Canines - Dead Ends
Era tempo de vir e ela chegou. Nossa relação estava naquela etapa antes da prisão, sabe? Não tinha aquela coisa da gente ir buscar um ao outro. Ela sabia se virar, eu não, mas comigo é quase sempre assim e é preciso enfatizar essa qualidade. Fomos machistas demais, tá na hora de deixar elas controlarem um pouco o nosso café da manhã e tals no big deal. Aquela presença fuçando meus discos assustava um pouco, mas era também incontrolavelmente ideal a velocidade que eu me fazia refém das minhas camisetas como camisolas e aquelas meias. Acho que o problema todo girava em torno disso. Era realmente bacana ter alguém torrando coisas pela manhã, vestindo poucas peças minhas de roupa. O fato da comida ser péssima era mínimo. O importante mesmo era cravar alguns beijos senxuais logo cedo e mostrar virilidade matinal. Eu sempre achei que o viagra era feito de alguma mistura de manhãs e doze anos. Me sentia assim com ela em casa. Eu acho que nos amamos, mas ainda acho meio cedo pra dizer isso. O Amor é de uma família diferente. A minha era a da Ameaça com uma pitada de Inércia. É uma tendência. Somos meio assim, meio na mesma, sempre a mesma coisa. Entendeu? A Ameaça do Amor não mudava nada, a Inércia também não. O Amor era uma tia velha que sempre me deixava cinquenta reais pra compensar o ano todo sem me visitar. Eu já sabia onde, quando e como esperar pela visita. Eu já sabia como lidar com isso entre a gente. Por isso o potinho com grana ali na saída. As que deixaram moedas foram as piores, assunto pra uma outra noite.
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