sexta-feira, 31 de julho de 2015

Socializar

Tokyo Police Club - Argentina 


"Peguei no seu rosto, um beijo e parece que foi agora mesmo..."


Ainda que fosse cedo ou tarde, não importa, nada importa, nunca falta espaço pra meter uma esnobada. Da melhor maneira, bem no tango, dançando de longe, cantando baixo nem virou os olhos pra mim, por mim. Dei de ombros, sabe. Tenho uma parcela considerável de culpa e culpa é algo individual, intransferível e sou egoísta com isso, ponto.  Ela passava aqui de madrugada e éramos perdidamente apaixonados um pelo outro. É o tempo tosco e eu tosco que não parei e pensei que a gente já tava apegado demais pra ignorar encontros como esse. Notei, entendi e quero tirar das entrelinhas que fingir só me fez ter mais certeza do esforço que foi evitar vidrar na minha direção, falo por mim também, o inverso. Você era lika south wind, daqui um ano ou menos aquele monte de letra iriam tomar conta da sua área de trabalho denovo, quem sabe essa noite, até lembrar que ele sempre foi sem ritmo e que eu era melhor na voz e violão, tinha mais jeito com as coisas e nunca reclamei de esperar, você compensava. Garota, você nem imagina a imagem que jogaram em mim sobre você. E eu tive que descobrir sozinho e da melhor maneira. O pior de deixar alguém de lado é deixar de ser tão legal e de ser quem eu gostava. A coisa mais legal era que estar junto era arriscar. Deixei um pacote na sua gaveta, qualquer dia vou buscar por qualquer sinal de fogo. 
Quem importa fica, quem importa lembra. Detesto quem me esnoba, mas você eu adoro. 

domingo, 19 de julho de 2015

O que nunca foi dito...

Tokyo Police Club - In a Cave



"Há quanto tempo não choramos de felicidade?"



Dizem por aí que a felicidade não se compra e outros muitos mitos sobre ela, alguns bem estranhos que me deixam desacreditado, desconsolado, mas eu continuo acreditando nisso de ser feliz e que ela está por aí bem. É claro que do seu jeito, bem diferente do meu.
Não sei se ainda guardo algo relevante sobre nossos meses juntos, talvez nossa viagem, o cheiro que tinha nos cabelos castanhos, de cigarros, aquela porta idiota bem no meio do pub, a sua porta sem chaves. É...a gente se dava bem e acredito que nada mudou, só que não estamos mais felizes juntos.
A vanguarda da felicidade sumiu. Não existe carnaval alegre, só sorrisos. Onde anda o Amor se não nas memórias, surpresas, beijocas de até mais. Sem mais nem menos escolhemos isso. Um pouco de cada coisa e, quando a gente procura saber do mundo, a inocência some feito fumaça. Crescer é uma bosta sem medida, quase tudo muda menos o nosso jeito estúpido de achar que "vai que dá certo" é bacana.
Em noites assim, imagino onde estaríamos, mas lembro que você não era dada aos ses e me pego sendo bobo. Contabilizo nossa relação como 25%. Passamos um tempo muito adorável juntos, onde eu realmente desejava estar dentro de você quase toda hora. Incomum pra caramba isso. Seu narizinho empinado e o jeito de me achar um gatinho era desconsertante, nada parecia sem brilho ao seu lado. Posso contar um segredo? É verdade, você não pode me impedir..
Fiquei puto quando você me devolveu as coisas, porém aprendi a lidar melhor com meu ímpeto. O que gosto mesmo é da sua foto no perfil. Ela é a prova de que o fim estava próximo e nem por isso deixamos de nos Amar naqueles dias. Choro de felicidade por isso. É distante a linha que liga esse nosso antigo sentimento, mas se tem algo que desacredito é no fim. Nada acaba. Você é a minha caverna oficial.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

E o Amor?

Keane - Sea Fog


"Eu sou o único a ter um pouco mais do mesmo, duvida? Arrisque!"


Numa mania meio nervosa de balançar a perna, nos notamos com essa semelhança e uma longa história de como esse tique se originou "na gente". Foi o verão da nossa conhecidência. Perdoem-me por chamar de conhecidência e as vezes mudar a forma de escrever algumas palavras que já têm significado determinado, mas não podia esclarecer de maneira mais prática como nos conhecemos. Foi uma conhecidência mesmo. Por conhecê-la, conheci você.
Na época em que o sol deveria ser mais quente e belo, aqui nessa cidade cinza, tudo era mais patético e rápido de acontecer. Porém, se passássemos do outono, tudo ficaria bem, então focamos nas minúcias e em como encontrar um jeito menos idiota de repetir tanto desejo que já esgotamos em pouco mais de dois meses. O foda do verão é isso. É quente e intenso e dura dois meses. Logo, se conseguíssemos encarar o outono, sem apego, quando tudo cai, até a temperatura, seco e gasto, conseguiríamos desabrochar o tão sonhado Amor.
Tinha suas estranhices e eu as minhas. A maioria delas nem haviam aparecido ainda, não deu tempo de descolar os lábios, não houve tempo pra contar mais que os nomes e as bandas, ou melhor, as músicas. Nem transávamos ainda, mas fizemos um "top 10 músicas pra ouvir transando". Outro dia posto a lista. Nunca ouça a lista enquanto transa, não faça isso, estraga a música, pra sempre, sempre, pra todo sempre. Esse é um texto médio infame, mas passamos o outono com boas expectativas pra primavera.
As rosas deveriam desabrochar e eu acreditava no potencial das nossas últimas noites. Havíamos chegado mais longe que todos os outros dias juntos. No sofá, deixou tocar seus seios e a palavra polinização piscou durante três dias seguidos na minha cabeça. Foi um ápice.
Depois disso esfriamos e só falávamos em ficar juntos pra sempre, mas esse pra sempre nunca chegava. No final de semana estávamos ocupados com coisas bem mais importantes, jogos e livros.
Se jovem eu soubesse a importância boba de não ter esse tipo de contato, nada teria sido tão sério, não teríamos entrado o inverno brigando pelo pouco tempo que tínhamos um pro outro e, conhecidências à parte, não teria conhecido outra garota bem mais madura e menos virgem. Você gostava de dizer que não era também, mas carícias íntimas não contam. Isso já tinha sido tema de uma briga.
Foram tempos rigorosos e sem muito tempo pra sentimentalismo. Sem sentimentalismo, pros homens, nada funciona e eu não funcionei quando tentamos afastar sua calcinha de lado numa festa. Outra briga? Claro. Mea Culpa, Pardon. Sorte nossa que a proporção que as coisas tomaram foram só estratosféricas e não vialactocoidáis. Senão hoje seria complicado encarar esses fatos. Nem Júpiter e Vênus.
No final de setembro, voltamos a esquentar e eu cometi o deslize de, numa roda de amigos, comentar que beijos no pescoço são chamados imediatos pro coito. Voltava toda noite pra casa com leves ronxas por aqui.
 A primavera chegou e foi como prometido, mas não como esperado. As rosas desabrocharam, as cores ficaram vivas e aquela garota mais madura te pôs de lado.
Falei que detestava esperar, você não acreditou. Você era mel, beijo macio, sensual, mas na fissura de me fazer entender que nós éramos mais importantes que meia dúzia e meia de sexo, esqueceu que não era da Lethani conter os impulsos da carne. Fiquei com raiva e ela passou a minha rapidinho, como nenhum beijo seu fez. Hoje você brinca de virar bebidas por aí, e eu? Eu conto como é jogar com quem entra pra perder. Loser!

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Tempos Sempre Modernos




"..de 2004 pra cá fazem quantos anos? 11 .. xD"



Já falei que detesto anônimos?
Meu nome está aí e eu sempre respondo.
Já falei que adoro sinônimos?
Seu nome está aí e eu sempre escondo.
Já falei dos poemas que gosto?
Onde anda você, onde andam seus olhos?
Era mais que saudade, era um frio prazer.
Já falei do vermelho, dos lábios, de tudo?
Já falei dos lugares, dos bares, do mundo?
Já tornei tudo claro no embalo da noite?
Já deixei por engano uma linha em branco?
Não, não deixei.
Nesses tempos modernos de tanta razão,
Não passou nem um dia que não fosse o refrão.
Dentre todas as coisas detesto os anônimos,
os que passavam, os que falam, os que calam, os que sonham.
Se encontram aqui e não criam um laço.
Me encontram aqui e não ouço seus passos.
Já falei que não sei te dizer?
Que é foda, mas eu amo você!








Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...