terça-feira, 31 de março de 2020
De mentira em mentira
"Saudade, palavra tosca, ridícula, que me faz pensar em ti todo dia..."
O que aconteceu com a gente desde a última vez?
Lembro de ter virado a esquina e nosso cordão ter se cortado.
Já se passaram anos e eu ainda não consegui me desfazer do nosso último beijo.
Será que o amor realmente só acontece uma vez na vida?
Um dia queria saber se devíamos mesmo não ter ficado juntos.
Pra onde o vento sopra quando você chora?
Eu já cansei de ficar de pé em frente ao lugar que nos conhecemos.
E se eu não fui feito pra você?
E se você não foi feita pra mim?
Se eu pudesse ter apenas uma pergunta, seria por que você não está mais aqui comigo.
No cinema eu espero pra ver seu nome no cast, que coisa mais boba.
Você nem faz filmes, você nem faz falta.
Quis correr e evitar, ser o flash e voltar no tempo, mas o tempo é bom e nunca volta.
O mundo até dá voltas, mas o tempo, não volta mesmo. Acredite, eu tentei.
Imitei o filme Somewhere in Time e fiquei vegetativo alguns dias na cama tentando viajar.
Minha mãe pensou que eu estava triste, mas só tentava te reencontrar no meu travesseiro.
Diante de tanta bagunça, ainda guardo nosso último golpe mútuo.
Aquela 3x4.
E os dias vão passando, eu vou envelhecendo, a casa na praia vai virando uma probabilidade e deixando de ser uma possibilidade remota.
Enfim... o primeiro de Abril.
sábado, 28 de março de 2020
Mentirinhas sociais
New Radicals - Someday We'll Know (I hope so...)
Diferente de todas as pessoas, ele não era só um enigma, mas um saco inteiro de merda e dessaranjos.
Cultivava uma carteira com pouca grana, que tinha sido um presente em 2012, mais pela praticidade em si que pela consideração.
Andava meio torto devido um joelho que foi um dos tantos abandonos que viveu. Era um tipinho idiota, arrogante, daqueles que pra passar pela casca tem que engolir muita patada. Não valia o esforço.
Igual à grande parte das garotas da turma, ela era uma transparência sem sal. Duas faculdades, emprego fixo e detinha o título de miss simpatia há mais de três anos. Aparentemente nenhum corte de cabelo ficava estranho, enquanto fingia que namorava pra evitar perguntas estranhas, até brigavam por mensagens. Tinha olheiras demais pra me convencer que dormia no máximo até meia noite, mas como um bom ser humano, deixava passar essas mentirinhas sociais.
Ainda ouvindo seus passos pelo corredor em direção as escadas, corro,
mas não chego à tempo e você entra no taxi.
Será que fui mais rebelde ou covarde?
Volto e bato a porta. Mãos na cabeça, dedo entre os cabelos, sento na cozinha.
A pia ainda tem os restos do nosso último jantar.
E se hoje fosse o meu último dia na terra?
Nossa realidade não tinha brecha pra tentativa, era a questão do ser ou não ser.
Um dia vou saber se isso era realmente um atraso ou um enorme deslize dos agentes do tempo.
Talvez fosse melhor assim mesmo, de mentira em mentira, eu criaria um caso inteiro contra você e não teria perdão. Qualquer juiz condenaria você à perpétua comigo.
Diferente de todas as pessoas, ele não era só um enigma, mas um saco inteiro de merda e dessaranjos.
Cultivava uma carteira com pouca grana, que tinha sido um presente em 2012, mais pela praticidade em si que pela consideração.
Andava meio torto devido um joelho que foi um dos tantos abandonos que viveu. Era um tipinho idiota, arrogante, daqueles que pra passar pela casca tem que engolir muita patada. Não valia o esforço.
Igual à grande parte das garotas da turma, ela era uma transparência sem sal. Duas faculdades, emprego fixo e detinha o título de miss simpatia há mais de três anos. Aparentemente nenhum corte de cabelo ficava estranho, enquanto fingia que namorava pra evitar perguntas estranhas, até brigavam por mensagens. Tinha olheiras demais pra me convencer que dormia no máximo até meia noite, mas como um bom ser humano, deixava passar essas mentirinhas sociais.
Ainda ouvindo seus passos pelo corredor em direção as escadas, corro,
mas não chego à tempo e você entra no taxi.
Será que fui mais rebelde ou covarde?
Volto e bato a porta. Mãos na cabeça, dedo entre os cabelos, sento na cozinha.
A pia ainda tem os restos do nosso último jantar.
E se hoje fosse o meu último dia na terra?
Nossa realidade não tinha brecha pra tentativa, era a questão do ser ou não ser.
Um dia vou saber se isso era realmente um atraso ou um enorme deslize dos agentes do tempo.
Talvez fosse melhor assim mesmo, de mentira em mentira, eu criaria um caso inteiro contra você e não teria perdão. Qualquer juiz condenaria você à perpétua comigo.
sexta-feira, 27 de março de 2020
Coisas estúpidas
New Radicals - You Get What You Give ( not sure... )
Fazer coisas estúpidas estavam na minha lista de afazeres diários.
Nesse contexto de buraco negro, deixei de crer em grandes realizações e em saidinhas combinadas com antecedência.
Numa mistura ácida de bem estar e pouco banho, continuava dando as mesmas desculpas pra permanecer nesse estágio de negação.
Diferente de grande parte das pessoas normais, acordava aceitando o fato de que qualquer relação social não passava de interesse próprio e eu sempre detestei atingir expectativas, sempre as achei menos do que realmente são. Verdadeiras sangue-sugas de sonhos. Nunca seriam mais do que eram, de fato, enormes idiotices que dizem pra gente quando somos crianças.
Então permanecia nas pequenas mentiras e álibis.
'Trabalhei até tarde', 'tive um lanche na empresa', 'você sabe que eu odeio perder a hora do nosso programa preferido', 'se eu não responder é porque a bateria acabou', 'não me espere acordada, bebi demais e vou dormir aqui'.
Não é que não ame mais, só não perco, nunca mais, tempo com suas meias emboladas no meu lençol.
Que vão me fazer uma falta absurda, acredite, mas deixaram de cheirar bem.
Ah, e mais uma coisa, eu detesto suas calcinhas de renda.
Fazer coisas estúpidas estavam na minha lista de afazeres diários.
Nesse contexto de buraco negro, deixei de crer em grandes realizações e em saidinhas combinadas com antecedência.
Numa mistura ácida de bem estar e pouco banho, continuava dando as mesmas desculpas pra permanecer nesse estágio de negação.
Diferente de grande parte das pessoas normais, acordava aceitando o fato de que qualquer relação social não passava de interesse próprio e eu sempre detestei atingir expectativas, sempre as achei menos do que realmente são. Verdadeiras sangue-sugas de sonhos. Nunca seriam mais do que eram, de fato, enormes idiotices que dizem pra gente quando somos crianças.
Então permanecia nas pequenas mentiras e álibis.
'Trabalhei até tarde', 'tive um lanche na empresa', 'você sabe que eu odeio perder a hora do nosso programa preferido', 'se eu não responder é porque a bateria acabou', 'não me espere acordada, bebi demais e vou dormir aqui'.
Não é que não ame mais, só não perco, nunca mais, tempo com suas meias emboladas no meu lençol.
Que vão me fazer uma falta absurda, acredite, mas deixaram de cheirar bem.
Ah, e mais uma coisa, eu detesto suas calcinhas de renda.
segunda-feira, 23 de março de 2020
O futuro sempre reserva um tempo pra descasos
Ainda, durante um tempo, acompanhei com certa dor sua existência. O primeiro dia foi o pior, é tanto que te procurei, mas os dias em sequência me fizeram ver que era melhor a saudade que sua presença e tomei vergonha na cara, lembrando que o futuro sempre reserva um tempo digno para os descasos.
Nesse buraco negro de coisas estúpidas, me deixei levar por severas desculpas e desleixos.
Tudo começou com um pouco de riscos e eu achando que isso era só mais um sonho. Odeio perder e, por isso mesmo, não gosto de me deixar levar pelas palavras mais idiotamente ditas num relacionamento.
Nunca será tarde pra te ver voltar e pedir pra saber como tudo vai. Vai me encontrar do mesmo jeito. Indisposto, estranhamente imutável, mas também vai perceber que quem mudou, garota, foi você.
Até que, nesse instante, entenderá numa epifania tudo aquilo que sempre te diziam sobre o tempo, ele não volta mesmo.
Nesse buraco negro de coisas estúpidas, me deixei levar por severas desculpas e desleixos.
Tudo começou com um pouco de riscos e eu achando que isso era só mais um sonho. Odeio perder e, por isso mesmo, não gosto de me deixar levar pelas palavras mais idiotamente ditas num relacionamento.
Nunca será tarde pra te ver voltar e pedir pra saber como tudo vai. Vai me encontrar do mesmo jeito. Indisposto, estranhamente imutável, mas também vai perceber que quem mudou, garota, foi você.
Até que, nesse instante, entenderá numa epifania tudo aquilo que sempre te diziam sobre o tempo, ele não volta mesmo.
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