terça-feira, 23 de junho de 2015

Questão de Nunca Esquecer

Kings of Convenience - Power of Not Knowing


"Houve um bom tempo de paz, mas só em guerra com você sosseguei.."



É lasca quando você investe no que todo mundo diz, e todo mundo diz que há algo melhor por vir e nunca vem. Uma auto-ajuda propagada na velocidade da luz que, no final das contas, não ajuda ninguém, não é mesmo?
Algumas coisas até podem ser melhor que grego ou diamante negro, separadamente, mas nunca juntos.
Na verdade deve ser ócio e por isso resolvi dar um basta nesses exageros de chocolate e em pensar demais em você. Vou parar com chocolate e vou parar com você. É isso.
Os livros dizem que devemos planejar, mas sempre que planejo, seja por falta de por em prática ou pela falta de prática nesse negócio de planejar, perco prazos e as coisas acontecem como sempre, de forma aleatória.
Embora tenha vários planos de como chegarmos na casa da verdade entre nós, tudo parece muito difícil quando eu fico bobo e você escrotamente perfeita, quando nos vemos. Tenho um plano pra evitar isso também, mas preciso fazer dar certo a banda cover no Keane e preciso aprender a cantar.
Assim posso te esnobar enquanto você canta embalada por mim.
Vai, 10 segundos pra você me fazer mudar de ideia sobre parar com chocolate ou com você. Porque algumas coisas até podem ser fáceis de ficarmos sem, separadamente, mas nunca juntas.






sábado, 20 de junho de 2015

De besta

Canines - Dead Ends


Era tempo de vir e ela chegou. Nossa relação estava naquela etapa antes da prisão, sabe? Não tinha aquela coisa da gente ir buscar um ao outro. Ela sabia se virar, eu não, mas comigo é quase sempre assim e é preciso enfatizar essa qualidade. Fomos machistas demais, tá na hora de deixar elas controlarem um pouco o nosso café da manhã e tals no big deal. Aquela presença fuçando meus discos assustava um pouco, mas era também incontrolavelmente ideal a velocidade que eu me fazia refém das minhas camisetas como camisolas e aquelas meias. Acho que o problema todo girava em torno disso. Era realmente bacana ter alguém torrando coisas pela manhã, vestindo poucas peças minhas de roupa. O fato da comida ser péssima era mínimo. O importante mesmo era cravar alguns beijos senxuais logo cedo e mostrar virilidade matinal. Eu sempre achei que o viagra era feito de alguma mistura de manhãs e doze anos. Me sentia assim com ela em casa. Eu acho que nos amamos, mas ainda acho meio cedo pra dizer isso. O Amor é de uma família diferente. A minha era a da Ameaça com uma pitada de Inércia. É uma tendência. Somos meio assim, meio na mesma, sempre a mesma coisa. Entendeu? A Ameaça do Amor não mudava nada, a Inércia também não. O Amor era uma tia velha que sempre me deixava cinquenta reais pra compensar o ano todo sem me visitar. Eu já sabia onde, quando e como esperar pela visita. Eu já sabia como lidar com isso entre a gente. Por isso o potinho com grana ali na saída. As que deixaram moedas foram as piores, assunto pra uma outra noite.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

11, 12 e Wizards School

Keane - Bend and Break


*Nada mais que verbos e tradições e promessas*



Seria mais próximo da realidade se eu falasse que tudo isso realmente aconteceu, mas fica a critério da sua imaginação acreditar ou não. Só sei que naquele dia provavelmente estaríamos nos vendo escondidos dos seus pais, por isso, a festa de Halloween era o momento perfeito da gente se ver mais um pouco, fora da rotina, dos amigos, dos chatos e de nós mesmos, que éramos tremendamente caretas e envergonhados. Chegando lá não demoramos a nos encontrar, o tempo passou tão rápido que jamais saberia dizer se ficamos por algumas horas juntos ou minutos. Você foi embora primeiro, como sempre e eu acompanhei seus passos apressados até o carro, de longe. Em um momento, nos beijamos, eu de costas pruma parede e você me abraçando. Não ouso mencionar o que prometemos, mas foram vários verbos e que eu queria ficar com você pra sempre, mas poucos meses depois fomos despedaçadas pelo "what if" e o monstro do "você mudou". O amor era verdadeiro, nós que ainda não éramos.

Feliz Aniversário, Eliúde









segunda-feira, 1 de junho de 2015

Perguntei seu nome, menina?

The Smiths - The Charming Man




Ali de longe era você, na companhia de um sujeitinho bem diferente. Deviam acordar e dormir juntos e intimidade demais causava aquilo, um tornado de impaciência e rejeição. Estava claro que ele causava certos desconfortos, mas o dia dos namorados estava chegando e ser feliz era um comportamento a ser trabalhado. Aqui de longe era eu, na companhia de um bocado de gente velha e desconhecida. Provavelmente nem havia acordado e tudo aquilo era um pesadelo, um moinho de impaciência e ansiedade, mas o dia dos namorados estava chegando e um romance curto cairia bem nesse trecho do ano. O Amor é sempre mais sincero no começo. Perto do fim ele é afinado, apenas, sem paixão, sem desejo, sem Momentum, sem pressa. Amores de curta duração são os melhores, experiência própria. Se muito prolongado causa uma comodidade encontrada nos gatos, que só brincam quando têm fome. Se de médio prazo podem causar dependência das intensas experiências, tirando sono e produtividade, nada prático. Os de curta são os melhores - já falei isso -, já que suprem necessidades momentâneas e cheiram à verão americano. Dá uma saudadezinha gostosa e a certeza de que ambos apresentaram suas melhores versões e mentiras, o melhor, justamente pela expectativa do que poderia ter sido, não fosse um verão americano.
Será que eu seria capaz de acabar com aquele casal chato, cafona? Ela já estava gorda, por que dá fome aguentar tanta mesmice. Você deve entender do que estou falando. Possivelmente já teve essa fome que não passa, dos mesmos lugares, do paradoxal mesmo-diferente, de contar outra vez sua vida numa nova edição, de prometer nunca mais prometer começar uma dieta ou dar bola pra garotos fúteis. Chance disso acontecer era próxima de zero e, cá entre nós, você não parecia disposta a um deslize infiel.
Perto da meia-noite comecei a julgar se deveria ir embora e caminhei até a mesa de frios, cruzando contigo entre os convidados. Nos olhamos, tentei disfarçar o interesse ansioso, tarde demais. Segurei seu braço daquele jeito que fiz hoje, quando passou por mim no corredor, e soltei minha melhor pra noite. Foi revigorante, você é ótima, carinhosa, foi minha por um curto tempo e ninguém precisa saber disso.
Depois de ler esse bilhete, te aconselho a rasgar, queimar, mas não o guarde, não me guarde. E se um dia nos encontrarmos novamente, o fato só terá provas em nossas memórias, em nossa loucura de por um pouco de paixão e sinceridade nos nossos desejos.
Um beijo,
Eu.

Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...