quinta-feira, 25 de junho de 2020

Até que a morte nos separe

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Na linguagem que conhecíamos, desejamos um ao outro um bom futuro, relembrando como foi tudo bonito e como devia ser. Nos olhamos nos olhos, profundamente, para perceber que dezembro estava perto e seria mais difícil esquecer durante o natal. Era uma curva sinuosa, uma sombra, uma despedida.
Se eu te dissesse que pela manhã meus primeiros desejos passam por essa expectativa?
Eu viria por trás de você, ainda se arrumando no espelho, te abraçaria e o resto do dia estaria resolvido.

Cruzei domínios que não fazem tanto sentido agora, que me dão saudade sofrida, me dão desespero contido.
Como o tempo tem sido cruel com minhas escolhas.

Imaginei tantas nuances e momentos, percebi tantos defeitos que não sabia, me revelei uma perfeita boba. Eu passava e fingia que você nem existia.
Até que no nosso último dia nem sequer nos falamos, é que eu estava sem a menor condição de respeitar nossos limites, me desculpa por isso.
Me desculpa por não saber viver sua parte que pode ficar.
Só quero que saiba que ainda danço contigo aqui dentro e que superar não é mais uma opção, então escolhi te deixar dentro de uma caixa e não te permitir sair de lá, nunca mais, até que a morte nos separe.



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