Minha pobreza é essa daqui. Eu não tenho, as vezes. É muito caro um pé dessas chinela aqui, é cara. Aí eu digo, meu Deus, inves de comprar um pé dessa chinela, vou comprar minha comindinha. Um arroz, que é muito caro. Arroz é caro. Aí eu compro o arroz e a chinela fica de banda. Eu boto um prego e ando pra todo canto. Vô pra todo canto. E as roupa minha é assim. Aí tem muita gente que vê "ow, vô dá umas roupinha" aí faz aquela sacola de roupa e mim dá, aí eu acho é bom. Visto, pronto! A minha pobreza é essa daqui. Mas eu vou a frente, né. Num tenho ambição por nada de ninguém, não.
Quando chegamos logo aqui, não tinha ninguém pra dizer 'é aberta', não. Aí era mata.
Aí nós broquemo, queimemo, fizemo um limpo. Aí fizemo um acampamento de plástico. Fiquemo dentro.
Aí todo mundo passava e dizia: "ó o acampamento, pessoal acampado". Nós nem ligava. Nós cozinhava no mei do terrero, o fogão. As panela de comida nós botava no mei do tempo. Lai vem a chuva, molhava. Carregava a chinela nossa, chinela, roupa. A água carregava, nós nem ligava. O dia amanhecia era tudo molhado, os lençol. Nós estendia, darra um arzin de sol nós estendia, que quando enxugava, nós armava denovo as redinha nos pau. O vento levando nós e trazendo e nós achando bom.
Era tão bom, que hoje ainda é bom. Aí comecemo a brocá e fizemo um roçado, pronto. Aí temo cada qual eu tenho meu roçado, tenho meu pedaço todo aberto, tem minha capoerinha que eu planto. Eu tenho um jumentim que eu boto água é dento a capoera lá que eu fiz pra ele cume. Aí pronto. Aí é felicidade aqui. Ainda tô feliz ainda aqui.
Sempre eu trabalhando na terra eu dizia a meu pai desse jeito: "pai, um dia eu ainda vô comprar um terreno pra mim" o pai: "com o que minina?" eu digo "vô trabalhar, vô butar um roçado, eu vendo o roçado, o milho, o fejão que eu fiz, eu compro um pedacin de terra pra me morar" o pai "arr, ê mia fia, nesse tempo que você fô comprar essa terra, num ixiste mais essa compra de terra nao" digo: "o que? o pai vai vê, como eu vou comprar um roçadinho pra mim, um terreno pra mim morar". Sempre eu dizia isso pro meu pai.
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