Tive pouco menos de dez minutos para confessar. Assim que entramos no carro, tentei ser o mais direto possível — e, ainda assim, dei cento e oitenta e duas voltas para dizer a coisa mais simples e honesta de todas: “Desculpa.”
Mesmo agora, escrevendo, é difícil imaginar a cena: o nó na garganta, a angústia, a trava mágica e perigosa que existia em admitir que fui derrotado pelo amor.
Em seguida, comecei tentando explicar de onde aquilo tudo havia surgido — e, claro, eu não fazia ideia de por onde começar. Tinha sido em 2010? 2009? Quando você me deu um tapa? Ou na vez em que despertou minha curiosidade pela sua vida íntima?
Aposto que, se você fosse só mais uma qualquer, eu conseguiria dizer um monte de bobagens sem sentido, daquelas que te deixariam sorrindo e pronta para um beijo.
Mas agora eu... impotente, preso a esse sentimento, estou entregue às mazelas do desespero eterno que é te amar sem poder — e sem puder.
Nessa explicação perdida e tosca, você respirou fundo, desceu do carro e guardou segredo.
Nossa relação ainda é a mesma? Ainda é coisa nenhuma? Será que vou te encontrar bêbada por aí e ganhar um beijo de consolação?
Me diz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário