domingo, 25 de agosto de 2019

Nossos termos

Abro seu chat e começo a digitar, então lembro que prometi me
afastar. Que tolo fui eu em deixar partir, em não prever meu coração. 
Eu fui cruel, fui desumano, eu destruí os nossos planos com essa paixão.
Aí, diante da minha tosca intuição, acho que você faz da mesma forma e 
aperta o peito contra o travesseiro, morde, suspira forte, fica cheia de tanta água,
se emociona com uma frase boba, mas não cede. 
A vontade não passa e a gente fica um esperando o outro dar o primeiro passo.
Você está torcendo pra que eu não apareça, mas deseja bem no fundo que isso aconteça.
Você era o topo da minha lista de contatos, saiu de lá pra virar algo maior, a primeira na minha mente cheia de saudade.
Enquanto ficamos tristes de tentar por 30 dias um afastamento, percebemos que era melhor que ficássemos juntos nesse grande mar de sentimentos. 
São os nossos termos, eu amo daqui e você daí. Sem um desfecho. Sem um beijo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

O que foi?

Dentro do aceitável, o plano seguia. A coisa, como um todo, evoluía pra um lugar desconhecido que vinha com bônus de caramelo, sorrisos e algumas tentativas minhas de passar da linha de segurança. Sim, havia uma linha segura pra nós dois e ela basicamente funcionava assim. Eu não pedia um beijo e ela não me oferecia.
Embora isso fosse claro, não era tão simples assim, pelo menos pra mim.
Aceitar a condição de resistir era como ser barragem do próprio mar.
Nessa ida e vinda, continuávamos num bom ritmo em que eu me interpretava e ela ficava rindo desse jeito bobo sem acreditar no que eu falava. E aos poucos ela foi tomando distância pro impulso pela simples condição de querer e não dever, que era combustível suficiente pra esquecer o que ficou dito.
Não sei se me preparei devidamente pra esse sutil movimento, mas ele esteve aí o tempo todo.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Não muda


Todo dia penso que hoje ela vai desistir de mim, que minha conversa virou fiada ou que a hora de resolver nosso assunto já passou.
Todo dia penso que hoje ela vai me procurar, que tá muito irresistível ou que chegou a hora da gente resolver nosso assunto.
Todo dia penso que hoje não vamos tocar nesse assunto, que nossa conversa vai ser sobre o cotidiano ou que chegou a hora de fazer qualquer coisa menos inflamar essa brasa.
Todo dia eu me engano, o roteiro muda, só não muda o que eu sinto.



domingo, 4 de agosto de 2019

Onde vamos chegar?

"Tenho dormido pouco, confesso, e hoje também."


Diante da expectativa de cumprir o combinado, afobei meus dias com apreensão, dúvidas e um tiquinho de medo adolescente.

Não tinha um plano estruturado, mas montei um esboço feito às pressas pra que com a gente ficasse tudo bem. Talvez a pressa tenha me feito deixar alguns pontos de lado, não sei dizer, ainda.

Acontece que planejando ou não, isso já parecia um livro infantil, onde a gente passava o recreio juntos dividindo chiclete, deixando o resto da turma da sala de lado.

E como nossa distância era pouco mais de um corredor, eu considerei uma boa ideia passar uns dias sem contato, numa espécie tosca de momento pra pensar misturado com combustível pra querer mais. A ideia parecia mesmo funcionar, mas o problema não era aguentar a distância, essa, que de certa forma sempre esteve presente e fazia parte da dança. O complicado era viver a proximidade, os olhares e as dúvidas que despretensiosamente surgiam na matéria que eu sabia. E, talvez, esse seja o elo fraco da corrente. Esse misto de "foda-se-eu-quero-te-beijar-agora" com "vou-pedir-uma-pizza-e-engordar-2kg-pra-vê-se-penso-menos-em-ti".


sábado, 3 de agosto de 2019

O que você quer de mim?

Sondre Lerche - On and Off Again


Tirei as meias e sapatos no chão da sala. As luzes ainda estavam apagadas e pude ver, pela varanda, a luzes também de outras janelas. O silêncio me deixava em paz, mas eu travava uma luta perdida contra minha consciência. Deitei ali mesmo, descalço.
Decidi há poucas horas falar a verdade e ela ainda ardia na minha garganta. Fechei as mãos com força e tentava segurar as palavras que ainda escorriam, como se não tivesse dito tudo, até que diante do sono eu lembrei de anteontem até hoje.
Sem querer o teto ficou próximo, me senti enclausurado num momento em que olhava fixamente pra um ponto só, inatingível. Eu estendia a mão pra tocar em seus cabelos, mas era poeira. Eu dava um passo pra mais perto e o piso esticava. Quanto mais eu dizia, menos ela acreditava. Quando mais eu pensava, mais eu sonhava.











quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Pó de estrela

"Um amor assim delicado você pega e despreza. Não devia ter despertado, ajoelha e não reza. Dessa coisa que mete medo pela sua grandeza, não sou o único culpado, disso eu tenho a certeza..."

Ela passou por mim distraída e escapou, ao telefone, que um cara chato tinha aparecido e tentado bagunçar sua vida.
E de todas as coisas que são valiosas nesse mundo, na vida encontramos poucas. É de ficar depressivo imaginar uma caminhada sem topar com uma dessas raridades. Por isso, me sinto abençoado, pois nem andei em tantos caminhos assim e essas jóias apareceram diante de mim.
Sim, pertenciam a outros e outras donas, mas ainda assim, como num museu, pude estar perto e apreciar traço, intenção e ternura.
Nunca as quis para mim, pois a mera condição de expectador já me satisfazia por completo. E cativar é algo delicado, de extrema complexidade e mais ainda responsabilidade.
Não somos capazes de entender a importância dessa mistura de mágica com cheiro de chuva, mas ela existe e está aí.
Me afastei do mundo por não ser justo ao cativar alguém. E hoje, morro de medo quando me aproximo de alguém que me oferece conforto. Pois, assim como eu, muitos ainda não acreditam que eu também posso ser cativado, se aproximam e erram comigo.

Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...