"Quero te ver também...terei boas notícias..."
Como casal eram uma péssima combinação, mas como melhores amigos o futuro era incerto, como deve ser. Pouco mais de dois anos sem uma notícia, a vida seguiu. Acreditava que se investisse naquela sensação que sempre teve, de que devia deixá-lo seguir, sua vida também seguiria. Confiante nos instintos e intuições, partiu sem contar como foi, e pra sua surpresa, inesperadamente maravilhosa, suas escolhas foram acertadas. E as escolhas mais acertadas são aquelas que trazem as renúncias mais pequeninas.
As apostas começaram pra saber quem falaria primeiro. Era óbvio que seria ele. Ela já tomara a iniciativa de escolher uma janela em frente à sua e a deixava aberta sempre que ele estava em casa. Perguntava-se o que o deixava tão inquieto. Eram os olhos grandes e fundos e escuros e castanhos? Talvez.
O que será que ele tinha que a deixava inquieta? Era sua forma de sempre parecer tentar explicar algo que não era possível entender? Talvez.
Os signos mudaram, portanto não saberia dizer se continuavam com pouca combinação astral. Acredito que eles sempre erraram quando se tratava da gente. Falavam que nossa relação deveria ser carnal e apimentada, mas nunca nem tive vontade que não fosse uma boa conversa, quem sabe um carinho. Os astrólogos todos erraram, então. Agora eu era de touro, temos chance? Alta compatibilidade? Não tinha planos palpáveis, pelo menos nisso concordávamos. Além de que, quando abri suas fotos notei que só metade do seu rosto sorria pra mim, a outra dizia pros meus mais impuros desejos, que eu precisava te esquecer, novamente, por uns dias ou mais.