quarta-feira, 15 de julho de 2015

E o Amor?

Keane - Sea Fog


"Eu sou o único a ter um pouco mais do mesmo, duvida? Arrisque!"


Numa mania meio nervosa de balançar a perna, nos notamos com essa semelhança e uma longa história de como esse tique se originou "na gente". Foi o verão da nossa conhecidência. Perdoem-me por chamar de conhecidência e as vezes mudar a forma de escrever algumas palavras que já têm significado determinado, mas não podia esclarecer de maneira mais prática como nos conhecemos. Foi uma conhecidência mesmo. Por conhecê-la, conheci você.
Na época em que o sol deveria ser mais quente e belo, aqui nessa cidade cinza, tudo era mais patético e rápido de acontecer. Porém, se passássemos do outono, tudo ficaria bem, então focamos nas minúcias e em como encontrar um jeito menos idiota de repetir tanto desejo que já esgotamos em pouco mais de dois meses. O foda do verão é isso. É quente e intenso e dura dois meses. Logo, se conseguíssemos encarar o outono, sem apego, quando tudo cai, até a temperatura, seco e gasto, conseguiríamos desabrochar o tão sonhado Amor.
Tinha suas estranhices e eu as minhas. A maioria delas nem haviam aparecido ainda, não deu tempo de descolar os lábios, não houve tempo pra contar mais que os nomes e as bandas, ou melhor, as músicas. Nem transávamos ainda, mas fizemos um "top 10 músicas pra ouvir transando". Outro dia posto a lista. Nunca ouça a lista enquanto transa, não faça isso, estraga a música, pra sempre, sempre, pra todo sempre. Esse é um texto médio infame, mas passamos o outono com boas expectativas pra primavera.
As rosas deveriam desabrochar e eu acreditava no potencial das nossas últimas noites. Havíamos chegado mais longe que todos os outros dias juntos. No sofá, deixou tocar seus seios e a palavra polinização piscou durante três dias seguidos na minha cabeça. Foi um ápice.
Depois disso esfriamos e só falávamos em ficar juntos pra sempre, mas esse pra sempre nunca chegava. No final de semana estávamos ocupados com coisas bem mais importantes, jogos e livros.
Se jovem eu soubesse a importância boba de não ter esse tipo de contato, nada teria sido tão sério, não teríamos entrado o inverno brigando pelo pouco tempo que tínhamos um pro outro e, conhecidências à parte, não teria conhecido outra garota bem mais madura e menos virgem. Você gostava de dizer que não era também, mas carícias íntimas não contam. Isso já tinha sido tema de uma briga.
Foram tempos rigorosos e sem muito tempo pra sentimentalismo. Sem sentimentalismo, pros homens, nada funciona e eu não funcionei quando tentamos afastar sua calcinha de lado numa festa. Outra briga? Claro. Mea Culpa, Pardon. Sorte nossa que a proporção que as coisas tomaram foram só estratosféricas e não vialactocoidáis. Senão hoje seria complicado encarar esses fatos. Nem Júpiter e Vênus.
No final de setembro, voltamos a esquentar e eu cometi o deslize de, numa roda de amigos, comentar que beijos no pescoço são chamados imediatos pro coito. Voltava toda noite pra casa com leves ronxas por aqui.
 A primavera chegou e foi como prometido, mas não como esperado. As rosas desabrocharam, as cores ficaram vivas e aquela garota mais madura te pôs de lado.
Falei que detestava esperar, você não acreditou. Você era mel, beijo macio, sensual, mas na fissura de me fazer entender que nós éramos mais importantes que meia dúzia e meia de sexo, esqueceu que não era da Lethani conter os impulsos da carne. Fiquei com raiva e ela passou a minha rapidinho, como nenhum beijo seu fez. Hoje você brinca de virar bebidas por aí, e eu? Eu conto como é jogar com quem entra pra perder. Loser!

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