New Radicals - Someday We'll Know (I hope so...)
Diferente de todas as pessoas, ele não era só um enigma, mas um saco inteiro de merda e dessaranjos.
Cultivava uma carteira com pouca grana, que tinha sido um presente em 2012, mais pela praticidade em si que pela consideração.
Andava meio torto devido um joelho que foi um dos tantos abandonos que viveu. Era um tipinho idiota, arrogante, daqueles que pra passar pela casca tem que engolir muita patada. Não valia o esforço.
Igual à grande parte das garotas da turma, ela era uma transparência sem sal. Duas faculdades, emprego fixo e detinha o título de miss simpatia há mais de três anos. Aparentemente nenhum corte de cabelo ficava estranho, enquanto fingia que namorava pra evitar perguntas estranhas, até brigavam por mensagens. Tinha olheiras demais pra me convencer que dormia no máximo até meia noite, mas como um bom ser humano, deixava passar essas mentirinhas sociais.
Ainda ouvindo seus passos pelo corredor em direção as escadas, corro,
mas não chego à tempo e você entra no taxi.
Será que fui mais rebelde ou covarde?
Volto e bato a porta. Mãos na cabeça, dedo entre os cabelos, sento na cozinha.
A pia ainda tem os restos do nosso último jantar.
E se hoje fosse o meu último dia na terra?
Nossa realidade não tinha brecha pra tentativa, era a questão do ser ou não ser.
Um dia vou saber se isso era realmente um atraso ou um enorme deslize dos agentes do tempo.
Talvez fosse melhor assim mesmo, de mentira em mentira, eu criaria um caso inteiro contra você e não teria perdão. Qualquer juiz condenaria você à perpétua comigo.
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