É, o que seria da gente se toda frase já fosse a nossa própria explicação sobre tudo.
Um livro só de sumários, tópicos e glossários. Claro, se quiser saber sobre o que eu acho do amor pule para a página 33, meus rancores na página 50 e meus planos para a 92.
Sem as infindas páginas de devaneios seria apenas uma lista de capítulos.
A geometria das pessoas já começa a ficar indecifrável, suas respostas são curtas e sem propósito definido. A biologia dos gestos não tem gosto, emoção ou significado.
Há poucos românticos entre nós e esses já nem se lembram do sabor do primeiro beijo.
Eu quis mais que te conhecer, além, ser capaz de fechar os olhos e te reconhecer. Ter detalhes sobre o dia, a noite e a madrugada.
Eu costumava olhar janelas e pensar no amor da minha vida, ali...o que estaria fazendo?
Então nos restou o amargo presságio, onde muitos passam e se vão para apunhalar com as armas que imploraram não existir.
Eu sou uma ponte, pode passar.