Danger Danger - Beat the Bullet
" Não era algo específico, era tudo..."
Ele não parava de ligar, mesmo naquela hora. Cheguei tarde e por falta de condições de continuar nossa discussão pelo telefone, deixei ele vibrando em frente ao pc e fui tirar o resto de borras no rosto. Nunca planejava chorar, mas sempre acontecia. As lágrimas eram uma reação natural à verdade sendo dita. Na maioria das pessoas o choro vem pela negação, por não acreditar que o fim chegou. Em mim a coisa era menos dramática, já que o drama mesmo fazia parte das nossas regras de convivência. Pequenas mentirinhas que eu transformava num bigdeal propositalmente, a minha falta de meiguice que era sempre contestada, zero libido(não eram os hormônios, acredite), entre outras trocentas coisas. Mau acostumei você. Nos víamos praticamente todos os dias e já estávamos parecidos demais um com o outro. Tempo pro resto era raro e custava caro. Pra sair era necessário horário, um full time report e, muito provavelmente, uma longa explicação de que eu não preferia outros à você. Acontece que há algum tempo eu já preferia, de fato. O ruim disso mesmo era, na falta de novos motivos - você sempre acabava me fazendo inventar novos - puxar uma briga de 2013 pra desviar o assunto. Aí eu chorava, o que não estava planejado, desgastando mais um pouco nossa capacidade de resolver essas bobagens. Aí eu lembro que ninguém mais me compraria comida de madrugada, remédios às 3 da manhã, aguentando semanas sem depilação e acabo ficando mais um pouco, suportando mais um pouco. Ah, esse lance de amor-próprio não existe.
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