade. Você teme a verdade, teme assumir sua parte no problema… e sua parte no amor.

Então me deixa, certo?
A gente não faz sentido — nem como amigos, nem como colegas, quiçá conhecidos. E, desta vez, quando me perguntarem sobre você, vou responder com a minha verdade mais honesta:

— É um problema meu.

Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...